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Papa Roach. Crédito: Divulgação/Travis Shinn

Papa Roach. Crédito: Divulgação/Travis Shinn

Entrevista: Papa Roach confirma novo álbum e negocia shows no Brasil em 2027

Vocalista Jacoby Shaddix falou sobre singles lançados, legado da banda e mais

Papa Roach lançou nos últimos meses os singles “Wake Up Calling”, “Braindead” e “Even If It Kills Me”. Essas faixas fazem parte do mantra “Rise of the Roach”, que representa tanto um apelido para a banda quanto uma indicação clara do seu futuro. 

Em entrevista ao Wikimetal, o vocalista Jacoby Shaddix confirmou que as músicas farão parte do novo álbum da banda, que deverá ser lançado ainda este ano. Jacoby ainda contou novos detalhes do sucessor de Ego Trip (2023), a relevância atual da cena rock dos anos 2000 e revelou que a banda planeja vir ao Brasil em 2027. Leia na íntegra. 

Wikimetal: Nos últimos meses vocês têm lançado alguns singles. Essas músicas estarão no novo álbum do Papa Roach?

Jacoby Shaddix: Sim, com certeza!  Estamos muito orgulhosos das novas músicas que estamos criando. Estamos chegando ao fim do processo de finalização do álbum. Planejamos lançá-lo ainda este ano. E, cara, esse próximo é mais uma jornada. Eu realmente sinto que, com Ego Trip, encontramos nosso ritmo. Acho que estamos continuando de onde paramos nele, só que indo ainda mais fundo.

WM: O que mais você pode nos contar sobre esse novo álbum?

JS: Diria que existem quatro tipos de caminhos onde tentamos criar música. Um deles é aquele bem pesado, com riffs grandes e som grandioso de  rock e metal, como “Even If It Kills Me” ou “Kill The Noise. Também entram nessa linha músicas como “Getting Away With Murder”, algo assim. Depois existe aquele elemento derap metal em músicas como “Killing Time” e “Last Resort”. São canções que se encaixam nesse espaço.Também há o lado emotivo e emocional do Papa Roach em músicas como “Scars” ou “Help”. E outras que se encaixam nessa linha, como “Wake Up Calling”.

E existe ainda um outro caminho, que é o Papa Roach mais experimental, com faixas como “Leave A Light On” e “Periscope”.Tentamos criar músicas que funcionem assim. Quando você está criando algo para se trabalhar, é como uma família. Essas músicas são como primas umas das outras. Nós só tentamos fazer com que pareça uma playlist. Mas tudo se encaixa junto de uma forma interessante. E sinto que as peças desse quebra-cabeça estão se juntando perfeitamente.

WM: “BRAINDEAD” é descrita como “um chamado para acordar antes que seja tarde demais”. Para o que exatamente nós, como sociedade, precisamos despertar hoje em dia?

JS: Acho que é uma revolução pessoal para as pessoas. Se todos tentarmos nos tornar a mesma coisa e ter as mesmas ideias sobre a vida, isso não tem graça. Não é empolgante. Eu acho que as diferenças entre as pessoas são importantes. Pois a maneira como encontramos formas de lidar com elas é o que nos faz evoluir e nos tornar melhores. Então, para mim, é algo pessoal. É uma jornada pessoal.

A forma como eu acredito que posso mudar o mundo é mudando a mim mesmo e refletindo isso de volta para ele. Agora está tudo meio caótico. Mas, se cada um de nós assumir responsabilidade e responder por si mesmo, o mundo seria um lugar melhor. Há muita gente apontando o dedo, dizendo: “você é o problema”, “você é o problema”. Nunca achei que isso fosse produtivo. Na verdade, acho que é o contrário, é contraprodutivo. Então eu realmente comecei a me olhar no espelho e pensar em coisas que preciso mudar em mim mesmo. E é aí que tudo começa. Para mim, isso tem sido uma evolução espiritual, sem dúvida.

WM: “Wake Up Calling” explora temas como conexão e dependência emocional. Você enxerga essa faixa como uma sucessora de músicas como “Scars” e “Leave A Light On”?

JS: Com certeza. Como eu estava explicando antes, gostamos que as músicas pareçam relacionadas umas com as outras de certa forma, estilisticamente e musicalmente. Assim existe uma identidade no que fazemos.Nossa identidade está sempre mudando, mas sinto que, neste ponto da nossa carreira, realmente consolidamos quem somos, do que se trata a nossa música e de onde viemos criativamente. Cara, acho que “Wake Up Calling” é uma música especial. Tenho muito orgulho dela, e ela é muito emotiva.

Quando estávamos escrevendo, eu simplesmente senti que era especial. E eu sei que, quando escrevo algo e me sinto desconfortável com o conteúdo da letra, e com o que ela me faz sentir da vulnerabilidade que há ali, é porque tem algo importante. Na verdade, eu preferiria não compartilhar muitos desses sentimentos sobre mim mesmo com o mundo. Mas quando faço isso acabo me conectando com as pessoas de uma forma importante e significativa. Sou muito grato por ter a música como o veículo que me conecta com as pessoas.

WM: O que motivou a banda a lançar uma versão reimaginada de “Even If It Kills Me”? 

JS: Senti que isso era importante para aquela música. Mostrar esses dois lados da criatividade da nossa banda. Como você pode pegar uma música pesada, onde eu estou gritando e que praticamente dá um soco na sua cara, e depois revelar um outro lado dela. Porque a música, a letra, é muito emocional. Então a pergunta era: como acessamos isso sonoramente e musicalmente? Foi aí que chegamos e viramos a música de cabeça para baixo, lançando uma versão alternativa dela. Eu realmente acho que essa versão chega direto ao coração da música. 

WM: A cena do rock nos anos 2000 está mais relevante do que nunca, bandas como vocês, Korn, Deftones e Linkin Park estão enchendo estádios e arenas ao redor do mundo. Como a banda se sente com isso, especialmente com novos fãs descobrindo as músicas de vocês por meio das redes sociais?

JS: Simplesmente me sinto muito grato por isso. Acho incrível poder falar com uma nova geração de fãs de rock. Sabe, em 2012 todo mundo dizia para a gente desligar as guitarras e removê-las das músicas. Diziam que o rock estava morto. Tinham pessoas de dentro das bandas dizendo isso. E eu pensava: “não, ele não morreu”. A cultura pop pode não estar prestando atenção nele, mas sabe de uma coisa? O rock está vivendo um ressurgimento e está mais forte do que nunca.

Sou muito grato por fazer parte dessa onda junto com parceiros de época meus como Limp Bizkit, Korn, Deftones e Linkin Park. Chester Bennington, que Deus o abençoe. Sentimos muito a sua falta. Você sempre fará falta. Mas sou muito grato por poder celebrar aquela era da música e ver esses fãs mais jovens descobrindo nossa banda talvez pela primeira vez agora. E eles estão indo aos shows. A energia é simplesmente especial.

WM: Muitos fãs compartilham histórias de superação ouvindo músicas de vocês. Como a banda lida com a responsabilidade de ser a “trilha sonora da salvação” para tantas pessoas?

JS: Acho que é como viver plenamente o propósito que Deus destinou para a minha vida. Trazer algo que seja cheio de esperança. Algo que ajude a fortalecer alguém. E que inspire alguém a buscar a melhor versão de si mesmo. No começo, não era bem isso que eu tinha em mente. Mas, à medida que evoluí como ser humano, homem, artista, pai, marido e amigo, percebi que essa é a marca que quero deixar. Ser alguém que trouxe luz e esperança para o mundo. Já existe escuridão suficiente por aí. E eu simplesmente não quero fazer parte disso.

WM: O Infest completou 25 anos de lançamento no ano passado. Em qual momento você notou que a banda criou um álbum que se tornou um marco geracional? 

JS: Acho que foi por volta de 2010 que eu realmente percebi a grandiosidade de algo épico que encontramos logo no início da nossa carreira. O álbum continuava vendendo, sendo ouvido em streaming e  conectando uma nova geração de fãs. E isso é algo que, como banda, você não poderia pedir mais. Criar um trabalho que seja atemporal, relevante e importante liricamente. Eu ainda volto nele e penso: “cara, é um dos meus favoritos em relação às letras”. Ele abordou muitas coisas diferentes. Foi pessoal, teve luta, teve momentos de fragilidade, de busca. Eu estava passando por uma jornada espiritual intensa.  Ele abordou tantas coisas diferentes. Foi pessoal, teve luta, momentos de fragilidade e de busca. Eu estava passando por uma jornada espiritual intensa. O álbum ainda tinha um elemento sociopolítico. Sinto que foi uma caminhada incrível. Fico muito feliz que ainda hoje as pessoas seguem se conectando com ele.

WM: O que a frase “Rise of The Roach” significa?

JS: Gosto de criar. Entendo o poder disso. O que você diz cria o mundo em que você vive. Cria a percepção que as pessoas têm de você e cria também a sua própria autoimagem. Já fui vítima do meu próprio diálogo interno negativo.Acho que é importante falar para o mundo aquilo que você quer, aquilo que você quer ver e aquilo que você quer viver. Eu quero viver a ascensão do Roach. Quero experimentar isso, sabe? Da mesma como fizemos com Infest. Nosso objetivo era infestar o mundo com a nossa música. As palavras são muito poderosas. Quero viver essa experiência: a ascensão do Roach. É disso que eu sou feito.

WM: Esse ano vocês farão uma série de shows, incluindo datas na América do Norte,  festivais de verão europeus e uma turnê como headliner pelo Reino Unido e Irlanda.  No entanto, em dezembro completará 10 anos da última vinda de vocês ao Brasil. Há planos para um retorno logo?

JS:  Com certeza. Em 2027. Estamos conversando ativamente com produtores no Brasil e na América do Sul. Estamos realmente muito determinados em voltar aí Sabemos que temos muitos fãs incríveis e apaixonados que querem ouvir nossa música ao vivo. Então, sim, esse dia vai chegar. 2026 será um grande ano para nós na Europa. Fizemos shows na América no ano passado, então estamos rodando o mundo ano após ano. Estamos vendo o próximo passo. Então, 2027 será o ano em que iremos ao Brasil.

WM: Jacoby, para encerrarmos, você poderia deixar um recado para os fãs do Papa Roach aqui no Brasil?

JS: Ah, vocês sabem, eu amo vocês. Sinto saudade. Desculpe por ter demorado tanto. Sou muito grato. Isso não passa despercebido por nós. Sempre vemos as mensagens de vocês. Sabemos o quanto vocês escutam e são apaixonados por nossa música. Então estamos ansiosos para vê-los em 2027.

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