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'10000 Days', do Tool. Crédito: Reprodução/YouTube

20 anos de “10,000 Days”: O labirinto sonoro e emocional que consolidou o TOOL

Relembramos a complexidade técnica e a carga emocional de Maynard James Keenan no álbum de 2006

No dia 02 de maio de 2006, TOOL lançou na América do Norte seu quarto álbum de estúdio, 10,000 Days. Com a missão de ter um substituto à altura para Lateralus (2001), a banda norte-americana ousou ainda mais e compôs o trabalho mais complexo e emocional de sua carreira.

Com músicas cheias de nuances e de longa duração, o quarteto formado por Maynard James Keenan, Adam Jones, Justin Chancellor e Danny Carey provou que o metal progressivo poderia dominar as paradas musicais sem abrir mão de seu lado místico e enigmático. Ao unir compassos irregulares a uma temática lírica inédita focada principalmente no luto, o álbum desafiou a indústria fonográfica e se consolidou como um sucesso de vendas.

Capa venceu Grammy de “Melhor Projeto Gráfico” em 2007

Jones, que além de guitarrista é designer gráfico, trabalhou novamente em parceria com o visionário artista norte-americano Alex Grey para criar a arte do disco. A embalagem original em CD se destaca por sua imersão e traz óculos 3D embutidos no encarte, feitos para a visualização de uma série de imagens em seu interior. Com as lentes, a capa ganha uma sensação de profundidade surreal, o que rendeu à banda o Grammy de “Melhor Projeto Gráfico” em 2007.

Musicalmente, o disco soa como se estivéssemos prestes a resolver um complexo cálculo matemático usando integrais e derivadas. Nele, o baterista Danny Carey elevou o conceito de polirritmia a outro patamar; usando pads eletrônicos e percussões, ele criou camadas rítmicas que parecem impossíveis para apenas um ser humano executar. Faixas como “Rosetta Stoned” e “Jambi” tornaram-se objetos de estudo para músicos, consolidando Carey como um principais nomes de seu estilo.

No entanto, esses elementos ganham ainda mais corpo com as linhas criadas por Jones e Chancellor. Na guitarra, Jones explorou timbres mais crus e experimentais, como o uso do talk box no solo de “Jambi”, cuja sensação é a de que ele está “falando” através das cordas. Já o baixo de Chancellor se destaca por seu timbre metálico e uso agressivo de efeitos eletrônicos, que guiam a audição em momentos hipnóticos como “The Pot” e na faixa-título.

Disco possui “música” secreta, segundo fãs do TOOL

Mantendo sua natureza enigmática, o TOOL escondeu um dos easter eggs mais curiosos do metal dentro do disco. Fãs descobriram que, ao sincronizar as faixas “Viginti Tres” e “Wings for Marie (Pt 1)” e tocá-las simultaneamente sobre a música “10,000 Days (Wings Pt 2)”, as três se encaixam perfeitamente, criando uma nova composição, o que reforça a tese de que não existem pontas soltas na discografia do grupo.

Apesar de toda a complexidade técnica, o título do álbum carrega uma das camadas mais densas da obra. Por anos, a explicação mais difundida entre os fãs é a de que o número faz referência aos cerca de 27 anos em que Judith Marie, mãe de Maynard, viveu paralisada após sofrer um aneurisma. Seriam exatamente 10.000 dias de provação até o seu falecimento, tema central das faixas “Wings for Marie” e “10,000 Days”. Mas, segundo o vocalista, o título também possui relação com o Retorno de Saturno — que dura aproximadamente 10.759 dias (quase 29 anos), tempo que o planeta leva para completar sua órbita.

Com um impacto profundo, 10,000 Days se tornou o último registro do TOOL por mais de uma década. Em meio ao perfeccionismo, questões legais e projetos paralelos dos integrantes, seu sucessor, Fear Inoculum, foi lançado apenas em 2019, fazendo com que o disco se tornasse cult, sendo revisitado incansavelmente por quem ainda deseja decifrar cada um dos segredos contidos nele. Duas décadas depois, o álbum segue como uma representação de que o metal pode ser, ao mesmo tempo, uma ciência exata e um desabafo doloroso.

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