Até onde as expectativas dos fãs podem ir sem prejudicar as bandas? Felipe Andreoli, baixista do Angra, conversou sobre como parte do público é resistente a mudanças inevitáveis na carreira de qualquer artista, seja de formação ou sonoridade. 

Em entrevista ao podcast Colisão, o músico encontrou uma ótima analogia para esse apego aos clássicos como Angels Cry (1993). “É o cara que abraça tão forte que sufoca”, definiu. “Quando entrei no Angra, a internet estava mais embrionária, mas já tinha os fóruns. Sinto que o fã hoje tem um lance mais um lance que, em inglês, os caras chamam de ‘entitled'”. 

A palavra pode ser traduzida para “intitulado a” algo, mas o músico oferece um conceito voltado para a relação entre banda e público. “É o cara achar que tem direitos sobre alguma coisa que não necessariamente ele tem”, explicou. “Se você não faz o disco que aquele cara quer, a banda é uma b*sta e morreu. Não existe mais aquela coisa de esperar o disco de uma banda e ver o que eles vão te apresentar para ver se você gosta ou não, mas você tem a mente aberta”. 

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Na visão de Andreoli, não se trata de não esperar críticas e eventual frustração de expectativas, algo natural ao lançar um novo projeto. O problema dessa parcela do público está em não esperar o tempo de absorção e compreensão de novos materiais porque procuram clássicos como “Carry On”, “Nova Era” ou “Spread Your Fire” de cara, sem dar chances. 

“Onde está aquela história do artista propor novos caminhos, se reinventar, crescer e mudar? Os fãs falam isso como se concordassem entre si qual é o Angra ideal, mas eles discordam”, continuou. “Se você agrada um, desagrada outro. O Angra sofre muito com esse tipo de chororô, mas todo disco é muito diverso e atende todos esses estilos, mas se você não pesa a mão para o lado que o cara quer, (…) você é tachado daquilo e acabou. O fã é muito mimado nesse sentido”.

Para finalizar a conversa, o baixista explicou que acha natural que algumas pessoas deixem de acompanhar a banda após a morte de Andre Matos ou a saída de Edu Falaschi, por exemplo. “Não tem obrigação nenhuma de gostar do cara que entrou no lugar”, pontuou. “O que não entendo é a energia gasta por essas pessoas que continuam falando sobre a banda e enchendo o saco, esse hate não entendo, O sentimento, tudo certo. Mas o hate 20 anos depois é difícil de entender”. 

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