L7 e Soul Asylum se apresentaram em São Paulo no domingo, 2 de dezembro

Depois de 25 anos longe, o L7 finalmente voltou ao Brasil em um momento em que a música, nacional e internacional, volta a contestar o status quo. Em 1993 as então meninas impressionaram no palco do Hollywood Rock Festival e abaixaram as calças pros fotógrafos no ônibus da turnê. Em 2018, embaladas por movimentos como o #MeToo, não faltam xingamentos para políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Semanas antes do show em São Paulo, o Soul Asylum anunciou que participaria da festa. O grupo é mais um rebento do grunge dos anos noventa, mesmo que não tenha a força que o L7 ainda carrega.

O show dos caras do Soul Asylum demorou para engrenar. Muito também por culpa do sistema de som do Tropical Butantã. O vocal estava praticamente inaudível do fundo da casa. Enquanto o grau de intimidade do público com as músicas ia crescendo, também ia aumentando a empolgação. O som melhorou e, em baladas como “Misery” e “Runaway Train”, a plateia se rendeu a cantar.

Atipicamente, o L7 subiu no palco sem música tocando ao fundo. De um jeito simples cumprimentou os presentes e com o “one, two, three, four” de lei da baterista Demetra Plakas começou a paulada. A energia de Donita Sparks e companhia no palco é absurda.

Desde o primeiro segundo de “Deathwish”, que abriu o show, todo mundo cantava o mais alto que conseguia. Uma música emendando na outra e os refrões chiclete gritados a plenos pulmões. O volume só diminuiu quando a vocalista parou para relembrar justamente do Hollywood Rock e elogiar todos os presentes. “Vocês já eram lindos em 1993, agora estão mais lindos ainda”.

Mesmo que se ignore as letras cheias de referências políticas e sociais, é impossível não perceber o poder contestador das músicas do L7. Quatro mulheres com seus 55 anos que botam muito garoto jovem no chinelo. Não que a comparação seja necessária. Afinal, quem ainda tem preconceitos de gênero precisava assistir a apresentação de “I Came Back To Bitch”. “Eu sou a criadora/ você simplesmente destrói/ você pode me atordoar no primeiro round/ mas eu chuto a sua bunda garoto”. Elas chutam as suas bundas, garotos.

O L7 fez um dos melhores shows do ano, mostrando todo o poder do rock feminino. Donita Sparks já disse que a banda voltou e quer servir de modelo para a nova geração. Formar uma juventude que conteste, que tome seu lugar de direito e destrua tudo, seja no palco ou nas tradições da sociedade. E, se depender delas, irão conseguir. Assistir ao L7 ao vivo é inspirador.

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