Enquanto uma nova música for uma música de ir ao banheiro para o público, eu não vou tocar. Só vou tocar as coisas que vão manter vocês no público”

Dee Snider: Olá.

Wikimetal (Nando Machado): Oi, o Sr. Dee Snider, por favor?

DS: Aqui é o Dee Snider, como você está?

W (NM): Ótimo. Aqui é o Nando, do Wikimetal no Brasil e estou aqui com o Daniel, um dos apresentadores do programa. Como você está, Dee?

DS: Estou bem, cara.

W (DD): Dee, aqui é o Daniel, sou um dos apresentadores do programa. Eu só quero começar te contando que estava assistindo um documentário chamado “The History of Metal” na VH1 outro dia e eles mostram com muitos detalhes seu discurso no Tipper Gore PMRC e, cara, eu estava pensando “se eu tiver a oportunidade de falar com o Dee em algum momento da minha vida vou ter que dizer ‘muito obrigado por fazer aquilo, foi uma das coisas mais fenomenais que alguém já fez pela comunidade Heavy Metal’”. Então, em nome de todos os fãs de Metal brasileiros, obrigado, cara.

DS: De nada. Obrigado por dizer isso, significa muito para mim. E realmente, é meio incrível que nos Estados Unidos agora isso é parte da História, eles ensinam isso nas salas de aula do colegial quando falam se censura, eles ensinam sobre o que passei no meu discurso e praticamente não há um dia em que alguém não me fale isso que você falou, o que realmente me deixa lisonjeado.

W (NM): OK, Dee. Nós estamos muito felizes que o Twisted Sister virá ao Brasil de novo no festival Live n’ Louder em abril. O que você acha que faz o show de vocês tão único e tão relevante depois de tanto tempo da formação da banda?

DS: Sabe, essa é uma pergunta muito boa. Às vezes me impressiona o quanto as pessoas ficam malucas com o Twisted Sister. Acho que somos uma entidade única, mesmo nesta época, o que é uma coisa louca. Nossa energia ultrapassa a maioria das bandas mais novas e temos um estilo que não é mais feito – saiu de moda no meio dos anos 90. E agora me parece que muito poucas bandas realmente dão continuidade a essas performances imprudentes, intensas – e quase possuídas – que é como gosto de considerar que são as minhas, como se eu estivesse quase possuído. Você não vê muito frequentemente estas performances possuídas, e as pessoas – especialmente os jovens – eles vão à loucura quando vêem esse tipo de músico. É o máximo.

W (DD): Muito bem, Dee. No começo da sua carreira, naquela época, você lutou por quase uma década para lançar o seu primeiro álbum. Quão importante foi esse período da sua carreira para moldar o estilo do Twisted Sister?

DS: Eu acho que… você sabe, foi muito legal. Recentemente escrevi um livro e todas as palavras foram escritas por mim mesmo, se chama “Shut Up and Give Me the Mic” (“Cale a Boca e Me Dê o Microfone”) – infelizmente ainda não disponível em português – e eu tive a chance de olhar para trás na minha vida, olhar todos aqueles anos e realmente me deu a oportunidade de entender melhor como as coisas aconteceram. E eu acredito que as coisas acontecem por uma razão. E o Twisted Sister, quando começamos, a gente não era como qualquer banda; a gente curtia glam e essas coisas, mas a gente era mais uma banda divertida, mais “sexo, drogas e Rock n’ Roll”. E eu era jovem e estava chegando nos EUA, tinha certeza de que… “Cara, estou nessa banda muito legal, nós vamos ser descobertos a qualquer momento e tudo vai ser muito louco”. E os anos foram passando e uma raiva foi crescendo dentro de mim, uma frustração, que começou a refletir não só nas minhas performances, mas na minha música – nas músicas que eu estava escrevendo. Então não acho que “We’re Not Gonna Take It” e “I Wanna Rock” teriam sido escritas no primeiro ou segundo ano do Twisted Sister. Essas músicas foram escritas no sexto, sétimo, oitavo ano, em anos de luta, quando a raiva e frustração foram se construindo. Então acho que foi importante passar por aquilo para o Twisted Sister desenvolver esse tipo de representação e música pelos quais as pessoas nos amam.

W (NM): Ótimo. Dee, vou pedir para você escolher uma música. Temos uma pergunta clássica no programa que fazemos a todos os entrevistados. Imagine que você está ouvindo ao seu iPod no shuffle ou a uma rádio e começa a tocar uma música que o faz perder o controle e você começa a balançar a cabeça onde quer que esteja. Que música seria essa para ouvirmos agora no programa?

DS: Tem muitas músicas assim… OK, muitas mesmo. Na realidade, eu estava dirigindo minha bicicleta ergométrica em casa e tínhamos alguns construtores trabalhando. E quando ando de bicicleta em casa ou corro, ou o que quer que eu faça, ouço música. Eu estava no meio de uma música deste tipo quando um construtor abriu a porta e viu um lunático em uma bicicleta ergométrica indo a loucura e fazendo caras estranhas. E ele só me olhou e saindo correndo! Mas mesmo amando “Still of the Night”, a música que me veio à cabeça quando você fez a pergunta foi “Exciter”, do Judas Priest.

W (NM): Judas Priest com “Exciter” no Wikimetal!

W (DD): Por que você acha que o Hard Rock se tornou tão popular no começo dos anos 80 e perdeu a popularidade tão rapidamente no final da década e no começo dos anos 90?

DS: Bom, eu já pensei muito sobre essas coisas. O Metal e o Hard Rock construíram sua popularidade rapidamente no começo dos anos 80 graças à MTV. Quero dizer, sempre foi popular e teve seguidores, mas a MTV começou a ir ao ar em 1982. Eles estavam procurando bandas mais atraentes visualmente e descobriram que muitas das bandas que eram populares eram também muito feias, não representavam bem. E no entando havia bandas como o Maiden, o Sister e bandas assim que eram visualmente interessantes, sempre foram. Então isso ajudou para fazer o movimento deslanchar. Agora, o que aconteceu, porém, no fim dos anos 80, foi que uma vez que o Metal se tornou popular, a indústria tomou conta da música. É isso que a indústria pensa; a indústria da música e as grandes empresas pensam que se um é bom, cem é ainda melhor. E isso é a maior besteira. Mas eles pensam “Ah, Twisted Sister e Mötley Crew, vamos assinar contrato com um monte de bandas assim!”. Então eles começaram a fechar contrato com qualquer banda que usasse calças justas e tivesse uma guitarra “flying V” e cabelos compridos. Então no final dos anos 80, foi quando o Bon Jovi surgiu, e eles estavam sorrindo com seu “happy Metal” e as pessoas gostavam cada vez mais disso, então “vamos assinar mais bandas ‘happy Metal’ agora!”. Então as gravadoras reformularam, destruíram e depois deram uma grande exposição à música. E no final dos anos 80 e começo dos anos 90 as pessoas tinham cansado disso – era cafona, era falso, era planejado. Você tinha os mesmos compositores, as mesmas gravadoras, os mesmos estilistas e os mesmos diretores de vídeo fazendo todas as bandas. Elas começaram a ficar iguais então as pessoas se cansaram.

Clive Burr trabalhava através das letras, o que ajuda a explicar o seu estilo único de tocar”

W (NM): Sim. Você reuniu a banda com a formação original depois de muito tempo, como é a relação entre todos os membros do Twisted Sister hoje em dia?

DS: Bom, você sabe, eu não posso levar o crédito de ter reunido a banda. Primeiro de tudo, quero reconhecer o AJ Pero, nosso baterista, como a pessoa que durante os 15 anos que estivemos separados foi simpático com todos e sempre tentou nos trazer de volta. Mas a grande coisa foi o ‘11 de setembro’. Quando aquilo aconteceu, as pequenas coisas, as diferenças entre nós… Nós todos queríamos fazer algo para ajudar e estávamos fazendo shows com o Anthrax e o Sebastian Bach, para ajudar a arrecadar dinheiro para as vítimas. E era por uma boa razão, não era por dinheiro, não era por razão alguma além de ajudar as pessoas. E um dos primeiros shows que fizemos foram os shows para as tropas e beneficentes. Então encontramos uma razão muito boa e percebemos que as coisas que eram importantes quando tínhamos 20 anos pareciam estúpidas agora que tínhamos 40. Quero dizer, você olha para trás e pensa “eu estava maluco?”. Acho que você já ouviu essa história de pessoas como o Steven Tyler e o Joe Perry também. Sabe, quando você é mais novo há coisas que estouram na sua cabeça, que parecem enormes. E quando você vai ficando mais velho pensa “Isso não é uma coisa grande. Câncer? Essa é uma coisa grande”. Mas você sabe, “Ah, aquele cara estava saindo com a mesma garota com quem eu estava saindo, ou algo assim”.

W (DD): Sim, esse foi um bom motivo para recomeçar o Twisted Sister. Agora, você pode escolher uma música do Twisted Sister da qual tem muito orgulho para ouvirmos agora?

DS: Bom, como o único compositor do Twisted Sister – e eu escrevi cada uma das músicas sozinho – eu amo todas elas, elas são como meus filhinhos. Mas quando as pessoas me perguntam “Qual a sua música favorita?”… bom, não é só uma das minhas favoritas, mas também definiu o Twisted Sister pra mim e mostrou que no seu âmago, somos uma banda de Rock n’ Roll e Heavy Metal, primeira e principalmente. E essa música é “You Can’t Stop Rock n’ Roll”.

W (NM): Nós ouvimos recentemente a triste notícia do falecimento do Clive Burr. Você teve uma grande banda com ele, chamada Desperado. O que você pode dizer aos nossos ouvintes sobre a sua relação com o Clive e por que esta banda não continuou?

DS: Bom, o Clive Burr e eu éramos de uma banda chamada Desperado e desenvolvemos um projeto por três anos – era um projeto apaixonante para todos nós. E estava quase sendo lançado em 1990. E logo antes do lançamento o cara que fechou o contrato com a gente saiu da gravadora de uma maneira ruim. E como um “foda-se” para ele, a gravadora fechou todos os projetos em que ele estava trabalhando. Então ele saiu e foi trabalhar em outra empresa e eles disseram “Danem-se vocês, vamos acabar com todos os projetos”. E eu disse “O que você quer dizer, todos os projetos?” e eles fecharam, o que significa que acabaram com o projeto Desperado e mais diversos outros. E foi uma época horrível. Eu tinha dado tanto de mim, eles tinham colocado meio milhão de dólares no projeto, eu dei três anos da minha vida e gastei muito do meu próprio dinheiro, eu estava indo à falência pela primeira vez depois disso… Foi terrível para todos nós, uma descida em espiral. Mas não vamos falar sobre isso, vamos falar sobre o Clive. Clive Burr era um baterista incrível e definia o Metal… Ele ajudou a definir a bateria do Metal, esse cara. E sua bateria definiu o Iron Maiden. Aqueles primeiros três álbuns – eu amo Nicko, ele é ótimo, mas ele só está fazendo o que o Clive estava fazendo nos três primeiros álbuns. O Clive e o Steve e aqueles caras, eles definiram o som do Maiden com a bateria do Clive. E o estilo dele é muito único. Ele é o único baterista com quem já trabalhei que não conseguia terminar sua parte na bateria antes de saber todas as letras de todas as músicas. E como compositor, às vezes estávamos trabalhando juntos em algo no estúdio e eu não tinha terminado tudo, porque ainda estávamos fazendo experiências e ele dizia “Qual é a letra da próxima música?” e eu não tinha terminado e ele dizia “Cara, eu preciso delas!”. E eu dizia “Por que você precisa da letra?”, e ele: “Porque é isso que inspira minha bateria”. Se você assistir a ele tocando, vai vê-lo cantando junto todas as músicas. E nenhum outro baterista com quem trabalhei tinha isso. Eles trabalham através do baixo, da guitarra, mas o Clive trabalhava através das letras, o que ajuda a explicar o seu estilo único de tocar. Agora, a resposta que quero dar é que Clive foi muito doente por muitos anos e me sinto abençoado por não ter falado com ele nos últimos dois anos. E era seu aniversário; vi no meu calendário e eu tinha descoberto alguns vídeos do Desperado ensaiando, que você pode encontrar no Youtube. Nunca fizemos nenhum show ao vivo, exceto por um, mas essa é uma longa história. E eu queria contar pra ele, então liguei para ele e ele estava tão… A esclerose múltipla tinha destruído tanto suas funções motoras que ele não conseguia falar, ele só fazia rumores pelo telefone e foi muito triste. Mas quando ele devolveu o telefone para sua mulher ela disse: “Eu não sei o que você disse pra ele, mas ele está sorrindo de orelha a orelha”. E eu disse “eu disse que acabei de ler uma coluna do Bruce Dickinson e dizia que o melhor baterista que o Iron Maiden já teve foi o Clive Burr. E que ele desejava que eles tivesse dado mais tempo para ele lidar com as suas coisas, para que ele ainda pudesse estar na banda”. Então, o Nicko foi o único outro baterista e ele ainda está; então foi uma afirmação poderosa do Bruce Dickinson, e deixou o Clive tão feliz. E dois anos depois ele morreu dormindo. E eu fico contente que pude falar com ele, fazê-lo sorrir antes dele ir. Foi muito triste.

W (DD): Cara, obrigado por compartilhar essa história, é uma história incrível.

Celine Dion gravou uma música que escrevi para minha esposa, a única música que não escrevi para lançar. Chamamos a casa em que vivemos hoje de ‘casa que a Celine construiu’.”

DS: Quer saber? Em honra do Clive, vamos tocar uma música do Iron Maiden. Você provavelmente ia dizer isso, não é? Mas eu sei qual quero que toque, porque o Clive era muito frustrado por não ter créditos de composição desta música. Ele disse “Essa música começou comigo tocando uma batida na bateria. Nós estávamos ensaiando e eu comecei a tocar… e isso fez com que Steve começasse” E essa música é creditada ao Steve Harris, mas acho que Clive certamente fez parte da criação dessa música – provavelmente a mais lendária do Maide – “Run to the Hills”.

W (DD): Estamos quase terminando a entrevista, mas antes de você ir, só por curiosidade, os fãs podem esperar um novo álbum do Twisted Sister? E o que você acha da Celine Dion gravar uma de suas músicas? É verdade que ela não sabia que esta música foi escrita por você?

DS: Primeiro de tudo, em relação a um novo álbum: não segurem a respiração, porque não existe motivação real da minha parte, como compositor, para escrever um novo álbum do Twisted Sister; sinto que estaria voltando ao futuro, escrevendo músicas antigas hoje. E caras, estou falando com vocês agora, porque vocês estão escutando e sabem quem são. Sabe o que acontece quando uma banda antiga toca uma música nova? No minuto e que o cara fala “essa música é do novo álbum” nós conseguimos ver vocês! Vocês saem para ir ao banheiro! E vocês sabem que são vocês! E não estou falando de um ou dois, estou falando de mil pessoas. Eles vão pegar uma cerveja… Você quer ir ao banheiro, quer uma cerveja? Espere até o solo de bateria. Essa é uma música nova. Então enquanto uma nova música for uma música de ir ao banheiro para audiência, eu não vou tocá-la. Só vou tocar as coisas que vão manter vocês no público, que você realmente quer ouvir quando vai ver o Twisted Sister, e isso é “Burn in Hell”, “You Can’t Stop Rock n’Roll”, “I Wanna Rock”, “We’re Not Gonna take it” – é isso que vocês querem, é isso que vão ter, baby. Então, Celine Dion gravou uma música que escrevi para minha esposa, a única música que não escrevi para lançar. Originalmente se chamava “God Bless Everyone”. Suzette, com quem estive já por 37 anos, ela fez todas as roupas, toda a maquiagem, o cabelo, o logo; Suzette é a pequena mulher por trás do monstro e da banda, ela esteve com o Twisted Sister desde o começo. De qualquer maneira, ela me disse um dia “Ei, quero que você me escreva uma música natalina”. E eu disse “Você está louca? Eu sou o roqueiro, o Dee Snider” e ela diz “Você é um contratenor treinado classicamente – o que eu sou – você pode me escrever uma música natalina”. Então, um dia estou trabalhando em outras coisas, coisas do Twisted, e tenho uma ideia. Então escrevo essa música; não é uma música natalina longa, é uma música natalina pura e eu não consigo nem cantá-la, eu contrato músicos e gravo como um presente para a minha esposa e dou a ela de presente naquele ano. Bom, um dos engenheiros do estúdio, seu nome era Rick Wake, disse pra mim “Cara, posso ficar com uma cópia? Porque é uma música muito boa, um dia alguém vai querer gravar isso”. E eu disse “Claro, o que for”. Anos depois o Rick Wake se torna um produtor vencedor do Grammy; grande, Mariah Carey, Celine Dion… Diga qualquer uma… Jennifer Lopez… álbuns de platina, Grammys. E ele me liga e diz “E aí cara, você está sentado?” e eu digo “Sim, por quê?” e ele diz “Celine Dion quer gravar sua música natalina”. E eu disse “Ela sabe que fui eu quem escreveu?” e ele disse “Não, eu ainda não contei pra ela”. E eu disse “Não conte pra ela que Satã escreveu sua música natalina”. Eu estava em um período ruim financeiramente e aquele álbum vendeu 8 milhões de cópias; então ela e Rosie O’Donnel gravaram um dueto e foi cantado por mais oito pessoas e chamamos a casa em que vivemos hoje de “Casa que a Celine construiu”.

W (NM): Obrigado por compartilhar isso, Dee. Nós chegamos no fim da nossa entrevista, espero não ter tomado muito do seu tempo. Você pode deixar uma última mensagem convidando todos os fãs brasileiros para o show em abril?

DS: Escutem aqui, seus fãs de Metal maníacos: eu vejo seus tweets, vejo seus comentários no Facebook dizendo “Venham para o Brasil! Venham para o Brasil!”. Bom, estamos indo para o Brasil com nada menos que o Twisted Sister, ok? Então é bom que vocês apareçam e quero que façam por merecer sua reputação; de mais loucos fãs de Metal do mundo. E eu sou uma das pessoas que espalha isso por aí. Então não me decepcionem, estejam prontos pra balançar a cabeça com o Dee Snider e Twisted Sister.

W (NM): Twisted Sister no Wikimetal!

W (DD): Muito obrigado, cara, foi ótimo falar com você, espero ter a chance de falar com você de novo, porque você tem histórias muito boas, então sempre terá todas as portas abertas no Wikimetal pra você, cara.

DS: Obrigado, cara, adorei falar com vocês e vejo vocês no camarim no festival, tenho certeza que estarão lá.

W (NM): Estaremos lá com certeza.

W (DD): Obrigado, tchau, Dee.

DS: Até logo.

W (DD): Tchau.

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