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Dave, Michael, Eddie Trunk… Ninguém concorda com ninguém. E, até o presente momento, a banda não soltou uma nota oficial. Como sempre, tudo que envolve o futuro do Van Halen gera mais dúvidas do que certezas.”

Por Eduardo Simões

Em recente entrevista para a revista Vogue para divulgar uma linha de produtos para tatuagem David Lee Roth, o vocalista do Van Halen insinuou que a banda deve retornar no verão de 2019, citando um show no Yankee Stadium, em Nova Iorque, que teria participação de nomes como Metallica, Guns N’Roses e Foo Fighters.

Como surgiram diversos boatos no ano de 2018, várias especulações começaram. A primeira hipótese que anda sendo ventilada é que o Van Halen faria uma longa turnê com a formação atual, com David Lee Roth e os três Van Halens Eddie, Alex e Wolfgang, respectivamente na guitarra, bateria e baixo.

Há, entretanto, quem sustente que a banda vá retornar com a formação original, ou seja, com o baixista Michael Anthony no lugar Wolfgang Van Halen. Alguns vão mais longe: como Wolfgang lançará um disco solo nesse ano, montaria uma banda para fazer a abertura dos shows (leia mais aqui sobre essa possibilidade)

Há, entretanto, quem afirme que Dave não está mais na banda, e que Wolfgang sairia em turnê para divulgar o seu disco solo com ninguém menos que Eddie e Alex, deixando o Van Halen em hiato por tempo indeterminado.

Todas as hipóteses possuem defensores de peso – a turnê com a formação original, por exemplo, foi citada pelo radialista Eddie Trunk, que não costuma errar nessas previsões. Mesmo após Michael Anthony ter dito que não tem mais contato com a banda, o que, de acordo com Eddie Trunk, faria parte do “pacote” de ser discreto até o momento da divulgação oficial.

Dave, Michael, Eddie Trunk… Ninguém concorda com ninguém. E, até o presente momento, a banda não soltou uma nota oficial. Como sempre, tudo que envolve o futuro do Van Halen gera mais dúvidas do que certezas. Já que o seu presente e futuro permanecem nebulosos, trazemos 10 curiosidades sobre o passado da banda.

1. “Jump”

Após a bem-sucedida turnê do álbum Diver Down, o Van Halen era uma das maiores bandas do mundo e todos tinham opiniões muito bem definidas sobre o que a banda deveria fazer no próximo disco. Todas completamente diferentes.

O guitarrista Eddie Van Halen estava incomodado com a grande quantidade de covers no último disco. Queria fazer um disco somente com músicas próprias e que fosse, musicalmente, o mais variado possível. Mas a ideia de “Jump” nao foi bem recebida.

Eddie contou à Revista Guitar World que Dave sempre foi eclético e adorava black music e vários outros estilos, mas achava Eddie tocar teclados desperdiçar uma das mais poderosas armas da banda. Repetia constantemente que “um herói da guitarra não deveria estar tocando teclados”.

Eddie Van Halen é um gênio e um dos melhores guitarristas do mundo. E teimoso! Bate o pé para que a música fosse incluída no disco MCMLXXXIV, ou simplesmente 1984 e lançada como single. O resultado: 1984 vendeu milhões e é considerado um dos melhores discos de hard rock de todos os tempos.

“Jump” é um dos singles mais bem-sucedidos da história, e ficou um bom tempo no primeiro lugar nos EUA – #1 da US Billboard Hot 100.

2. “Panama” e “Drop Dead Legs”

Ainda em 1983, havia enorme pressão de empresários e gravadora para que o guitarrista Eddie Van Halen compusesse algumas canções de rock bem diretas. A pressão aumentou depois que Eddie mostrou “Jump”. Em algumas reuniões chegaram a insistir que Eddie fizesse riffs que lembrassem Back in Black do AC/DC, que havia vendido vários milhões poucos anos antes.

O guitarrista contou à revista Guitar World que a sua primeira tentativa de copiar algo na linha de AC/DC foi a música “Panama”, que, ele mesmo reconhece, não soa como a banda australiana. Na minha humilde opinião lembra mais com “Unchained”, do próprio Van Halen.

Seja como for, era uma música excelente e focada na guitarra. Mas ainda assim, Edward Lodewijk Van Halen, ou simplesmente Eddie Van Halen, continuava sendo cobrado para fazer uma música que lembrasse AC/DC.

A segunda tentativa foi “Drop Dead Legs” que, de acordo com a gravadora, não parecia com AC/DC. Eddie encerrou o assunto explicando que o riff principal tinha a mesma progressão harmônica de “Back in Black”. Era a sua “versão de Back in Black”, ou, nas suas palavras, “o seu jeito de tocar aquela música”, um pouco mais devagar e com mais notas. Ninguém mais o incomodou.

3. Clipes

Na sua autobiografia, David Lee Roth fala que o clipe de “Jump” foi praticamente dirigido pela própria banda. A ideia seria capturar a energia e descontração da banda ao vivo. Ligaram algumas câmeras e pronto.

Já no clipe seguinte de “Panama”, o Mighty Van Halen, como era chamado na época, estava ainda mais em evidência. “Jump” concorria com os hits de thriller do Michael Jackson. E havia uma pressão para fazer outro clipe sensacional. O boato interno é que gastaram mais dinheiro com pizza para a equipe que participou da filmagem do clipe de “Panama” do que com o clipe de “Jump” inteiro.

4. “I’ll Wait” e “Right Now”

Durante a produção do disco 1984, Eddie apresentou outras músicas com foco no teclado. “I’ll Wait”, recebeu uma resistência ainda maior que “Jump”.

Dave e a gravadora deixaram claro que não queriam músicas com teclados no Van Halen. O guitarrista bateu o pé e “Jump” e “I’ll Wait” entraram no disco. Mas havia uma terceira música de teclado.

A linha melódica de “Right Now” foi criada por Eddie em torno de 1983, antes mesmo de “Jump”. Nos anos 80 Eddie disse às revistas Circus e Hit Parede que tinha centenas de música que Dave havia recusado por não terem espaço para os seus gritinhos e que muitas seriam usadas pela banda com o novo vocalista, Sammy Haggar.

Dave alega na sua autobiografia que chegou a trabalhar no sucessor de 1984 com a banda. Mas aconteceu o rompimento e eles já tinham meio disco para continuar a trabalhar. Ele teria precisado começar do zero.

No começo dos anos 90 Eddie tocava “Right Now” no piano quando Sammy Hagar achou que deveria colocar uma letra naquela melodia. O vocalista conta que percebeu imediatamente que poderiam fazer algo com aquela melodia.

A música apareceu no disco For Unlawful Carnal Knowledge, de 1991. Sammy cometa na sua autobiografia que apesar de ser um grande fã da música, não havia gostado da ideia do clipe, mas lista todos os prêmios recebidos pelo clipe e reconhece o erro.

5. “Top Of The World”

A música “Top of the World”, do disco For Unlawful Carnal Knowledge, de 1991, começa com o riff de guitarra que é tocado no final de “Jump”.

6. Solos de guitarra

Eddie Van Halen considera solos de guitarra “uma canção dentro da canção. Desde o início, é a forma que escrevo as coisas. Começo com uma introdução ou um tema e estabeleço o tom, então depois do solo há uma quebra. Isso está lá em praticamente todas as minhas músicas. Ou então retorno para a introdução”.

7. “316”

Quando a sua esposa Valerie Anne Bertinelli, gravida de 8 meses, reclamava que o filho estava chutando muito, Eddie Van Halen tocava uma melodia de violão para acalmá-lo.

A melodia, que já era tocava pelo guitarrista no seu solo de guitarra nos shows do Van Halen, foi gravada no disco seguinte, recebendo o título de “316”, uma homenagem à data de aniversário do filho (Wolfgang nasceu no dia 16 de março, mas nos EUA colocam o mês antes do dia). O filho é hoje o baixista da banda Van Halen. Ou vai abrir a próxima turnê.

8. Franksteins

Eddie Van Halen sempre gostou de mexer no seu equipamento. A sua famosa guitarra vermelha com listras pretas e brancas ganhou o apelido de “Frankenstein” ou “FrankenStrat”. Da mesma forma, todos os pedais eram mexidos, sempre tentando melhorar a qualidade do som.

Hoje é possível comprar uma réplica da Frankstrat feita pela Fender em parceria com a empresa EVH, de propriedade do guitarrista. Eddie também mantém uma linha de guitarras Wolfgang, amplificadores 5150, pedais, correias, palhetas, cabos, adesivos, camisas, bermudas, etc. A maioria com a temática das listras, chamada pela marca de “stripped”.

Entre os músicos que usam o equipamento EVH: Scott Ian (Anthrax), Christian Martucci (Stone Sour), Andreas Kisser (Sepultura), Phil Collen (Def Leppard), Craig Locicero (Dress the Dead), Joe Duplantier (Gojira), Eric Peterson (Testament) e mais.

9. Pedindo uma guitarra emprestada

Um dia Eddie cortou uma parte do corpo de uma Charvel com corpo Star, para transformá-la em uma Flying V. Só que quando começou a usa-la no estúdio para gravar o disco seguinte percebeu que o som havia sido mais afetado do que o esperado.

Mas um amigo tinha uma Charvel Star idêntica à sua antes da “reforma”. O resultado: Eddie Van Halen gravou parte do disco com a guitarra desse amigo, Chris Holmes, que na época tocava em uma banda que começava a fazer sucesso no circuito de shows da Califórnia, o WASP.

Sempre achei que fosse uma lenda urbana. Eddie Van Halen pedindo uma guitarra emprestada? Mas Chris Holmes confirmou a história na Guitar World de agosto de 2017.

10. A Different Kind of Truth

Quando começaram a pensar em um álbum com o vocalista David Lee Roth, em 2010, o Van Halen resgatou várias músicas compostas nos anos 70. Uma das músicas que a banda queria “ressuscitar” era “She’s The Woman”. Só que seguindo a lógica “Frankenstein”, o guitarrista Eddie Van Halen já havia usado partes daquela música em outras composições.

A base original do solo de “She’s The Woman”, por exemplo, havia sido usada em “Mean Street”, do disco Fair Warning. O baixista Wolfgang Van Halen solucionou o impasse compondo novas partes para substituir as já usadas.

A música “Tattoo” é uma nova roupagem de “Down in Flames”, outra dos primórdios da banda, com nova letra. As versões originais das músicas estão disponíveis na internet com o sugestivo nome de “Van Halen 0”, ou seja, as composições que precederam o disco “Van Halen I”. A Different Kind of Truth saiu em 07 de fevereiro de 2012.

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