Em entrevista exclusiva à Rolling Stone, Fabio Lione rebateu a versão de Rafael Bittencourt sobre sua saída do Angra. Apesar de admitir que existe verdade nos motivos apresentados pelo guitarrista, Lione comentou que a versão oficial foi uma maneira de Bittencourt “passar como santo”.
Em novembro passado, o vocalista anunciou sua saída da banda, da qual fazia parte desde 2013, e também informou que a apresentação no Bangers Open Air 2026 será sua despedida.
Em seguida, o guitarrista Rafael Bittencourt, informou em entrevista ao TMDQA! que o motivo da saída foi o hiato que o Angra iniciou [transcrição via IgorMiranda].
“Por conta do hiato, uma ausência de planos concretos, o Lione falou: ‘Quero me desvincular do compromisso, porque vocês não têm planos concretos, vocês estão no hiato, então eu quero trabalhar, tenho vários projetos’. Então conversamos, meio que consensualmente, para ele sair. De uma maneira amigável. Permanecemos com uma relação muito boa. Uma relação de amizade e respeito construída muito sólida. Acredito que com o Lione, teremos uma amizade duradoura”, afirmou Rafael.
Fabio Lione opina sobre fala de Rafael Bittencourt
Agora, Fabio Lione explicou sobre sua saída, afirmando que Rafael Bittencourt quis “se passar como santo” e que “as pessoas sabem muito bem como falar algo de um jeito confortável para elas”.
“É complicado e ao mesmo tempo não é. Sinceramente, eu não queria falar muito desse assunto do Angra. O que o Rafa disse é verdade, mas aprendi após muitos anos no Brasil que as pessoas sabem muito bem como falar algo de um jeito confortável para elas. Muitas vezes, muitas pessoas se esconderam nas minhas costas porque sabiam que eu falava mesmo, por ser mais direto, sincero, ‘jeito italiano’. ‘Por que falar se você sabe que o Fabio vai falar?’. Rafa preferiu fazer essa entrevista falando essa verdade, que é verdade, mas uma verdade confortável para ele. É tipo: “não quero fazer ninguém ficar na banda, a banda está em hiato e ele quer sair”. É uma maneira muito ‘quero passar como santo”.
Ele continuou: “Sinceramente, não sei o futuro da banda. Espero o melhor. Quando você me falou da entrevista do Rafael, ele falou: ‘estamos em hiato, vou fazer o Bangers e depois hiato’. Meio complicado se depois fizer uma turnê de 30 anos do Holy Land, mas é achismo meu. Não tenho nada contra o Rafa e contra os caras, mas uma banda precisa olhar para o futuro”.
O vocalista também opinou sobre sua despedida no Bangers Open Air 2026, dizendo que é seu show menos importante, mas fará por amor.
“Bangers é o último dos meus problemas no momento. De todos os shows e de tudo o que penso, o menos importante para mim, e pode ser que seja o mais importante para eles, é o Bangers. Farei por amor à banda, por amor aos fãs, por amor ao Brasil. Tenho que fazer isso pela história dessa banda linda, maravilhosa, e também porque eu sou o vocalista que ficou mais tempo na banda. Seria muito feio o vocalista que passou mais tempo na banda não fazer parte desse festival […] Teremos o Alírio Netto, meu querido amigo, fazendo a parte do Andre Matos. Fui eu quem dei a ideia de fazer três fases do Angra com três vocalistas”, confessou ele.
“Talvez eu só não aprove todas as escolhas dos caras”
Na entrevista, Fábio Lione também fez ponderações sobre sua passagem pelo Angra, destacando diferenças de visão artística em relação aos rumos da banda. Segundo o vocalista, ele nem sempre concordou com as escolhas criativas do grupo e sentia falta de uma postura mais voltada ao presente e ao futuro, em vez de referências excessivas ao passado.
“Talvez eu só não aprove todas as escolhas dos caras. Gostaria mais que a banda estivesse sempre no agora. Preferiria uma banda olhando um pouco mais no futuro. Isso não significa que o Angra não olhou, porque Cycles of Pain foi um trabalho arriscado, tentamos não copiar o passado, finalmente me deixaram… compus oito linhas vocais e ajudei o Rafa em cinco letras. Secret Garden foram cinco músicas com a minha contribuição; no Omni, mais ou menos sete; no Cycles of Pain, nove”.
“Sei que uma parte dos fãs pode não gostar muito porque é progressivo, mas acho que não dá para tocar música do mesmo jeito de 30 anos atrás, com a bateria que parece de computador. Uma ou duas músicas pode até ser, depois vai cansar. E objetivamente, realisticamente, em 2026, com a música moderna, produção moderna, som moderno… Não dá. Não para fazer guitarrinha de videogame”, concluiu ele.
Os planos do Angra
O Angra havia anunciado um hiato em agosto de 2025 após o fim da turnê de 20 anos do álbum Temple of Shadows. A decisão foi motivada pelo desgaste após anos de trabalho intenso e pela vontade dos membros de se dedicar a projetos pessoais.
Segundo Rafael Bittencourt, o hiato da banda deverá durar de 2 a 3 anos e, durante esse período, o grupo não deve trabalhar em novas composições. Entretanto, a banda planeja retornar no futuro, sem muitas informações até o momento, além do show de reunião no Bangers Open Air 2026, em São Paulo, no domingo, dia 26 de abril.
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