Eu queria ser guitarrista, tocar uma Flying V da Gibson. Hoje eu sou patrocinado pela Gibson e eles me dão Flying Vs de graça, acho que foi um sonho de criança se tornando realidade.”

Wikimetal (Daniel Dystyler): Olá, eu poderia falar com o Sr Christofer Johnsson, por favor?

Christofer Johnsson: É ele falando.

DD: Oi Christofer, aqui é o Daniel do Wikimetal, no Brasil. Como você está?

CJ: Bem, obrigado.

DD: Excelente. Tudo bem falarmos um pouco agora?

CJ: Sim, claro.

DD: Perfeito. Christofer, vamos começar falando sobre o grande show que está vindo para o Brasil: o que os fãs podem esperar do show no dia 18 de maio em São Paulo?

CJ: Bom, fizemos uma turnê na América Latinha, promovendo o “Les Fleurs du Mal”, nosso álbum de aniversário de 25 anos e agora fizemos uma turnê – uma mini turnê – em dezembro, na Europa, fazendo prévias da Rock Opera que estamos escrevendo. Então, será uma mistura entre essas duas turnês, o que faremos na América Latina. Vamos tocar o material do “Les Fleurs du Mal”, algumas peças prévias da Rock Opera e algumas outras músicas que fizemos nestas turnês. Se você olhar os set lists que fizemos na Europa você terá uma ideia.

DD: Já que você mencionou a última vez em que vocês estiveram no Brasil – se não me engano vocês já vieram 5 vezes – quais são as melhores lembranças que você tem do Brasil?

CJ: Bom, para a América Latina, é um país muito organizado. Há muito menos problemas técnicos, o que apreciamos. Porque, no final, não voamos pelo mundo todo para sentar e ficar esperando eles tentarem fazer o equipamento funcionar. Às vezes alguns shows estão atrasados, nós tocamos muito tarde ou você tem que chamar os técnicos de som. Não é a atmosfera mais legal, nós queremos fazer um show normal e no Brasil funciona razoavelmente bem. O lado bom da América Latina é que o público é muito acolhedor, muito entusiasmado. Na Europa é meio como “Ah, eu já vi eles antes”. As pessoas foram mimadas com tantos shows. Acredito que estas sejam as melhores lembranças, que o público é mais animado e aprecia mais. Aí está, o Brasil tem um bom equilíbrio, as coisas funcionam e você ainda tem a mentalidade latina. E pessoalmente, sou vegetariano há dezessete anos, mas para o resto da banda o Brasil é muito apreciado pela comida e churrascarias.

DD: Muito bem. Vocês acabaram de lançar uma versão deluxe do álbum Theli, de 1996, se não me engano. Você pode contar aos nossos ouvintes um pouco sobre essa nova edição? Acho que tem algumas faixas bônus, certo?

CJ: Sim, a gravadora vinha sugerindo isso nos últimos dois anos, mas eu nunca vi muito coisa nisso, você remasteriza um álbum, qual é a grande coisa? Claro, os sons mudaram um pouco e os fãs parecem preferir um som mais comprimido, isso não se parece em nada com as gravações analógicas daquela época. O que fizemos agora é um som mais tremido, um pouco mais comprimido e menos dinâmico. Pessoalmente prefiro o álbum antigo, mas entendo que muitos jovens preferem assim, pois eles não têm o equipamento de som mais adequado, as pessoas escutam músicas no computador e iPods. Então acho que está mais adaptado para o jeito que as pessoas ouvem música hoje. Mas a coisa principal pra mim foi que gravamos um show na nossa turnê de aniversário de 20 anos em 2007, em que tocamos todo o “Theli”. Então a gravadora sugeriu que pegássemos algumas partes do show para as faixas bônus da reedição do “Theli”. E então pensei que era muito legal, porque você tem todo o “Theli” ao vivo, tem a remasterização e também algumas faixas bônus. Isso já foi divulgado antes em um álbum chamado “A’arab Zaraq” em 97, mas este álbum não está mais disponível, e podíamos pegar as músicas mais importantes e colocar nas faixas bônus. Não importa o que, no final acho que valeu à pena. Juntando tudo, eu acho que foi legal. Não acho que é algo para as pessoas que já têm o álbum. Se você é um fã fervoroso, e quer ter para a coleção, ok. Ou se você é um fã que nunca teve esse álbum especificamente, você terá a oportunidade de comprar. Acho que estamos visando o público jovem que não possui muitos álbuns, ouvem ao Spotify e fazem download de músicas, para encorajá-los a comprar um CD. Então essa é uma brilhante ideia, oferecer muitas coisas, não só o áudio. Você ganha diversas coisas.

Quando o Accept lançou “Balls to the Wall”, eu consegui gravar uns 30% da música, só o finalzinho. Eu gostei tanto que ficava ouvindo esse pedacinho repetidas vezes”

DD: Sim, isso é muito legal. Christofer, nós temos uma pergunta clássica no programa. Imagine que está ouvindo a seu iPod ou ao rádio e de repente uma música começa a tocar; uma música que te faz perder o controle. Que música seria essa para ouvirmos no programa?

CJ: De jeito nenhum, não me lembro da última vez que ouvi uma música que mexeu comigo assim. A maioria das músicas que são produzidas hoje não é muito boa. Felizmente temos música antiga. As únicas coisas que ouvi recentemente que me fizeram querer comprar CDs de novo são as bandas inspiradas nos anos 70, como Saturnalia Temple, por exemplo…

DD: Mas pode ser uma música antiga, sem problemas.

CJ: Tem Hexvessel, você conhece Hexvessel?

DD: Não, não conheço.

CJ: É uma banda muito boa, eles são uma banda pequena, inspirada nos anos 70, mas são uma banda jovem. Essa foi a primeira vez em anos em que eu disse “Uau, ainda existe música boa sendo feita, eu quero comprar álbuns de novo”. Senão eu ouço bandas dos anos 80 e 70, principalmente. Se fosse uma escolha aleatória, tocando na rádio, eu diria Return to Fantasy, do Uriah Heep; eu definitivamente pisaria mais fundo no acelerador.

DD: É uma música muito boa. Ok, então vamos voltar ao início da sua carreira. Você se lembra como se interessou pela música pela primeira vez, especialmente música pesada, e quais foram suas principais influências?

CJ: Eu quis ser músico quando ouvi Beatles. Vi Beatles na TV e gostei muito e pedi aos meus pais um álbum de aniversário. Acho que eu tinha oito anos, então ganhei o Greatest Hits dos Beatles no meu nono aniversário. Foi aí que quis começar a tocar. Não me lembro se queria ser guitarrista, cantor ou até baterista, eu só queria tocar música. Eu fui tomado pelo que vi na TV. Quando eu tinha 10 anos descobri o Heavy Metal, quando o Accept lançou “Balls to the Wall”. Eles tocaram a música título no rádio e no meio da música fiquei procurando uma fita cassete vazia para gravar, porque me impressionou muito. Finalmente achei a fita e consegui gravar uns 30% da música, só o finalzinho. Eu gostei tanto que ficava ouvindo esse pedacinho repetidas vezes. Nós não tínhamos muito dinheiro daqueles tempos, nós éramos jovens na Suécia, não dava para você sair e comprar um álbum naquela idade. Você teria que esperar o Natal ou seu aniversário, algo assim. Acho que para meu aniversário eu queria Accept, então ganhei um álbum deles e mais tarde o “Wheels of Steel”, do Saxon; foram meus dois primeiros álbuns. Eu não tinha muitos amigos que ouviam Metal, tinha um cara na minha sala na escola que ouvia e ele me gravou o “Restless and Wild”, do Accept e do outro lado da fita gravou o Screaming for Vengeance”, do Judas Priest. Então eu ficava virando essa fita o dia todo e escutando estes dois álbuns. Então acho que estas foram as bandas base para mim. Eu tinha pôsteres do Accept e Judas Priest colados na parede. Eu queria ser guitarrista, tocar uma Flying V, uma Flying V da Gibson. Hoje eu sou patrocinado pela Gibson e eles me dão Flying Vs de graça, acho que foi um sonho de criança se tornando realidade.

Estamos fazendo uma Rock Opera. É claro que haverá um álbum em estúdio, mas isso é completamente secundário. Eu nem tenho certeza se lançaremos antes de tocar ao vivo”

DD: Isso é ótimo. Como você ouve música hoje em dia? Você ainda compra CDs ou vinis? Você faz downloads ou ouve em stream?

CJ: Bom, eu não ouço música em stream, mas se tem só uma música que gosto, compro o download. Para muitos desses artistas antigos que tiveram um grande hit, se você quer fazer a coisa certa, pode comprar a música. Se você escolher o Terry Jacks, por exemplo, você provavelmente diria Seasons in the Sun, uma música muito famosa, mas você ouve alguma outra música do Terry Jacks? Não, porque eles eram ruins, entende? Ele só tinha uma música boa e eu não queria comprar um CD inteiro só por uma música. Então acho que downloads são ótimos para isso e esse tipo de música eu ouviria diversas vezes de qualquer maneira, viajando no carro, etc. Senão eu compro CDs, é coisa da minha geração. Eu comecei a apreciar vinis e ouvir vinis antigos… tem algumas bandas novas como o Saturnalia Temple, eles tem um vinil; mas fora isso eu gosto mais de CDs. Eu odiei o CD quando apareceu, eu gostava muito de vinis, mas então o vinil praticamente desapareceu e eu comecei a converter ao CD e me acostumar. Mas eu gosto de ter uma capa do álbum e o encarte com as letras e informações, talvez seja uma coisa de geração. Mas não gosto de ouvir músicas em stream de jeito nenhum. Duas razões: uma delas é porque a qualidade do som é muito ruim; a outra é que quando as pessoas ouvem Spotify eu ganho tão pouco dinheiro, que é ridículo. Se eu ficasse bêbado, fosse até uma estação de trem com um copo na minha frente e um violão desafinado e tocasse Sweet Home Alabama seguidamente, faria mais dinheiro em um fim de semana do que faria em um ano no Spotify. Então seria muito inconsistente da minha parte ser contra como artista e usar como um consumidor. Eu não teria direito moral de reclamar se usasse. Então, essa é a segunda razão pela qual eu me recuso a usar Spotify e estas coisas.

DD: Muito bem. Vamos ouvir algo do Therion agora. Você poderia escolher uma música que você tem orgulho de ter escrito para ouvirmos agora no Wikimetal?

CJ: Land of Canaan é uma das minhas preferidas.

DD: Muito bem. Voltamos da música agora. Christofer, você pode explicar brevemente para os nossos ouvintes o que é a organização “Dragon Rouge” e como ela se relaciona com o Therion?

CJ: Ela não se relaciona com o Therion, por isso você deveria checar a web page deles antes de perguntar na entrevista.

DD: Ok. Quais são os planos para o futuro? Vocês gravarão um novo álbum no futuro próximo? Há planos para criar uma Rock Opera ou algo assim?

CJ: Sim, estamos fazendo uma Rock Opera. Sempre perguntam pelo álbum, mas é um jeito errado de pensar. Quando você diz “Jesus Cristo Superstar” não pensa no álbum – é claro que tem uma gravação em estúdio do “Jesus Cristo Superstar” – mas o principal é a performance e é assim que temos que pensar sobre a nossa Rock Opera. É algo que será apresentado como teatro, entende? É claro que haverá um álbum, haverá uma versão em estúdio, mas isso é completamente secundário. Eu nem tenho certeza se lançaremos antes de tocar ao vivo, vamos ver.

DD: Ok, estamos quase no fim da entrevista. Gostaria de pedir que deixe uma mensagem final para os fãs brasileiros e convide a todos para os shows que acontecerão em maio.

CJ: Estamos animados para tocar no Brasil de novo e esperamos tocar em um lugar tão bonito como da outra vez. Esperamos ver o máximo de pessoas possível, vamos fazer um show fantástico com certeza.

DD: Excelente, muito obrigado, Christofer, por participar no Wikimetal.

CJ: Obrigado.

DD: Tchau.

CJ: Tchau.

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