Após oito anos longe do país, os alemães do Kadavar retornam ao Brasil com show único em São Paulo, dia 21 de março, no Carioca Club. Os ingressos estão à venda por meio do site Clube do Ingresso.
Formada em 2010, em Berlim, a banda se consolidou como um dos maiores nomes do chamado “vintage rock”, revitalizando a sonoridade pesada e psicodélica dos anos 1970. Com discos como Kadavar (2012), Abra Kadavar (2013) e Berlin (2015), o grupo construiu uma reputação sólida no circuito internacional por meio de extensas turnês e apresentações intensas.
Agora estabelecida como quarteto, a banda vive uma fase de reafirmação artística com o lançamento de K.A.D.A.V.A.R. (Kids Abandoning Destiny Among Vanity and Ruin), trabalho que marca um retorno às raízes sonoras após um período de experimentações.
Em entrevista ao Wikimetal, o guitarrista Jascha Kreft e o baixista Simon Bouteloup falaram sobre a evolução da banda, o novo álbum e o reencontro com o público do Brasil. Leia na íntegra.
Wikimetal: O Kadavar passou por várias transformações nos últimos anos. Como vocês definiriam a fase atual da banda?
Jascha Kreft: Provavelmente estamos em um momento de transição novamente. Quer dizer, nós… Acabamos de passar por um interessante processo experimental no ano passado, lançando dois álbuns muito diferentes, mas que, no fim das contas, se complementam. E sim, já estou animado para onde vamos a seguir, e acho que isso é um bom sinal para uma banda que lançou mais de oito álbuns. Acho que chegamos a um ponto em que não vamos simplesmente lançar outro álbum qualquer. Ou pelo menos temos a sensação de que podemos fazer isso.
WM: O novo álbum K.A.D.A.V.A.R. representa uma reconexão com as raízes sonoras do grupo. O que motivou essa decisão?
Simon Bouteloup: Também o formato, a maneira como gravamos desta vez… Foi mais na direção de como costumávamos gravar álbuns. Christoph Tiger [baterista do Kadavar] estava no comando, fazendo sua produção, e tudo aconteceu muito rápido. E acho que é isso que conecta o álbum aos anteriores, talvez, a forma como foi feito. A própria motivação, provavelmente. Tínhamos várias músicas que queríamos gravar e começamos por aí. Não havia espaço suficiente no álbum anterior. Então, continuamos gravando.
WM: Esse disco foi lançado poucos meses depois de I Just Want To Be A Sound. Como foi o processo criativo de produzir dois trabalhos em um intervalo tão curto?
JK: Sim, acabamos de terminar I Just Want To Be A Sound e estávamos prestes a lançá-lo, acho que em março, abril, continuamos trabalhando e tivemos a coragem de pensar: “Ei, vamos continuar gravando e compondo”. Quer dizer, temos nosso próprio estúdio onde podemos fazer isso, então não dependemos de estúdios. Não precisamos agendar uma sessão em um estúdio ou algo assim para fazer isso. Então, isso é uma vantagem. E quando o álbum [K.A.D.A.V.A.R] estava cada vez mais perto de se tornar realidade, conversamos com nossa gravadora e eles também gostaram da ideia de simplesmente fazê-lo.
Tivemos a ideia de lançar o álbum ou levá-lo para nossa turnê europeia. Isso foi em novembro, então… E finalizamos em julho e o levamos conosco em outubro. Não foi algo planejado e foi muito emocionante e gratificante. E acho que o público também adorou levar para casa algo que não podiam ouvir em serviços de streaming, mas poder levar para casa um vinil exclusivo por tantas semanas antes do lançamento oficial foi ótimo.
WM: Em um cenário em que a música hoje circula majoritariamente no streaming, estamos assistindo a uma valorização dos formatos físicos. Qual a importância deste formato para vocês como artistas e também como ouvintes?
JK: É incrível. Comprei meu primeiro disco quando tinha uns 15 anos e depois comprei alguns ocasionalmente nos últimos 20 anos, e no ano passado comecei a colecionar ou comprar vinis novamente. E quando estamos em turnê, a primeira coisa que procuro é a loja de discos mais próxima de onde estamos no momento. E agora, quando passeio com meu cachorro nos fins de semana, também sempre dou uma olhada em feiras de antiguidades para comprar discos. Então, definitivamente preciso comprar uma nova estante de discos. Eu estou realmente apaixonado por discos de vinil novamente.
Os shows na América Latina
WM: Em outra entrevista a banda comentou que o público em alguns países, como a Noruega, costuma ser mais reservado, enquanto na América Latina as pessoas expressam mais a emoção durante o show. Que lembranças vocês guardam das visitas anteriores ao Brasil?
SB: Sim, tocamos em diferentes tipos de lugares. Também tocamos em Florianópolis, em um clube bem pequeno e meio afastado. As pessoas apareceram mesmo sabendo que era complicado, e mesmo assim vieram, apesar de não ser um clube propriamente dito. Mas todo mundo faz essa abstração porque se dedica à música. E isso é algo precioso que você não encontra necessariamente por aqui. É algo com que as pessoas estão muito mais acostumadas. A gente vai a um lugar, vai a outro, e pode ser que o público esteja um pouco indiferente. Há também a dedicação da juventude. Vocês têm uma cultura rock jovem muito forte, que não é tão proeminente aqui na Europa. Isso traz muita energia para o show.
WM: Para uma banda como o Kadavar, cuja música tem muito groove e psicodelia, o quanto a resposta física do público — dançando ou se movimentando — influencia a atmosfera do show?
JK: É tudo, se você recebe esse apoio. Parte de todo o conceito é uma banda tocando para um público e ambos interagindo. É a melhor coisa disso.
WM: Sabendo que os fãs brasileiros costumam ser bastante apaixonados, vocês pretendem preparar algo especial para essa apresentação em São Paulo?
JK: Sim, nós montamos um setlist muito, muito bom, na minha opinião, com todas as diferentes fases da banda, para agradar a todos e tocar as músicas que eles esperam de um show do Kadavar. Também incluímos algumas músicas novas e até trabalhamos em um formato mais esférico para combinar todas essas músicas.
WM: A Alemanha é famosa por lançar muitas bandas de rock e metal. Você consegue me falar seu top 5 bandas alemãs?
JK: Pessoalmente, eu curto mais Krautrock e acho que o resto também. Quer dizer, obviamente também algumas coisas de metal. Eu prefiro falar sobre bandas ótimas de Krautrock como Can.
SB: Na verdade, eu também sou francês, então… Eu não estou muito acostumado com a cena alemã. Eu não cresci com isso.
WK: Você pode citar suas bandas francesas favoritas.
SB: Top cinco. Eu tenho que citar cinco. Tem uma banda muito boa do sul da França agora. Chama-se Slift. Eu sei que talvez eles tenham vindo para a América do Sul. Não tenho certeza se eles já foram para a América do Norte, pelo menos. E aí você tem essa banda de metal… Ou tipo uma banda de proto-metal dos anos 80 chamada Trust. Essa música, “Antisocial”, talvez você conheça. Tem artistas como… Serge Gainsbourg também foi uma grande influência. É, ou parar em três. É uma ótima seleção.
WK: Pode deixar uma mensagem aos fãs?
JK: Estamos muito ansiosos para tocar para vocês.
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