Within Temptation mantém sua forte conexão com o público brasileiro ao retornar ao país como uma das atrações confirmadas do Bangers Open Air 2026, prometendo uma performance intensa.
A banda holandesa é conhecida por seu status de um dos grandes nomes do symphonic metal mundial e a expectativa dos fãs cresceu ainda mais após a passagem recente da banda pelo Summer Breeze Brasil (atual Bangers Open Air), onde entregaram um show elogiado pela energia e pela forte resposta do público.
Recentemente lançaram o Whitin Temptation: The Invisible Force, abordando a guerra na Ucrânia, além de lançar músicas em parceria com artistas ucranianos. Agora, o Within Temptation trabalha no lançamento do novo álbum e se prepara para o show no Brasil.
Em entrevista ao Wikimetal, Sharon den Adel falou sobre política, o carinho dos fãs brasileiros, detalhes do novo álbum e opinou sobre Inteligência Artificial.
A importância de falar sobre política
Wikimetal: Sobre o documentário Whitin Temptation: The Invisible Force, vocês decidiram se posicionar publicamente sobre a guerra na Ucrânia. Em um momento em que muitos artistas evitam temas políticos, porque sentiram que era importante se manifestar?
Sharon Den Adel: Principalmente porque acho que vivenciamos o choque pessoal do fato de Kiev estar a apenas duas horas de avião de Amsterdã, e de que, na minha opinião, a Terceira Guerra Mundial estava começando, embora de uma forma diferente da Segunda Guerra Mundial. Parecia que algo estava acontecendo, a ordem global estava mudando, as coisas estavam mudando novamente, algo que nunca imaginamos que veríamos acontecer durante a minha vida. E, crescendo com todas essas histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, a sensação era de que as coisas estavam piorando cada vez mais. Mesmo agora, três ou quatro anos depois do lançamento do álbum, o mundo parece estar cada vez mais insano.
Não há um dia sequer em que eu não me surpreenda com o que está acontecendo nos Estados Unidos ou com o que o líder americano está dizendo sobre outras pessoas, ameaçando-as, e, meu Deus, o que ele vai fazer, o que ele fez na América do Sul e quem ele é. Mas também o Irã. É como se nunca, nunca acabasse. Então, é importante falar sobre essas coisas. Na minha opinião, é, no mínimo, muito inspirador falar e escrever sobre isso. E a questão é que fizemos este documentário porque nos pediram para tocar em um evento acústico para conscientizar as pessoas.
No início da guerra na Ucrânia, uma organização ucraniana nos pediu para tocar uma música, já que eles estavam promovendo uma espécie de maratona musical de 24 horas, com música ao vivo no mundo todo, pessoas tocando em frente a uma câmera, tentando chamar a atenção para a guerra que acontecia na Ucrânia. Ao fazer isso, nos envolvemos, conhecemos mais organizações e mais pessoas nos pediram para fazer mais coisas. Foi assim que nos envolvemos com as organizações ucranianas com as quais temos trabalhado e, eventualmente, fizemos um documentário sobre isso.
WM: Os clipes de vocês sempre foram muito repletos de conceitos visuais muito fortes. Hoje, discute-se muito sobre o uso de Inteligência Artificial dentro da música e das artes. De que forma a banda enxerga essa ferramenta?
SDA: Para ser honesta, estou realmente arrependida de termos usado IA no começo. Mas estávamos muito curiosos e era algo novo, algo que queríamos explorar. Mesmo que, no show ao vivo que temos agora, também tenhamos um pouco de IA. E, embora os vídeos que fizemos não cortassem pessoas nem nada do tipo, o que fizemos foi realmente gravar vídeos reais com a gente como banda, e depois eles foram processados por IA. Então não é como se tivéssemos excluído pessoas que normalmente trabalham conosco ou algo assim. Estávamos apenas muito interessados no que a tecnologia poderia trazer para o vídeo em si.
Embora tenha sido legal experimentar, agora estamos voltando ao jeito antigo de fazer as coisas porque vemos o quão longe ela pode chegar. Ela [a Inteligência Artificial] será usada para muitas coisas boas. Mas também me assusta muito o que mais ela pode fazer que não controlamos. Todos esses vídeos deepfake, todo tipo de coisa acontecendo agora, que me faz pensar: “Meu Deus, nunca imaginamos que isso seria possível”, mas os criadores de IA já disseram: “Pense no impensável”. E é isso que vai acontecer com a IA, e agora estou bastante assustada, para ser honesta, embora ela possa ser usada de tantas maneiras boas.
Mas precisamos de leis para isso. É sempre assim com essas tecnologias lançadas na sociedade sem termos leis. Nossos governos estão sempre atrasados, tentando regulamentar certas coisas. E isso é uma pena, porque se fizéssemos isso antecipadamente, se não permitíssemos o lançamento de nada na sociedade até que fosse testado até certo ponto, seria muito mais seguro para as pessoas. Mas fico feliz em ver que agora existem, até mesmo com relação às redes sociais, por exemplo, leis para proteger crianças em nossos países aqui na Europa, como, por exemplo, a proibição do uso de redes sociais para menores de 16 anos.
Acho isso muito bom, porque as redes sociais estão realmente contaminando suas mentes e seu desenvolvimento. Na minha opinião, fico muito feliz por crescer em uma época em que essas coisas ainda não existiam. Eu brincava na rua, com uma bola de basquete ou fazendo outras coisas de criança. Mas hoje em dia, todo mundo está no celular, são outros tempos.
Legado do Within Temptation
WM: No final da década de 90, o Within Temptation ajudou a construir as bases do Metal Sinfônico e hoje nós temos muitas bandas promissoras com vocais femininos como Seven Spires, Ad Infinitum, dentre outras. Como você se sente ao olhar para essa nova geração e ver o legado que você ajudou a construir para as mulheres no metal?
SDA: Estou muito orgulhosa do fato de ter se tornado uma cena tão grande, na verdade, com tantas cores, gostos e diversidade até mesmo dentro das bandas. E isso é realmente lindo de se ver. Se contribuirmos apenas um pouquinho para isso, é muito legal ver tantas mulheres também nessas bandas. Isso é algo de que eu estou realmente orgulhosa porque precisamos de mais mulheres em todos os lugares, na minha opinião, e precisamos de mais igualdade em todos os aspectos. Mas ainda acredito que a qualidade deve falar por si só. E isso pode vir tanto de homens quanto de mulheres, claro, mas é mais como… É legal ver que meninas pequenas se inspiram em outra garota tocando no palco. Tipo, “nossa, eu também posso fazer isso”. É como plantar sementes de forma positiva para a próxima geração.
WM: A banda sempre transitou por diversos estilos além do metal. Existe algum artista fora desse universo que vocês gostariam de colaborar ou até mesmo fazer um cover?
SDA: Existem tantas bandas de que gostamos e tantos estilos que ainda não experimentamos. Mas posso revelar uma coisa: o próximo álbum vai surpreender vocês, porque já estamos bem adiantados e não temos certeza da data exata de lançamento, mas estamos trabalhando nele no momento. Compusemos tanta música… Tem sido um período tão inspirador, de uma forma incrível. Vamos fazer algo completamente diferente de tudo que já fizemos antes. Não sei se as pessoas vão entender, mas é algo típico do gênero imitação, com tanta emoção nessas músicas. Acho que nunca tivemos um álbum tão emotivo em todas as faixas, mas de uma forma linda. É um álbum muito pesado emocionalmente. Mas de um gênero tão diferente que… Estou curiosa para saber a opinião das pessoas.
A relação do Within Temptation com o Brasil
WM: O Brasil é um país onde o Within Temptation sempre teve uma base de fãs muito apaixonada. O que torna os shows brasileiros diferentes de outros lugares do mundo?
SDA: Bem, acho que para mim, especialmente a América do Sul, e claro, também o Brasil, esse continente é tão apaixonado por música. Sinto que às vezes você fica de fora de ver todas as bandas, nem todas vão ao seu país, mas quando vão, vocês demonstram o quanto as ama. E é essa paixão que impulsiona, essa consciência intensa e a sensação de vivenciar a música da maneira que vocês vivenciam é única e é o melhor para todas as bandas que vão aí. É o maior elogio que vocês podem receber.
WM: Há alguma lembrança especial de apresentações no Brasil que tenha marcado a banda?
SDA: Lembro que tocamos uma vez, acho que foi no Rio de Janeiro. Em certo ponto, no final do nosso setlist, não nos sentimos à vontade para sair porque as pessoas estavam muito envolvidas, tipo, “ok, vamos tocar uma música X e depois outra”. Fizemos o setlist mais longo de todos os tempos e pensamos: “Podemos sair do palco agora? Sim, acho que podemos sair do palco em segurança agora”. Porque as pessoas estavam pulando do palco. Elas estavam flutuando umas sobre as outras, sendo carregadas, meu Deus! Foi tão intenso, suado, sensual…
Era como se todo mundo estivesse suando, como se minha maquiagem estivesse escorrendo do meu rosto. Estava quente e, antes mesmo de começarmos o show, as pessoas estavam do lado de fora do portão e já estavam cantando nossas músicas. Elas já tinham tocado quase todo o set que tínhamos preparado para elas do lado de fora dos portões. E nós ficamos tipo: “meu Deus”. As pessoas corriam para o palco, e como eu disse, mal ousamos sair após uma hora e meia tocando. Era tipo: “ok, vamos tocar mais uma música”. Em certo momento, a gente pensou, “agora a gente realmente precisa ir embora”.
WM: Além do show no Bangers Open Air, vocês se apresentarão em uma série de festivais durante o verão europeu. Após isso, quais serão os próximos passos da banda? Há planos para a gravação de um novo álbum?
SDA: Bem, já estamos gravando um novo álbum. Estamos trabalhando muito nisso. Mas ainda está em um estágio muito inicial. Acabamos de finalizar nossas demos e já compusemos muita música, então é muito difícil dizer o que vai entrar no álbum e o que vai ficar de fora. Acho que se tivermos 40 músicas, sem exagero, e 40 músicas realmente boas, então temos que ver o que é muito parecido e tirar o melhor proveito disso.
Mas estou muito, muito, muito ansiosa para lançar este álbum porque é algo completamente diferente. E agora é só dar cor a todas as músicas. Por exemplo, que tipo de amplificador queremos usar, que tipo de guitarra queremos… Quantos solos vamos fazer? Com quem vamos fazer colaborações? Então, analisar esse tipo de coisa é a parte mais divertida. Compor música é como pegar a cor extra, adicionar cor a todas aquelas demos para torná-las melhores e mais bonitas. Vai ser interessante ver como as pessoas vão reagir, mas até agora tudo bem. Eu acho que isso vai ser um sucesso estrondoso.
WM: Obrigada pela entrevista! Você pode deixar uma mensagem aos fãs brasileiros?
SDA: Como eu disse, nós te conhecemos pela sua paixão e pelo seu amor pela música, algo que sempre digo porque é a mais pura verdade, é único, e eu valorizo isso e espero que você também valorize. Continue assim, porque isso te torna especial e, para nós, um tesouro que sempre queremos reencontrar. Será uma alegria tocar para vocês de novo. Traga essa energia, e vamos nos divertir muito juntos. Estou ansiosa.
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