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'From The Dark’. Crédito: Divulgação

'From The Dark’. Crédito: Divulgação

‘From the Dark’: Tony Iommi entrega um forte candidato a álbum do ano

Primeiro novo álbum em mais de 20 do guitarrista do Black Sabbath chega nesta sexta-feira, 23, pela BMG.

TEXTO: Carlos Ferracin

Não é exagero afirmar que o heavy metal, como o conhecemos, nasceu pelas mãos de Tony Iommi. Enquanto outros pilares da época flertavam com o hard rock bluesístico, Iommi popularizou o uso do trítono — uma combinação de notas conhecida na Idade Média como ‘Diabolus in Musica’ ou o ‘Intervalo do Diabo’. Esse recurso, associado a um acidente no qual ele perdeu as pontas dos dedos médio e anular, gerou uma sonoridade pesada e sombria, tornando-se um verdadeiro manual para todas as bandas de heavy metal que vieram na sequência.

Sua primeira tentativa de lançar um trabalho solo foi com Seventh Star (1986) — lançado como Black Sabbath featuring Tony Iommi por pressão da gravadora —, com Glenn Hughes nos vocais. Em 2000, saiu Iommi, com participações de um verdadeiro dream team do rock e do heavy metal, além de mais duas colaborações com Glenn Hughes: The 1996 DEP Sessions (2004) e Fused (2005). Com o encerramento das atividades da lendária banda Black Sabbath, chegou a hora de lançar um novo material, disponibilizado ao público nesta sexta-feira, 23, sob o título de From the Dark.

Produzido por Mike Exeter, também responsável pelos teclados, estão junto de Iommi nessa empreitada: Karl Brazil (bateria), Becky Baldwin (baixo), conhecida pelo seu trabalho no Mercyful Fate, e Jorn Lande nos vocais. A escolha do norueguês Lande não foi aleatória; dono de um timbre vocal próximo ao do saudoso Ronnie James Dio — tendo lançado um álbum em que interpreta canções de Dio em 2010 —, ele soube colocar uma personalidade própria nas interpretações, não se limitando a homenagear os vocalistas que passaram pelo Black Sabbath.

From The Dark é composto por oito canções distribuídas em 42 minutos. Ou seja, sem excessos ou canções descartáveis, deixando claro que Iommi priorizou a qualidade — algo corriqueiro na década de setenta.

“Over The Violent Sun” abre os trabalhos com um riff encorpado que não deixa dúvidas sobre a autoria: a assinatura de Tony Iommi é inconfundível. A faixa carrega o DNA clássico do Black Sabbath, ecoando com força a fase de Ronnie James Dio. Na sequência, “Black Times” mergulha em uma atmosfera arrastada e densa, flertando abertamente com o doom metal. Mas o mestre dos riffs não se limita à crueza sombria; a grandiosidade épica ressurge em “Beyond The Dead” e “Death Wake” — sendo que esta última conta com um reforço de peso: Brian May (Queen).

O primeiro single, “World Alone”, e “Return of the Arbalist” são os momentos mais avassaladores do álbum, especialmente “World Alone”, em que Tony Iommi desfila os mais belos solos da obra. Dentre todas as canções, duas chamaram mais a minha atenção: “Stormwatcher” e “Legacy”. Enquanto “Stormwatcher” é cadenciada e pesada, com um refrão sensacional, “Legacy”, com sete minutos de duração, é grandiosa, com uma interpretação arrebatadora de Jorn Lande — e não existe nada mais poético do que encerrar um álbum de Tony Iommi com uma canção chamada ‘Legado’.

From the Dark traz a essência de Tony Iommi. Sem tentar reinventar o gênero, o guitarrista entrega uma continuação de sua trajetória, o que transforma o disco em um lançamento imperdível e um forte candidato a álbum de heavy metal do ano.

Tony Iommi, capa do álbum ‘From The Dark’

Tony Iommi – From The Dark

1. Over The Violent Sun
2. Black Times
3. World Alone
4. Beyond The Dead
5. Stormwatcher
6. Death Wake
7. Return Of The Arbalist
8. Legacy
Faixas bônus da edição deluxe em CD
1. Scent Of Dark
2. Deified

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