Entrevista por: Nando Machado

O grupo está divulgando o disco Phantom Amour, lançado ano passado

Os americanos do Toothgringer estão na estrada desde 2010 mas foi apenas quando a Spinefarm, casa de grandes artistas como Bullet For My Valentine, Ghost e Godsmack, assinou com eles que a carreira dos caras se transformou.

Vindos de New Jersey, Justin Matthews (vocal), Jason Goss (guitarra), Matt Arensdorf (baixo e backing vocal), Wills Weller (bateria) e Johnuel Hasney (guitarra e backing vocal) se uniram quando ainda frequentavam o ensino médio e sonhavam com o mesmo objetivo: ter uma banda e viver de música. Mas o que nenhum deles esperava é que o terceiro EP da carreira, Schizophrenic Jubilee (2014), fosse o pontapé inicial que os permitiria passar por grandes experiências como sair em turnê com Trivium e seus colegas de selo, Bullet For My Valentine.

E, com certeza, eles não imaginavam que iriam levar mil pessoas ao lotado Irving Plaza, famosa casa de show em Nova York, enquanto dividiam o palco com os galeses do BFMV. “É incrível! Ver nosso nome em um lugar desse perto de uma placa ‘esgotado’ é o melhor sentimento”, disse Matthews em uma entrevista exclusiva ao Wikimetal.

“Estamos sempre aprendendo coisas novas e nesta turnê eu aprendi tanta coisa diferente que iremos usar no futuro”, disse Weller ao contar um pouco sobre estar na estrada com os veteranos do Trivium e do BFMV, “O importante é sempre manter sua mente aberta para aprender coisas novas, pois tem sempre espaço para melhoria e estar com eles em turnê está sendo um ótimo aprendizado.”

Fazendo parte de uma nova geração de músicos, eles lidam com situações que nas décadas de 1970 e 1980 faziam parte apenas dos filmes de ficção científica. “Hoje qualquer um pode fazer uma música e divulgá-la na internet, porque você pode fazer tudo sem sair do seu quarto e isso é ótimo, mas não era possível fazer isso em 1974. E então surge a questão: Qual é o jeito certo de fazer as coisas e qual é o jeito errado, sabe? Há tantos jeitos de fazer música hoje, o que é bom e assustador ao mesmo tempo”, conta Weller.

Matthews enxerga a vida na música durante a era digital um tanto invasiva: “Nossa vida está exposta não apenas quando estamos no palco, mas também quando estamos fora, por causa das redes sociais e tudo mais. Hoje você estar em uma banda significa que todo mundo sabe tudo sobre você, todos os detalhes da sua vida”, porém ele carrega uma visão otimista sobre o futuro, “Eu acho que agora a tendência será dos adolescentes irem sentido contrário a isso. Pelo o que estou vendo, a geração atual viu o que a internet e a tecnologia fizeram com a geração passada e está tentando fugir disso. E eu espero que isso aconteça, sabe, porque assim o mundo da música e da arte em geral voltará a ter aquele mistério que tinha. E voltará a ter o mesmo valor.”

Ser artista hoje em dia pode ter suas dificuldades quanto a privacidade, mas eles não negam que a tecnologia os ajudou a formar a base de fãs que têm hoje, “Nós fizemos alguns festivais como Welcome to Rockville, Carolina Rebellion e Rock On The Range com o Tool! É uma loucura”. A turnê faz parte da divulgação do disco Phantom Amour, lançado em outubro de 2017.

O disco é o segundo da carreira do Toothgrinder e eles contam que o processo criativo continua o mesmo, “Justin escreve as letras e eu a melodia”, diz Weller, “Me sinto inspirado pelos mais diversos motivos. Isso vai soar loucura, mas outro dia rolou uma tempestade e o som do trovão me inspirou. Sei que é algo estranho, mas a inspiração funciona assim, você pode consegui-la em qualquer lugar de qualquer forma”, ele completa.

“Para mim, como baterista, estou sempre pensando em coisas novas. Gosto de tocar um pouco de guitarra então sempre tento criar uma interpretação minha na guitarra. Anoto todas as minhas ideias e mando para ele [Matthews]. Às vezes escuto alguém falar alguma coisa e então eu anoto e mando para ele tipo ‘Ei, ouvi alguém dizendo isso e soou muito legal’ e aí ele une com alguma ideia louca que ele teve. É um processo infinito. Você sempre está criando algo. As melhores ideias aparecem quando você menos espera. Não consigo decidir que hoje vou compor uma música e é isso. Não funciono assim. Quando a inspiração aparece, eu preciso seguir com ela”.

Em meio a tantas bandas, eles acreditam que o segredo é se manter fiel ao próprio som, “Hoje temos acesso a muita informação e todos nós temos espaço na internet então é difícil encontrar algo novo. Quando você ouviu o Kiss pela primeira vez nos anos 1970, você nunca tinha visto algo assim então aquilo te surpreendeu. Mas agora com o poder da internet, você pode conhecer 100 mil bandas novas em um único dia e todas elas são muito diferentes umas das outras. É difícil ser aquela banda que se destaca no meio disso tudo. E ao mesmo tempo, é muito mais fácil você divulgar seu trabalho”.

A banda continua na estrada divulgando o novo trabalho que contou com o clipe de “Vagabond” dirigido por Justin Reich e inspirado no filme Cães de Aluguel. “A música fala sobre vícios e muletas sendo perdidos e depois encontrad. O vídeo segue a jornada de uma decisão ou uma ideia que toma forma e acaba cumprindo seu inevitável fim. Xeque-mate”, disse a banda ao divulgar o vídeo.

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