Morrissey anunciou oficialmente nesta sexta-feira, 09, seu novo álbum solo, Make-Up Is a Lie, com lançamento previsto para 27 de fevereiro. O ex-vocalista do The Smiths também lançou a faixa título como primeiro single.
Make-Up Is a Lie marca a primeira colaboração de Morrissey com a gravadora Sire Records, selo ligado à Warner Music, sendo um dos projetos mais aguardados desde sua última obra de estúdio I Am Not a Dog on a Chain, de 2020, lançado pela BMG em 2020.
Em 2021, o cantor anunciou Bonfire of Teenagers, mas deixou a Capitol Records e o álbum nunca foi lançado. Morrissey demorou, e em alguns momentos simplesmente não conseguiu, lançar um novo disco principalmente por problemas com gravadoras, somados a polêmicas públicas e entraves de mercado.
Em um comunicado postado em seu site, o artista escreveu: “A espera às vezes pareceu uma tragédia. Mas o lançamento de Make-up is a Lie hoje é como um reencontro de amantes. E depois de várias audições, parece que sempre existiu. Agora podemos depositar nossa fé no que é visível.”
Ele também instruiu seus fãs: “Por favor, sentem-se em sua poltrona favorita em sua cabine escura com as luzes apagadas. Ou, se preferirem, relaxem e desfrutem de um pouco de auto-humilhação impulsiva – como eu costumo fazer. Espero que você considere Make-Up Is a Lie digno da atenção que lhe dedica. Muitos de nós, aqui, e na França, Turquia, Polônia, Holanda, Dinamarca, Grécia, Estados Unidos, Inglaterra… esperamos porque nossa crença é inquestionável: que os queixosos falem.”
Por fim, concluiu: “O que sobrevive além do alcance deles é o amor. Insisto em ser eu mesmo, apesar de muito desencorajamento. E esta nova música é um retrato válido de muito mais que está por vir em 2026. Nascido e renascido. Sou seu futuro amante, MORRISSEY.”
As dificuldades para lançar novos álbuns
Depois de Low in High School (2017), Morrissey gravou ao menos dois álbuns completos, Bonfire of Teenagers e Without Music the World Dies. O primeiro ficou pronto por volta de 2020, mas foi engavetado pela Capitol Records, que rompeu contrato com o cantor em meio a controvérsias envolvendo suas declarações políticas, culturais e identitárias. Em entrevista ao The Telegraph em 2024, Morrissey revelou que estava sendo “amordaçado” e que o que ele chama de “Cultura Idiota” está impedindo o lançamento de seu álbum.
Apesar de Morrissey afirmar que o disco estava finalizado e tinha participações importantes, a gravadora optou por não lançá-lo, e os direitos ficaram presos por um período. Em 2024, o músico afirmou ter recomprado os direitos de seus álbuns, após uma longa disputa com a Capitol Records. “Morrissey pagou a taxa de rescisão à Capitol Records para reaver os álbuns. Foi uma guerra longa, difícil e sangrenta. Poucos sairiam vivos dela, e… eu não sou exceção. Morrissey continua sem contrato”, dizia o comunicado no site oficial [via Morrissey Central].
Sem contrato ativo, o cantor passou a procurar uma nova gravadora disposta a bancar o lançamento, algo que se mostrou difícil devido à sua imagem pública “tóxica” para o mercado atual, segundo executivos da indústria. Ele mesmo declarou que recebeu elogios artísticos pelo material, mas negativas comerciais. “Todas as grandes gravadoras de Londres recusaram Bonfire of Teenagers, embora admitam que é uma obra-prima”, disse Morrissey ao The Telegraph em 2024.
Além disso, houve cancelamentos frequentes de turnês, problemas de saúde e frustração com o streaming, o que também atrasou cronogramas. Os discos Without Music the World Dies e Bonfire of Teenagers seguem sem previsão de lançamento. Este último supostamente conta com participações de Iggy Pop, Flea e Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers, e Miley Cyrus, que posteriormente pediu para que sua participação fosse retirada.
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