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Não se trata de buscar identificar quem é melhor ou pior, mas sim de saber que são diferentes e que ambos possuem qualidade ímpar”

por Gabriel Fernandes Camargo Rosa, WikiBrother

Já estamos em 2017 e, em meio a tanto debate acerca do Sepultura ser melhor com ou sem o Max Cavalera, algo muito importante é esquecido: Derrick Green.

O frontman já está completando 20 anos de banda e ainda há quem acredite que ele é só um integrante passageiro, que só está ali para manter a banda ativa até o dia que Max Cavalera voltar.

Mas será que o Sepultura ficou tão ruim assim!?

Bem, eu sou grande apreciador do período em que Max esteve na banda, contudo, não posso me fingir de surdo e deixar de reconhecer que Derrick Green faz sim um excelente trabalho.

Não se trata de buscar identificar quem é melhor ou pior, mas sim de saber que são diferentes e que ambos possuem qualidade ímpar. Vejo essa situação de forma muito mais complementar do que competitiva.

Max deu o pontapé inicial, agora Derrick corajosamente assumiu e, devido ao notório desenvolvimento e ascensão musical (vide “Machine Messiah”) do Sepultura, há inúmeras razões para acreditar que muitos e muitos anos ainda estão por vir.

Devido a isso, selecionei aqui 10 músicas que nos ajudam a repensar esse período em que Derrick Green toma conta dos vocais da banda. Adianto já que não foi fácil fazer essa lista (deixei muita coisa legal de fora) e já convido aos leitores a deixarem nos comentários outras músicas que mereciam estar aqui:

“Corrupted” (álbum: Roorback)

Para mim, uma das músicas mais subestimadas do Sepultura é “Corrupted”. Sempre imaginei ela sendo a primeira música de um show. Os riffs de guitarra, o solo, a condução da bateria, a forma como o contra-baixo é explorado, o estilo de vocal. Tudo nela contribui para uma energia incrível. Bem cara de Sepultura! Contudo, por mais que tenha sido bastante tocada em shows (na época), ela acabou não ganhando o devido destaque.

“Vox Populi” (álbum: Sepulnation)

Na construção da nova identidade da banda, “Vox Populi” sintetiza exatamente esse período, trazendo elementos melódicos e tribais, herdados do período de Roots, mas já assinalando um trabalho que explora também a diversidade no vocal.

“The Treatment” (álbum: A-Lex)

Por mais que a pegada melódica viesse ganhando mais espaço no Sepultura, a banda nunca deixou de namorar com a sonoridade rápida, marca da fase inicial da banda (ainda lá nos anos 80). Sons como “Apes of God” (do álbum: Roorback), já vinham buscando esse resgate, contudo, “The Treatment” apresenta melodia, peso e velocidade em dosagens bem ponderadas. O suficiente para uma grande música.

“What I Do” (álbum: A-Lex)

Outra música que acompanha a condição de “Corrupted”. Doses suficientes de peso, velocidade e energia. Não acho que “What I Do” teria o potencial de abrir shows, como tem “Corrupted”, mas é um som que vejo como imprescindível em qualquer setlist, pela sua capacidade de contagiar.

“Ostia” (álbum: Dante XXI)

Em “Dante XXI”, o Sepultura resolve explorar suas melodias dentro de uma temática mais sombria, por assim dizer, e “Ostia” acompanha esse ritmo entregando peso em uma musicalidade que conversa muito bem com a música clássica.

“The Vatican” (álbum: The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart)

Que som esmagador! Não tenho outra forma de falar sobre essa música, se não for assim. Um dos sons mais brutais da fase Derrick Green.

“Manipulation of Tragedy” (álbum: The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart)

Ou será que seria esse o som mais brutal?
Bem! O fato é que como eu disse anteriormente, a banda já vinha acenando para esse rumo desde o Roorback, mas foi no “The mediator (…)”, com o Eloy Casagrande assumindo a bateria, que essa sonoridade passou a ficar mais constante. A energia dos sons lembra músicas massacrantes da época de ouro (como “Inner Self”, “Mass Hypnosis” e “Arise”, por exemplo), mas já ganham toques de quem já estava se aproximando dos 30 anos de estrada.

“Choke” (álbum: Against)

Roots ter sido um álbum de tanta repercussão já geraria naturalmente uma grande expectativa acerca de como seria o próximo trabalho. Com a saída de Max da banda, esse clima aumentou ainda mais. Neste contexto, “Choke” foi escolhida como a música que iria apresentar ao mundo o novo vocalista e, consequentemente, o futuro do Sepultura. E que ótima escolha! “Choke” demonstra uma maturidade musical sem perder de vista aquilo que vinha consagrando a banda: o elemento “tribal”. Pena que o álbum completo não conseguiu acompanhar essa pegada (o que não significa que seja um álbum ruim, diga-se de passagem).

“I Am the Enemy” (álbum: Machine Messiah)

Mais uma ao naipe de “Corrupted” e “What I Do”. Muito mais pela energia que transmite, do que pela semelhança de sonoridade (que não são tão distantes assim). Dentro de um álbum tão bom como é o Machine Messiah, “I Am The Enemy” apresenta um potencial de ser aquela música que não vai mais sair do setlist de shows da banda.

“Convicted in Life” (álbum: Dante XXI)

Sem sombra de dúvidas: A MELHOR MÚSICA DA ERA DERRICK GREEN! A forma como essa música é conduzida, todos os trechos muito bem costurados. Tem parte rápida, tem parte melódica, pesada do início ao fim. O vocal do Derrick Green está excelente e transmite uma energia exata. Aquela energia que tanto consagrou o Sepultura.

*Este texto foi elaborado por um Wikimate e não necessariamente representa as opiniões dos autores do site.

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