E a mesma história repetiu-se por todo o país, com garotos transformando seus sonhos em bandas, trocando fitas k7, descosturando as mangas de suas jaquetas jeans, escrevendo nas velhas máquinas de escrever e distrubuido seus fanzines, gritando e juntando-se a uma nova legião nas portas das lojas de discos e nos shows das novas e honestas bandas brasileiras e fazendo parte de uma sincera história.”

 

Por Micka Michaelis (*)

Não consigo entender como um adolescente pode não gostar de rock.

Outros estilos musicais tem suas características, mas pra mim só o rock permite uma associação com liberdade, rebeldia, “explosão de testosterona”, enfim, elementos que nos fazem sentir jovens pra sempre.

Meu irmão Julio Michaelis Jr, (4 anos mais velho do que eu) foi quem instalou esse chip em mim. Via sua empolgação ao conversar com os amigos sobre aquele som do Purple, Slade, guardar com emoção aquela foto quase impossível de se encontrar do Plant e os primeiros do Judas Priest.

Nos final dos anos 70 e bem no surgimento da NWOBHM eu já estava contaminado. E descobri que uma nova geração estava se formando com os mesmos anseios. Nos salões de rock com as guitarrinhas imaginárias a galera se deliciava, transportando-se para um universo muito distante da nossa realidade pois não havia nada parecido por aqui, pois nossa referência de guitarra nesta época era Pepeu Gomes, Armandinho do Trio Elétrico…talentosos…mas não era o Blackmore!

Foi quando li em uma revista importada sobre as novas bandas inglesas (Maiden, Tigers of Pantang, Angelwitch entre tantas outras tão legais) e ví uma fotinho minúscula de uma banda de adolescentes que estava gravando um disco.

Era o Def Leppard!

E meu irmão me levou ao ensaio de uma banda de rock em Santos: era o Vulcano!

Pensei: se eles podem eu também posso! Naquele momento senti uma eletricidade invadir meu corpo.  Vou aprender a tocar guitarra, montar uma banda e gravar um disco.

E assim foi…

E a mesma história repetiu-se por todo o país, com garotos transformando seus sonhos em bandas, trocando fitas k7 por outras fitas k7 contendo novos sons e muita alegria, descosturando as mangas de suas jaquetas jeans, escrevendo nas velhas máquinas de escrever e distrubuido seus fanzines, gritando e juntando-se a uma nova legião nas portas das lojas de discos e nos shows das novas e honestas bandas brasileiras e fazendo parte de uma sincera história.

São sentimentos como esse que espero poder transmitir a todos em nosso filme:
Brasil Heavy Metal
Um filme, um sonho
Uma declaração de amor ao metal brasileiro.

Vocês fazem parte desta história!

(*) Ricardo Micka Michaelis é diretor de criação da produtora IDEIA HOUSE, ex-guitarrista e compositor da banda Santuário, formada em 1982 em São Vicente e diretor do longa metragem BRASIL HEAVY METAL.

Confira mais notícias sobre: