Texto por Marcelo Gomes

A chamada de Hell On Earth Tour reuniu o Discharge, Midnight e Havok numa turnê que devastou a América Latina e teve seu encerramento na cidade de São Paulo. Os diferentes estilos reuniram fãs que iam do punk ao thrash numa noite para lá de especial que ainda contou com os brasileiros do Manger Cadavre. 

O Manger Cadavre foi encarregado de abrir a noite. O quarteto de São José dos Campos (SP) subiu ao palco do Carioca Club para apresentar seu death metal ao público paulistano. Liderados pela vocalista Nata Nachthexen, apresentaram músicas do seu mais recente trabalho, Imperialismo (2023).

O público ainda chegava, mas puderam presenciar um show consistente na qual Nata com seus guturais absurdos impressionou os presentes. Deixando claro, que a banda desponta como mais um grande nome do metal brasileiro.

O Havok subiu ao palco transbordando a essência do thrash metal em cada acorde. O show foi simplesmente alucinante, com um setlist repleto de pedradas como “Point Of No Return”, “Fear Campaign” e “Hang ´Em High”, logo no início, a banda ganhou o reconhecimento merecido, isto é, muitas rodas.

David Sanchez (vocalista/guitarrista) demonstrava a felicidade de voltar ao Brasil depois de 6 anos com muitos riffs. A sequência com “Prepare For Attack”, “D.I.A.I” e “D.O.A” manteve a agressividade com uma precisão cirúrgica, demonstrando a habilidade técnica e coesão da banda. 

A versatilidade da banda ficou evidente em “From The Cradle To The Grave” e “Give Me Liberty .. Or Give Me Death” com riffs na velocidade da luz, mudanças de dinâmicas e solos impressionantes do guitarrista Reece Scruggs que deixaram o público sem fôlego.

Encerraram com “Time IS Up”, já considerada um clássico da banda. Nessa noite memorável, o Havok reafirmou seu nome como um dos grandes expoentes do thrash metal contemporâneo. 

Midnight, o trio de Ohio veio a seguir. Com uma sonoridade que mistura speed, black metal e até punk, o Midnight surgiu no palco com um visual sombrio, usando máscaras pretas e roupas de couro. Carregada de intensidade, a performance eletrizante incendiou o público o início ao fim.

Abriram com “Black Rock N´Roll”, seguida por “Lust Filthy And Sleaze” e “Endless Slut”. O set pesado comandado pelo Athenar (vocalista/baixista) fez o público agitar a cada música executada. 

“Satanic Royalty”, “Violence On Violence”, “All Hail Hell” e “Who Gives A Fuck?” foram mais algumas músicas que foram tocadas e o que deu para perceber que não era só os fãs que estavam curtindo, os integrantes da banda iam de um lado para o outro, agitavam sem parar para entregar o melhor show possível.

Na plateia, a resposta era calorosa e em vários momentos foram ovacionados. Se despediram com “Unholy And Rotten”, deixando todos extasiados e exaustos. Minha dúvida era se os presentes ainda teriam fôlego para a atração principal da noite. 

Então era chegada a hora do Discharge para não deixar pedra sobre pedra. A banda veterana do punk/hardcore britânico, referência do D-Beat e uma das mais queridas até mesmo dentro do metal, chegou para instaurar de vez o inferno sobre a terra. 

A apresentação começou com uma trinca de tirar o fôlego com “The Blood Runs Red”, “Fightback” e o hino “Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing”. A intensidade da performance é absurda, fazendo pegar fogo as rodas no meio do Carioca Club.

Tudo a ver com o momento, “The Nightmare Continues” dá sequência à devastação promovida pelos britânicos. Então, o guitarrista Terry Tezz Roberts vai ao microfone para falar que está em seu lugar favorito no mundo e dedica “A Look At Tomorrow” aos brasileiros do Ratos de Porão. 

Os veteranos com mais de 45 anos de estrada mostram que não perderam o gás ao longo de 22 músicas. Clássicos como “Protest And Survive”, State Violence/ State Control”, “You Deserve Me”, entre outras, fizeram parte dessa noite memorável.

Com clima de total celebração, o Discharge convidou o Havok e Midnight para participarem de “Decontrol” e encerrar com chave de ouro essa noite memorável. Foram 4 grandes shows que levaram o público ao limite, tamanha a intensidade de cada apresentação. Mais um daqueles dias que ficarão na memória.

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