A experiência de estar ao lado de artistas que marcaram uma época e uma geração é indescritível.”

Confira mais um texto escrito por um de nossos WikiBrothers:

por Daniel Azevedo

Desde muito cedo, sempre tive a curiosidade de descobrir o que acontecia – de verdade! – nos backstages de algumas bandas. De fato, os músicos são verdadeiros intérpretes ao subir num palco e executar suas canções, e isso sempre me trazia uma certa inquietação, pois desejava conhecer o lado mais “pessoal” daqueles artistas.

Pois bem!

Ano passado, em 2012, tive a oportunidade de vivenciar uma das experiências mais interessantes da minha vida: Ao menos por uma noite, estar próximo de uma das bandas pioneiras da música pesada no Brasil: O Viper. Talvez, para a banda, 6 de Julho possa ter sido apenas mais um dia na sua superlotada agenda de shows, mas para mim, foi motivo de muita satisfação e aprendizado.

O Viper estava realizando uma turnê comemorativa dos 25 anos do disco “Soldiers of Sunrise” (1987), passando por vários Estados de todo o Brasil, dentre eles o Rio Grande do Norte. Como moro no Estado vizinho (Paraíba), não hesitei em comparecer ao evento. Concomitantemente, pretendia ir à Natal com o intuito de rever toda a minha família, que não via há aproximadamente nove anos!

Logo quando cheguei, visitei meu tio-avô Jaime (o grande “Barão de Tabatinga”!) e meus primos. Nada foi mais agradável do que revê-los, depois de tanto tempo! À tarde, recebemos uma ligação do Felipe (Machado, nosso primo), que também desejava reencontrar a família.

À tarde, fomos buscá-lo em algum shopping da capital, e em seguida retornamos à casa do meu tio-avô. Estávamos ansiosos com o reencontro!

Conversamos por toda a tarde. Alguns garotos estavam ali presentes, dentre eles mais primos (acompanhados de amigos e mais amigos!). Fomos até presenteados com uma pequena demonstração!

Após muita conversa, deixamos nosso primo no hotel. Ainda não tínhamos sequer comprado os ingressos e desconhecíamos o local do evento. Logo, eis que surge um convite inesperado do Felipe. Algo do tipo: “Vão ao hotel hoje à noite. De lá, vamos juntos ao show”.

Algumas horas depois, fomos deixados na porta do hotel, localizado na Praia dos Artistas.

Quando cheguei, logo avistei dois rostos conhecidas: Pit Passarel (baixista) e Guilherme Martin (baterista). Relativamente tímido, puxei qualquer assunto e eles fizeram questão de desenvolver a conversa. A sensação era um pouco estranha: No trajeto de João Pessoa à Natal, eu estava escutando o disco Evolution, curtindo bastante a voz do Pit. No mesmo dia, ele estava ali, batendo papo comigo!

Sei que para algumas pessoas isso pode soar piegas, mas a experiência de estar ao lado de artistas que marcaram uma época e uma geração é indescritível.

Entramos na Van (fui com minha prima de Natal). O Hugo Mariutti (guitarrista) chegou e me cumprimentou, dizendo que lembrava de mim. Tive a oportunidade de conhecê-lo no Recife, em 2009, durante um show da banda Andre Matos solo. Novamente o vi em 2011, e agora estava lá, mais uma vez. Admiro demais o trabalho deste cara: sem dúvidas, um dos maiores guitarristas do Brasil.

Finalmente saímos e fomos “dar uma volta”. Eu estava com o Viper dentro de uma van (com exceção do Andre Matos, que resolveu não sair do hotel). O Pit, sentado ao meu lado, mexia no iPhone e assistia A Era do Gelo. O Hugo, sentado no banco traseiro, estava calado, aparentemente taciturno.

Sem saber exatamente aonde estávamos indo, a van seguiu rumo à um restaurante japonês chamado “Lótus”. Foi lá onde sentamos todos juntos e conversamos. O Pit e o Felipe pediram um saquê, e o Pit me ofereceu um pouco do dele. Realmente…Divino!

Foi um momento de descontração, muita conversa e piadas. Os caras da banda são mais engraçados do que você pensa (típico de toda amizade que perdura desde a infância!) e era visível o tratamento fraterno entre eles. A realidade é que ali existe uma amizade, digamos, invejável!

No final, eles se juntaram ao pessoal do restaurante (garçons, gerentes etc) e pediram que eu tirasse uma foto. Demais! E o melhor? A banda não me permitiu pagar a conta, sendo este um gesto de humildade que não encontramos nem mais entre nossos próximos…E o que dizer de uma das bandas mais influentes da década de 80/90 no Brasil?

Todo aquele meu desejo de infância de descobrir o que acontecia por trás, nos camarins das bandas, estava finalmente se realizando.”

A hora do show se aproximava e fomos buscar o Andre no hotel. Este é outro artista que admiro há muito tempo. Integrante de bandas como Angra e Shaman, o maestro Andre Matos é reconhecido internacionalmente com uma das maiores vozes do power metal, sendo dono do título “melhor vocalista” em diversas pesquisas realizadas no Brasil e Japão, dentre outros lugares.

Pela janela do carro, eu o vi atravessar a rua. Parecia estar um pouco irritado, talvez devido ao atraso do show ou algo do tipo. Quando subiu a van, me olhou e Felipe disse: “Olha aí, Andre, o meu primo Daniel”. Sorrindo, ele apertou minha mão e me cumprimentou educadamente. Também tinha me reconhecido de outros shows e desde então não continuamos mais a conversar, já que ele havia sentado no banco da frente e ficou ao lado do Pit. Analiticamente, eu observava como o Andre tratava seus companheiros de banda e percebia que eles realmente eram amigos. Não é fácil encontrar uma relação tão forte de amizade nos dias de hoje.

Durante o trajeto, o Andre conversava sobre filmes (inclusive dizendo que algumas de suas músicas são inspiradas neles). Perguntei ao Hugo sobre o novo álbum da banda Andre Matos solo, e o Felipe respondeu: “Eu já escutei! Tá muito legal!”.

Quando chegamos no local do evento, havia uma multidão aguardando a banda, além de diversas câmeras e jornalistas locais. Essa foi a parte mais divertida de toda a noite: A casa de show não tinha um local específico para os artistas entrarem por trás, então a banda teria que atravessar toda a multidão!

Felipe nos advertiu que seguíssemos em linha reta e que não ficássemos conversando, pois como iríamos atravessar mais de 300 pessoas, haveria o risco de não entrarmos.

Dito e feito: Ao abrir a porta da van, descemos com o Guilherme Martin, Pit Passarel e Felipe, e fomos atravessando a multidão (neste momento, puxei a mão de dois primos meus e levei-os conosco). Algumas pessoas não estavam entendendo o que acontecia e olhavam estranhamente como se estivessem pensando: “Pera aí, aqueles são os caras do Viper?” (risos!).

Finalmente chegamos. O Andre veio depois com o Hugo, acompanhados do pessoal da produção. Entramos no backstage e lá assistimos todo o processo pré-concerto. Todo aquele meu desejo de infância de descobrir o que acontecia por trás, nos camarins das bandas, estava finalmente se realizando. Saímos do backstage e ficamos em uma área ao lado, um tipo de “local para fumantes”. Ali os integrantes da banda passavam frequentemente e conversavam conosco. Lembro que o Andre estava passando e de repente parou.

-Vocês são os primos do Felipe? – perguntou.
Confirmamos.
-Vocês se parecem bastante – continuou.

Aproveitamos a situação para tirar uma foto com ele. Tudo aquilo precisava ser registrado! Finalmente, as luzes se apagaram e as três bandas que antecederam o show do Viper se retiraram. Era o momento do espetáculo.

Testemunhamos uma banda que respeita o fã e trata com humildade aqueles que reconhecem o seu trabalho.”

Ficamos meio perdidos, pois queríamos ver o show e no camarim isso não era possível. Se fôssemos para a multidão, não conseguiríamos voltar. Então, uma moça japonesa (Vera, produtora) nos viu e contamos a ela nosso problema. Em uma atitude inesperada, ela disse: “Venham por aqui, vocês vão ver o show em cima do palco!”

Seguimos pelo caminho indicado e ali estávamos: Todos a poucos centímetros dos integrantes do Viper, vendo a banda ressuscitar clássicos dos anos 80 e emocionar uma casa lotada de fãs!

Antes de subirmos, ficamos assistindo ao show do local onde os músicos passavam. Vez ou outra eles saiam do palco e tínhamos que nos esquivar, pois desciam rapidamente em direção ao camarim. Durante uma música ou outra, o Andre saía do palco, tomava um gole de cerveja (Heineken) e voltava. Lembro que havia uma pequena escadinha por onde eles saíam, e durante a música “Wings of the Evil” (acho) ele veio correndo, tropeçou e quase levou uma queda feia, digna das “vídeo cassetadas”. Isso ocorreu devido ao ambiente ter pouca iluminação, somando ao já conhecido problema de vista do vocalista.

Em outra dessas “descidas”, o Andre veio tomar mais um gole da sua cerveja e não a encontrou. Procurou por todos os lados, sem sucesso. Conformado, voltou ao palco. Não sei quem bebeu essa cerveja… (risos)! O show prosseguiu e assistimos tudo ali, de pertinho.

A noite foi, sem dúvidas, espetacular. Quando tudo terminou, tivemos um susto: já havia amanhecido! Não pelo fato de ter amanhecido, mas por ter passado tudo tão rápido. Sem dúvidas, quando estamos próximos de pessoas tão agradáveis, o tempo parece voar. E foi essa sensação que experimentei naquela noite do dia 06 de Julho de 2012. Estive ao lado de uma das minhas bandas nacionais favoritas e reencontrei um primo que não via há 3 anos.

Por fim, sabemos que alguns artistas se consideram verdadeiros deuses e andam “pisando em ovos”. Não é o caso do Viper. Testemunhamos uma banda que respeita o fã e trata com humildade aqueles que reconhecem o seu trabalho. Espero que este relato sirva de exemplo pra muitas bandas que, apesar de terem uma legião de fãs, não os reconhecem como tais.

Valeu, VIPER! Nos vemos no Rock in Rio!

Agradeço ao primo Nando Machado e parabenizo-o pela iniciativa de criar o “Wikimetal”, contribuindo na reunião do Viper e na expansão do Heavy Metal brasileiro.

Abraços!

*Este texto foi elaborado por um Wikimate e não necessariamente representa as opiniões dos autores do site.

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