O Japão: um lugar tão distante da gente que possui uma paixão por Heavy Metal tão forte quanto a nossa”

Por Lucas Gabriel

O Heavy Metal em países não americanos ou europeus já não é tão difícil assim de se conhecer como antes. Graças à internet, uma infinidade de bandas ao redor do mundo ficou facilmente acessível para vários headbangers sedentos por novos sons. Porém, para algumas pessoas, ainda é estranho a ideia de Metal feito por culturas tão distantes da sua. Aliás, a ideia de qualquer mídia de entretenimento feita por um povo muito diferente do seu ainda é um tabu. Duvida? Só ver o monte de pessoas que não consegue ver filmes que não sejam grandes produções de Hollywood.

Felizmente já existe uma parcela considerável de amantes de bons sons que sabem que a boa musica não possui nacionalidade, raça, sexo ou credo. Basta estar aberto a ouvir.

O lugar que eu gostaria de apontar no começo desse texto é o Japão. Isso mesmo, a terra do Godzilla e do Jaspion. Lugar que parece tão distante da gente, mas que possui uma paixão por Heavy Metal tão forte quanto a nossa.

Não se enganem em pensar que lá só tem bandas do tão extravagante estilo visual Key, grupos que se resumem a fazer aberturas de animes ou o tão amado por uns e odiado por outros, Babymetal, aquele grupo das três meninas que cantam toda fofas por cima de um instrumental porrada e muito bem feito, o chamado “Kawaii Metal” (mais um subgênero pra coleção).

Era o Loudness e o oriente entrando com um golpe de karatê na porta dos grandes nomes do Heavy Metal”

Desde o mais extremo Black Metal ao mais farofa Hard Rock, eles possuem uma cena riquíssima e pessoas realmente loucas. Não se engane com o jeito pacifico e quieto dos japoneses, em shows lá o bicho pega como em qualquer lugar do mundo. Duvida?Pergunte para o Pedro Poney, vocalista e baixista da banda de Thrash Metal de Brasilia Violator, que me disse isso numa conversa informal comigo antes de subir no palco, uma vez que tocaram numa cidade próxima a minha.

Exemplos de grupos a serem ouvidos? Maximum the Hormone, Bow Wow, Sly, Ezo, Sabbat, Church of Misery e tantas outras. Porém gostaria de falar mais exatamente da minha favorita, a clássica Loudness, e daquele que pra mim é seu melhor registro. Estou falando de “Thunder in the East”.

Antes, vamos falar um pouco da banda. O Loudness surgiu no inicio da década de oitenta e é considerado o maior nome da cena de Heavy Metal do Japão. A formação que se consolidou e está presente nesse álbum é Minoru Nihara (vocal), Akira Takasaki (guitarra), Masayoshi Yamashita (baixo) e Munetaka Higushi (bateria, falecido em 2008).

A banda vinha de álbuns mais sombrios, mas consistentes, como “The Birthday Eve” e “The Law of Devil’s Land”, onde foram criando certo nome no underground do Japão e pelo mundo através das trocas de tapes. Porém foi com “Thunder In The East”, sua estreia na gravadora Atlantic, que eles de fato estouraram e foram colocados no panteão dos grandes dos anos oitenta. Era o Loudness e o oriente entrando com um golpe de karatê na porta dos grandes nomes do Heavy Metal. A química da banda estava perfeita, com cada um desempenhando muito bem o seu papel. Com destaque é claro para o grande guitarrista Akira Takasaki, um grande e criativo musico que não tem o reconhecimento que merece.

O fato de buscarem uma sonoridade mais acessível e cativante, impulsionada por músicas marcantes e ajudados pela produção de Max Norman, foi um lance determinante para o sucesso e aceitação pelo mundo. Isso é perfeitamente exemplificado na faixa que abre o disco e é sem duvidas o maior hit da banda. Estou falando de Crazy Nights. Com seu riff característico, levada empolgante e linhas vocais para cantar junto (e aquele inglês com sotaque). É daquelas musicas que eu colocaria facilmente numa coletânea de grandes hinos do Heavy Metal de qualquer época e qualquer lugar do mundo. Clássico.

Mas “Thunder in The East” não se resume a apenas ela. Like Hell é tão boa quanto, e segue o ritmo muito bem. Temos as aceleradas Get Away e Clockwork Toy com seu solo animal. Sem contar com We Could Be Together e Run For You Life. Uma faixa boa atrás da outra, que nunca deixa o pique cair.

Resumindo, é um clássico que você certamente precisa ouvir e ter na sua coleção. Escute hoje mesmo.

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