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A imprensa, não entendendo as complexas características culturais e subgêneros que o estilo possuía, começou a associar a imagem do Heavy Metal à violência, abuso de drogas e satanismo.”

 Por Juninho

Em meados da década de 60, alguns jovens da cidade de Birminghan, Inglaterra, formaram uma banda. Seu guitarrista, Tony Iommy, percebeu que nas sessões dedicadas aos filmes de terror exibidas no cinema da cidade, era frequente a formação de grandes filas. Segundo Ozzy Osbourne relata em seu livro “I am Ozzy”, veio de Iommy a idéia de fazer um tipo de música diferente na época, afinal de contas se filmes de terror faziam sucesso, talvez músicas que provocassem medo também pudessem ter a mesma fama. Foi assim que o Black Sabbath acabou concretizando o que para muitos é o primeiro disco de Heavy Metal da história.

Obviamente que o nome Heavy Metal acabou surgindo posteriormente, porém acredita-se que os futuros seguidores deste estilo já o precediam. Bandas que faziam o som mais pesado da época, como Purple e Zeppellin, já enchiam as casas de shows com pessoas que os ouviam e “balançavam” a cabeça. Eram os primeiros headbangers. Antropólogos estudiosos de subculturas urbanas acreditam que além das características sombrias do Sabbath (riffs, arte dos álbuns, cores escuras, temática das músicas, etc.), um fator decisivo para a identificação dos headbangers com a banda foi o fato de seus componentes levarem este comportamento para o palco: o quarteto também “batia cabeça” ao vivo.

Foi no final dos anos 70/início dos anos 80, já com a denominação do estilo como Heavy Metal, que a alcunha Headbanger ou Metalhead acabou se consolidando. Foi também nesse período que o estilo e vestuário típicos tornaram-se definitivos, mais uma vez tendo uma banda como referência, o Judas Priest.

Os jovens que curtiam o som pesado poderiam assistir pela primeira vez seus ídolos tocando ao vivo.”

Durante a década de 80 o Metal foi certamente um dos estilos musicais mais difundidos em todo o mundo. Nesta época o Brasil vivia o período final da ditadura militar, que programava uma “abertura ampla, geral e irrestrita”, sendo seguida pelo criticado governo José Sarney. A sensação de liberdade de expressão crescia, exilados voltavam ao país e passamos a ter, ainda que pouco, acesso a material cultural vindo de fora. Especificamente na cena Metal mundial, o Iron Maiden figurava como o maior expoente do período. Foi ela a banda mais difundida no Brasil, que começava a conhecer o “rock pesado”, como a grande mídia então divulgava. Certamente este cenário se reflete até hoje por aqui, onde o Iron Maiden é definitivamente a maior influência no estilo.

Em 1985, pela primeira vez na história, um país latino americano realizava um festival que receberia as grandes estrelas do Heavy Metal da época. Surgia o Rock in Rio, idealizado e organizado pelo empresário Roberto Medina. Os jovens que curtiam o som pesado poderiam assistir pela primeira vez a seus ídolos tocando ao vivo.

Já se passou o tempo de ser julgado por andar com camisetas de banda, usar anéis, correntes, braceletes, patches ou ter alguma tatuagem.”

É claro que, com um evento de proporções gigantescas, o envolvimento da grande mídia era certo. E foi exatamente o que aconteceu, com a Rede Globo de televisão tendo exclusividade para a transmissão e cobertura do Rock in Rio. Porém como explicar à grande massa da época, que possuía um número assustador de pessoas sem o mínimo acesso à educação e informação, quem eram aqueles jovens de cabelo comprido e que se vestiam de preto sobre o forte calor brasileiro? A saída foi inventar o termo “Metaleiro”, que inicialmente não possuía tom depreciativo.

Era nítido o despreparo, mesmo dos jornalistas brasileiros mais famosos e em tese mais bem preparados, para a abordagem do assunto em rede nacional. As primeiras reportagens misturavam completa e desnecessariamente política e heavy metal, retratando de modo confuso e irreal a nova cena que surgia no país. Infelizmente não demorou muito para que sensacionalismo começasse a ser feito em cima de exageros isolados e que não traduziam a realidade comportamental dos headbangers brasileiros. A imprensa, não entendendo as complexas características culturais e subgêneros que o estilo possuía, começou a associar a imagem do Heavy Metal à violência, abuso de drogas e satanismo. Colhem-se os frutos disto até hoje (não faz muito tempo que Arnaldo Jabor teceu infelizes comentários sobre a tragédia envolvendo a morte de Dimebag Darrell, um dos episódios mais tristes e lamentáveis da história do Metal).

Em função dessa interpretação absolutamente equivocada por parte da mídia brasileira, é comum vermos headbangers tupiniquins repudiando o rótulo de Metaleiro, jogando a culpa sobre a maior expoente das telecomunicações no país: a Rede Globo.

Headbanger, Metalhead ou Metaleiro, o que é melhor? Tanto faz. Opiniões não são mudadas em pouco tempo. Exigir ser chamado de outra maneira não vai fazer qualquer tipo de preconceito deixar de existir. Fortalecer a cena com bom material de conteúdo sólido e atitudes sempre conscientes e coerentes são essenciais. Desta forma, torna-se mais concreta a possibilidade de mudar gradativamente o senso comum absolutamente deturpado que se tem do Heavy Metal e de todos os que seguem esta filosofia aqui no Brasil.

Não vivemos mais em tempos de ignorância. Hoje o acesso à informação é feito de modo fácil e imediato. Já se passou o tempo de ser julgado por andar com camisetas de banda, usar anéis, correntes, braceletes, patches ou ter alguma tatuagem.

Que o bom senso prospere!

Abraço a todos!

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Juninho

 

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