Quando eu ouvi Children Of The Grave do Black Sabbath eu falei ‘Gente do céu, quando eu crescer eu quero ser o Bill Ward'”

Wikimetal (Daniel Dystyler): Estamos aqui com um dos personagens mais importantes da historia do Heavy Metal brasileiro, apresentador e produtor do Backstage, no ar desde 1988. Baterista do Electric Funeral, banda cover do Black Sabbath, colunista da Roadie Crew, colaborador de uma série de outras coisas, além de ter uma coleção pessoal de mais de 10 mil álbuns. Vitão Bonesso, bem vindo ao Wikimetal.

Vitão Bonesso: Muito obrigado pelo convite e antes de mais nada, parabéns pelo trampo que vocês vem fazendo que é maravilhoso, acho que a gente esta precisando de gente que nem vocês para impulsionar essa máquina do Heavy Metal que é bacana. Estou à disposição de vocês.

Wikimetal (Nando Machado): Valeu Vitão, muito legal ouvir isso de você, é uma honra para gente ter você no programa, uma das pessoas mais importantes nessa árdua tarefa de divulgar e promover o Metal, Hard Rock, o Classic Rock no Brasil. Eu queria saber, para gente começar Vitão, lembrando lá no comecinho como é que foi que você começou a se interessar por rock, como o rock entrou na sua vida, o Metal em especial e como é que foi o começo da sua carreira?

VB: Bom, eu comecei a gostar de rock pelo meu pai, em 1964 para 65 meu pai já ouvia Beatles, começou bem. Tinha Ventures também, tinha muita coisa, tinha a Jovem Guarda, que era o primeiro respiro rockeiro brasileiro. E quando meu pai foi ver a copa do mundo em 66 na Inglaterra ele trouxe coisas dos Beatles, isso e aquilo, ai lascou, dali até o final dos anos 60 era Beatles, no começo dos anos 70 era Beatles, mas aí um vizinho me mostrou o Fireball do Deep Purple, ai era Beatles e Deep Purple, aí veio o volume 4 do Black Sabbath e aí a história foi caminhando até que em 86 eu comecei a dar uma força lá na 97 FM, na época em Santo André, levando algumas novidades que eu sempre comprava em geral, até que em 88 recebi o convite para fazer o que hoje é o Backstage, substituindo um programa que já estava no ar que era o Riff Raff , um programa que chamava Riff Raff, eles quiseram tirar o cara e botar eu, eu falei “não, não quero, eu quero produzir alguma coisa, eu não sou legal de locução, não sei falar caramba”, o meu inglês era macarrônico total. Ele falou “legal que você aceitou, domingo você estreia”.

W (NM): Isso foi depois da Sessão Rocambole??

VB: Foi, o Rocambole foi o primeiro.

W (NM): E ai?

VB: Depois veio o Fuck Off, Riff Raff e junto com o Overshock, que era uma coisa mais para o Hard, quiseram tirar, era o Richard Nassif que fazia e foi assim. Foi em uma segunda-feira a proposta, domingo eu estava no ar, ou seja, eu não dormi, eu tive que criar um programa em 7 dias praticamente, foi terrível cara, mas, daquele jeito “vai aí e te vira véio”.

W (DD): E que começo também, com Beatles, Deep Purple, Black Sabbath, né?

VB: É uma trinca bacana.

W (DD): Orra.

W (Rafael Masini): Vitão, eu vou fazer uma revelação aqui para você e todos os ouvintes.

W (NM): Eu já sabia.

W (DD): Nós já sabíamos.

W (RM): Já fiz muitas revelações, mas desde 87 mais ou menos, que eu tinha uns 16 anos, até 90, eu trabalhei moleque, escondido quando chegava o juizado de menores, no Black Jack Bar, com Paulinho, com o Fernando.

VB: Nossa, Eu toquei lá nessa época.

W (RM): É isso que eu ia falar, eu presenciei ali como garçom, sempre nas escondidas, porque chegava o juizado a gente subia no telhado.

VB: Sim, sim.

W (RM): O Paulinho, o Fernando escondiam a gente no telhado, e eu presenciei um monte de “jams”, mas uma em especial que foi uma noitada em 88, que baixou…

VB: Um monte de gente: Edu Ardanuy, Helcio Aguirra, Cachorrão…

W (RM): Você!

VB: Isso, e foi ali que nasceu o Electric Funeral.

W (RM): Pois é, era isso que eu ia falar. Foi dali que veio a ideia? Pois tocaram muitos “Sabbaths”.

VB: Sim, sim. Foi ali que o Helcio chegou para mim e falou assim: “Orra meu, vamos montar um Black Sabbath cover?” Fechado.

W (RM): Depois nos vamos perguntar da banda, eu queria falar do espaço. Você acha que hoje em dia existe um lugar?Porque ali no Black Jack iam pessoas de varias gerações, as pessoas falavam, as pessoas tocavam, as pessoas pensavam sobre Rock and Roll. Você acha que isso hoje em dia existe? Com pensamento inteligente? Não só criticar, xingar?

VB: Eu acho que faz falta realmente aquela interação, in loco, da molecada naquela época. Vamos lá para saber? Ou você trouxe aquele vinil que eu te pedi emprestado? Trouxe esse aqui para você levar para casa. Na outra semana se destrocava, gravava fita, levava fita, os “cassetinhos” e tudo mais, então era muito bacana. E hoje, eu acho que a internet, a parte de rede social, distanciou as pessoas, tem gente que fala “porra Vitão tu ta cabeludo ainda hein cara?”, só que o cara nem imaginava que eu com 51 anos estaria ainda cabeludo, entendeu? Então eu acho que a internet foi a grande responsável pelo distanciamento das pessoas. Eu acho que falta sim, um bar, casa de show, mesclado né? Para sentar bater papo e sem aquele desfile de moda, sem aquele “porra meu sou novo no pedaço”, entendeu?

W (DD): Que fosse um lugar para confraternizar, para trocar ideia.

VB: Isso. Igual a gente esta fazendo agora, estamos aqui sentados, batendo um papo. Antes de começar o programa a gente já relembrou tanta coisa e estar relembrando isso, isso é muito saudável você mexer com o passado de uma certa forma. Eu tive um passado legal, você também deve ter tido um passado, todo mundo, então acho que isso é muito saudável para gente.

W (DD): Bom, além de todo esse papo que a gente ainda vai bater, estamos só começando agora Vitão, a gente também ouve música aqui no Wikimetal e hoje você vai nos ajudar na seleção musical que vai rolar né?

VB: Opa! Lindo.

W (DD): Eu queria que a gente fizesse uma espécie de viagem no tempo. Você que acompanhou tanto de Heavy Metal desde o começo, você acabou de comentar, antes realmente do movimento começar ou bem na época que começou.

VB: Antes era rock pesado, rock pauleira.

W (DD): É rock pauleira. Você pegou toda essa época, todas essas décadas. Então a gente vai pedindo, vamos avançando no tempo. Para começar, queria que você escolhesse uma música que para você foi muito importante ou que você acha que representa a década de 70. Uma música de Metal que para você foi muito importante ou que você quer rolar ela agora aqui no Wikimetal?

VB: Tem duas, mas vou escolher uma. Para mim Children Of The Grave do Black Sabbath que eu acho que é aquela levada, aquela “tannnn”, sabe aquelas puxadas do Iommi para mim, quando eu ouvi isso eu falei gente do céu: “quando eu crescer eu quero ser o Bill Ward”, alguma coisa desse tipo. Outra também é a Highway Star na versão ao vivo do Made In Japan que faz 40 anos agora em dezembro e continua sendo tão atual, tão referencia nos dias de hoje.

W (NM): É a melhor música ao vivo dos tempos na sua opinião?

VB: Eu acho cara, porque só tem um overdub, na Child in Time que é confesso e o Purple até hoje quando eles gravam, eles não fazem overdub, mas o Roger Glover falou “só tem um overdub”, vão crescendo da voz do Gillan que precisou. O resto é tudo ao vivo mesmo, tudo in natura, sabe? E até hoje é referência, mas o Children Of The Grave é uma música que quando escuto as tripas mexem aqui dentro.

W (NM): Em qual versão?

VB: Eu gosto do Live Evil.

W (NM): Live Evil com o Dio?

VB: É.

Lembro quando o Krisiun foi no Backstage na 97 ainda, sem nada, eles não tinha onde dormir naquela noite. Eles falaram ‘nós vamos ficar debaixo do viaduto ai'”

W (NM): Acabamos de ouvir agora Children Of The Grave com o grande Ronnie James Dio nos vocais do excelente disco ao vivo do Black Sabbath Live Evil, escolha do Vitão Bonesso como a música que melhor representa o Heavy Metal nos anos 70. Vitão, já que estávamos falando daquela época do Black Jack e tal, mais ou menos anos 80. Como você analisa o apoio que o publico dava as bandas naquela época nos anos 80 e hoje em dia o que você acha que mudou?

VB: Acho que era tudo mais artesanal né? Troca de demos. Correio, né? Usava o correio para mandar uma fita, então eu achava que era artesanal, amador. Talvez sim talvez não, muita gente se tornou profissional mediante a essa cultura de troca de demos e tudo mais. E tínhamos algumas revistas aqui, teve nos anos 70 a Historia e a Glória do Rock que era como se fosse um background da Roadie Crew numa edição só, mas muita coisa errada, realmente faltava informação. Nós tínhamos o jornal Rolling Stone. Acho que era bem artesanal, mas era legal. Existia aquele contato na hora que você queria trocar um disco, comprar um disco, ir na galeria, marcar uma ponta na galeria do rock, era muito legal.

W (NM): Hoje marcar uma ponta é outra coisa, né?

VB: Marcar uma ponta é outro papo.

W (RM): Vitão, pensando nesse tempo de Black Jack, tinham muitas bandas cover, a sua também que tiravam as músicas com qualidade. Era muito legal porque trazia pra gente uma coisa que era impossível de ter, algumas bandas que não pisavam por aqui. Hoje em dia, que o Brasil é um solo sempre visitado por muitas bandas, como você coloca as situações das bandas covers? Ainda tem espaço? Elas tocam, elas se dedicam para tirar com qualidade? Como você trás para hoje em dia?

VB: Eu acho o seguinte, muita gente mete o pau “pô cover?” Tem que tocar música autoral e tudo mais, mas tem muita gente que faz música autoral e faz cover para sobreviver, então temos que respeitar o músico nesse sentido. Não é o meu caso, eu sou calhorda, eu gosto de tocar Black Sabbath, não quero saber de compor, não quero ter banda, já tenho o meu trabalho que já me toma espaço, se eu tivesse que fazer uma banda autoral, isso, aquilo, eu teria que me dedicar de uma forma, que talvez eu não teria esse tempo. Então tem as bandas covers, algumas que foram legais, eu fiz parte dos Beatles 4 Ever que foi considerada a primeira banda cover, propriamente dita, no visual, né? Eu fiz parte deles de 80 a 84 eu fiz parte da banda. Depois veio U2 cover, Stones, Rock Memory, o Páscoa era o John Lennon do Beatles 4 Ever. Então se ganha dinheiro com isso, se o músico quiser sobreviver e não passar fome ele tem que dar seus pulinhos, muita gente vê o lado cover como meio pejorativo, eu vejo pejorativo a partir do momento em que o cara sobe lá e destroça a música alheia e acaba com a música, existe de monte, aos montes, entendeu? Mas até ai o público sabe dizer isso é uma porcaria e é “tchau e bença véio”, paga a comanda e não volta mais, bom essa banda é porcaria. O Electric Funeral vai fazer 25 anos no ano que vem, a gente esta mais velho que o Black Sabbath, cara. A gente ultrapassou eles, cara. Se a gente tá aí até hoje, vai uma galera legal assistir, acho que a gente oferece um detalhe: guitarra Gibson SG, o Soneca tocando com os Rickenbackers dele, sabe? É uma experiência. Usando batera com dois “bumbão”, é um saco levar aquilo, é um trambolho, tem que ter pick up para levar aquilo. Vou colocar num corsa?

W (NM): E outra coisa, tem gente que quer ouvir o Black Sabbath ao vivo e o Black Sabbath não vai vir para cá, ou pelo menos não tem previsão.

VB: Exatamente, então na hora que você vai tocar um Black Sabbath você tem que ter um Marshall lá atrás, você não tem um cubinho da Voxman. Então a gente se dedica a isso, a gente não ganha dinheiro suficiente nem para pagar esse tipo de coisa, se eu rachar um prato Paiste da minha batera é um barão. Você sai do bar com 200 paus no bolso. Duzentos paus é a pele de um bumbo. Entendeu? Mas a gente faz por tesão. Então existe o lado do cara que sobrevive, ele tem que dar seus pulinhos e tocar em 20 bandas cover, mas se ele faz a coisa direitinho vamos levar em conta a sobrevivência do cara.

W (DD): E Vitão, qual que você acha que foi um elemento que faltou para as bandas que tocavam autoral, as bandas de Metal que surgiram nos anos 80. Tinham tantas bandas boas naquela época, coisa tão excelente assim que além do Sepultura que realmente estourou e tudo mais, o que você acha que faltou? Qual é o elemento que faltou para elas atingirem sucesso comercial no nível que o Sepultura atingiu?

VB: Dar um pé na bunda da mulherada. Se você pegar a maioria das bandas se desfez por causa das mulheres “ou eu ou a banda!”. Parece brincadeira isso cara, eu adoro mulher, mas pera aí? A mulher que você tem precisa te acompanhar, entendeu? É difícil, mas ninguém chegou lá de uma hora para outra, né?

W (NM): A gente entrevistou Andreas Kisser outro dia e ele falou isso.

W (DD): Ele falou do apoio que receberam das famílias que foi fundamental.

VB: Está vendo como que é? O cara ficou lá fora levando disco de porta em porta em gravadora, ficou 2 meses nos Estados Unidos comendo cachorro quente, até que uma hora ele bateu em uma porta certa, não é assim de você chegar e “tã”.

W (DD): E a porta se abre…

W (NM): A porta da esperança?

VB: É não é assim, não vira. Então se você não tem uma companheira que aguenta acontecer e mesmo se não acontecer ela fala assim “mas você tentou”, legal. Então o grande contingente de bandas que não deram certo no passado, pode ter certeza que 80 % foram por causa de mulher chata. E o pior é que os caras não estão com elas hoje. Eles vão ver a merda que fizeram “porra deixei minha banda por sua causa baranga desgraçada”” e não está com ela. O pior é isso véio.

W (NM): Vitão, quais são, na sua opinião, as grandes bandas de rock do Brasil e quais foram as mais injustiçadas??

VB: Cara, o Overdose, acho que foi uma banda que poderia ter tido uma sorte melhor, o Korzus foi uma banda que não teve uma sorte melhor, mas que voltou a ver o sol, agora com um belo álbum, maravilhoso, uma produção suprema, muito legal. Acho que o Torture Squad é uma banda que eu acho que merece muito mais atenção do que esta tendo, o Krisiun tem uma exposição legal, mas o Metal extremo é muito confinado a um nicho e isso talvez vá contra eles, mas são uns caras reconhecidos lá fora.

W (RM): E o último disco também ficou demais.

VB: Demais, eu me sinto orgulhoso de falar do Krisiun em particular que eu lembro quando eles foram no Backstage ainda na Kiss FM, não, na 97 ainda, sem nada, eles não tinha onde dormir naquela noite, entendeu? Eles falaram “nós vamos ficar debaixo do viaduto ai”. Então foi um negócio de você ver os caras crescendo e mantendo aquela postura “e aí, e aí Metal extremo imperando, Metal melódico tem que morrer tudo”. Eu acho que é isso aí, é a praia deles e eles como ninguém sabem surfar nessas ondas. Tem o Nervo Chaos também, que esta em turnê, inclusive lá fora e o Angra que é uma ótima banda, mas os caras brigam mais do que tocam! Lançam um disco e o pau fecha, sabe, é muito ego, eu já falei para eles “vocês tem uma puta de uma carreira maravilhosa, vocês têm nome, ainda tem muitos fãs. Dá para parar de brigar “caralho”, vamos tocar, vamos fazer alguma coisa para gente? Meu, a gente esta ficando velho, vamos procurar chegar em um ponto de ganhar uma grana legal e se aposentar?” Não, briga.

W (NM): E daquela época de A Chave, Golpe, Centúrias, Vírus?

VB: Ah, era legal também, eu lembro do Golpe, eu fiz alguns shows com o Golpe, quando o Paulão estava com problema de pedra no rim, era outra pedra. Eu toquei com o Golpe de Estado, conheço o Helcio, conheço o Paulo desde 1977, éramos colecionadores de coisas do Deep Purple, era ele, o Nelson e o Andre Cristovão. Eu vi o Golpe de Estado nascer e foi muito legal ver essas bandas. O Centúrias que era legal também e que está de volta, eu acho muito legal, saudável para caramba. Vírus, nossa tinham várias bandas, Harppia, era mais “troncudona”, mas era legal.

W (RM): Vitão, vamos seguir ouvindo mais um som. Seguindo a cronologia, você escolheu uma música dos anos 70, agora dos anos 80?

VB: Véio, anos 80? Mais uma do Black Sabbath pode ser? Hot Line do Born Again, vai fazer 30 anos em 2013.

W (NM): Único disco do Black Sabbath gravado com Ian Gillan nos vocais.

VB: E é bom hein? Quiseram arrancar o meu pescoço. Tem uma história: Eu fiz aquele Road Collection da Roadie Crew e eu botei lá Black Sabbath: Volume 4 e Born Again, “como é que você não colocou Heaven and Hell?” “como não colocou o Paranoid”, eu falei “tá escrito ali, é pessoal”, e ai falaram “esse cara não conhece nada de música, esse Born Again é uma porcaria” e ai começaram a chegar os emails “eu queria me desculpar com o Vitão Bonesso, eu jamais tinha ouvido o Born Again, ouvi por causa da matéria e o disco é do caralho”.

W (DD): Meu, Trashed é demais.

W (NM): E Zero the Hero…

W (DD): Essa foi a Hotline do Black Sabbath, mais uma escolha de Vitão Bonesso.

VB: Eu juro que eu vou parar com o Black Sabbath.

W (DD): Não, pode continuar! Aqui é você que manda hoje.

W (RM): Não, a gente adora.

O grande contingente de bandas que não deram certo no passado, pode ter certeza que 80 % foram por causa de mulher chata”

W (DD): Você já fez centenas de entrevistas, com heróis nossos do Heavy Metal, qual é aquela que vem na sua cabeça em primeiro lugar quando você pensa em tudo que já fez, em todo mundo que já falou, a primeira. Qual que vem?

VB: Ritchie Blackmore. Foi a que me deu mais suador, todos nos sabemos da personalidade do Blackmore, às vezes ele tá legal, ele não é bipolar, ele é tripolar, né, o cara. Então na hora que pintou a oportunidade de fazer isso em 96 aqui no Brasil, no show do Rainbow, ele já tinha dado um cano na MTV, eu lembro que eu cruzei o Gastão no Olímpia puto da vida “trouxemos toda a equipe aqui e o cara foi embora para o hotel” e eu tinha uma entrevista agendada com ele também, falei “Pô rodei, já era”. Ai o tal do Robert que era o assessor dele falou assim: Olha ele vai te atender no hotel, eu “por que”? Porque ele não gosta da MTV. Ai acabou o show, fomos para o hotel Della Volpe aqui pertinho, ele recebeu a gente em uma suíte, estava ele e mulher dele que é a Candice Night que está no Blackmore’s Night, eles estavam começando a mexer no Blackmore´s Night, ficou eu e o Regis Tadeu fazendo a entrevista, foi um suador, mas foi legal, a gente tinha 30 minutos e ficamos 1 hora e pouco conversando com ele e ele foi super legal, é só não falar do Ian Gillan, querem cutucar o cara aí ele da voadora, mas foi o Ritchie Blackmore. Entre outras foi o Rick Wakeman, foi maravilhoso ele é um cara que para a entrevista pra contar piada, ele é muito legal.

W (NM): E de tudo que você fez na sua vida, qual foi a situação que te deixou mais orgulhoso?

VB: Tocar com o Glenn Hughes no Black Jack. Hoje é normal, os caras vem de fora, mas naquela época não existia isso, levei o Glenn Hughes lá e ele disse “e se eu quiser tocar?” Ai eu falei “já armei tudo”. Ele veio fazer uma promo trip na época do From Now One, acertei com a Roadrunner aqui no Brasil, era o Jerome, foi um dos primeiros locutores aqui e aí falaram que ele queria ir em um bar e eu disse que estava tudo armado. Isso, inclusive tem no youtube . Entrevistar o David Coverdale na Inglaterra foi legal, por causa que ia ser a festa de aniversário da 89, ia ter Megadeth, Queensryche e Whitesnake no Parque Antárctica e a 89 deixou bem claro que ninguém de outras rádios iria entrevistar o David Coverdale. Eu peguei o avião, fui entrevistar ele e botei no ar antes. Detalhe, a 89 não conseguiu entrevistar ele, nem com ele aqui.

W (NM): Você lembra o que tocaram com o Glenn Hughes na época?

VB: Lembro.

W (NM): Quem tocou também?

VB: O Paulão do Golpe de Estado tocou Burn, eu toquei Smoke on the Water, You Keep on Moving, toquei aquela The Boys Can Sing The Blues do álbum Blues dele e Why Don´t Stay, alguma coisa assim, do álbum From Now On.

W (NM): E quem mais tocou?

VB: Bolinha, que era do Nocaute.

W (NM): Ele no baixo e vocal?

VB: Isso, o Juninho guitarrista do Nocaute também…

W (NM): Que também tocava todas, Deep Purple, Whitesnake…

VB:Isso, o Fernando Piu na guitarra.

W (RM): Vitão, qual as vantagens e desvantagens dessa facilidade que a gente tem de conseguir música hoje em dia?

VB: Tem pouca graça, eu estava conversando com o Nandão lá fora, a gente ainda curte comprar um CD, deixar o saldo bancário laranja, não vermelho.

W (NM): Antigamente era vermelho.

VB: Hoje em dia a gente ta um pouquinho melhor né? Mas eu gosto. Hoje mesmo comprei o Monster do
Kiss, olha que legal. Fui lá na Livraria Cultura “olha que lindo”, fui lá e comprei. Quando vou na galeria, saio com 6, 7, 8, 10 CDs, 4 DVDs, eu ainda sou um consumidor à moda antiga. Às vezes eu baixo alguma música, quando me pedem para gravar a chamada de um show que vai ter e eu não tenho o disco lá, aí baixo, mas não para queimar o CD e ouvir no carro, eu não faço isso, eu gosto de ter os meus cdzinhos ali, gosto de ter os meus vinis ainda. É uma cultura que muita gente está voltando a ter inclusive, mas muita gente se desfez de muita coisa, inclusive eu. Na época do CD eu vendi bastante vinil, só ficaram os autografados, porque eu acho que o vinil é legal para autografar, cabe dedicatória, um monte de coisa.

W (NM): No pen drive que você não vai pedir um autografo né?

VB: Pois é, assina meu pen drive?

W (DD): Vitão, o papo tá muito legal, a gente vai fazer uma paradinha agora para fazer um dos quadros. A gente sempre conversa com os nossos WikiBrothers e eu vou pedir para você chamar esse quadro para a gente.

VB: Olha, vocês vão ouvir agora no Wikimetal o Papo Pesado, com os ouvintes que são mais pesados ainda.

W (NM): Vitão, a gente tem um projeto junto com um jornalista chamado Luiz Cesar Pimentel, que a gente tá querendo contar a história do Heavy Metal no Brasil através de um livro, na verdade esse livro vai ser colaborativo, as pessoas vão mandar seus comentários, mandar seus textos e ao longo do tempo a gente vai reeditando os capítulos.

W (DD): É um livro vivo que à medida que vai aparecendo mais histórias a gente vai reeditando, já tem 3 capítulos escritos, o começo, lá atrás, quando começou o movimento. E aí?

W (NM): E aí, você faz parte dessa história.

VB: Eu falo logo de cara, se não me chamar leva uma porrada. Tenho que participar disso aí cara, a gente tem uma parcela grande, 25 anos praticamente, porra 24 anos.

W (NM): 25 anos trabalhando, mas vivendo o rock, o Metal, como você falou “antes de existir o Metal”.

VB: Eu fui assistir Alice Cooper no Brasil, em 74.

W (DD): O primeiro show de Metal, né? Aqui.

VB: eu tinha 13 anos, no Anhembi, eu entrei na porrada e sai na porrada, você não entrava lá, me entraram.

W (DD): A gente entrevistou alguém que contou essa história. Que foi uma confusão para entrar.

VB: Tinha 50 mil pessoas para entrar em 2 portões. Fiquei estampado em um portão durante uns 15 minutos, até que eu caí porque ninguém estava mais me estampando. Me perdi de um primo meu, eu tinha 13 anos. Eu vi o Som Nosso de Cada Dia abrindo o show cara, falei “caralho”, aquilo já tinha sido ótimo, imagina o Alice Cooper depois? Foi foda.

W (DD): Então a gente conta com você para ajudar a compor a História do Metal, hein?

VB: Com certeza.

Eu tinha 13 anos quando fui no Alice Cooper no Anhembi em 74. Eu entrei na porrada e sai na porrada, você não entrava lá, me entraram.”

W (DD): E pegando esse gancho, de MP3, CD, eu concordo com você. Não tem nada como vinil, CD, essas coisas, pegar, abrir o encarte, ler os agradecimentos, aquela coisa que só os fãs mesmo fazem. E você tem uma coleção fantástica de vinil, CD, DVD e tal. Eu queria que você falasse um pouco, que outras coisas, não sei, camisetas, que outros artigos, fala alguma coisa interessante que você tem na sua casa?

VB: Camiseta de turnê, as gringas, eu tenho lá, não vou jogar fora, não vou fazer pano de prato, pano de chão. Eu tenho algumas camisetas, acho que umas 30, 40 camisetas de turnê que eu assisti lá fora. Algumas que eu comprei aqui, mas que são importadas, coisas bem legais, com destaque aquela que o Tony Iommi mandou pelo correio do Born Again, a história é maravilhosa. Em 95, estava na Forbidden Tour, assisti ele no Manchester Apollo e na hora estávamos conversando e ele me deu uma caveira promocional, na entrada da minha chácara tem essa caveirinha, a noite ela ilumina, tem na bateria também, ele me deu duas e me deu duas camisas da Forbidden Tour. Falei que tinha varias camisetas de turnê, mas uma que eu quero não tenho, ele perguntou qual? “do Born Again”, ele fez “uhh”.

W (NM): É uma azul clara?

VB: Não, é preta com o demoninho. Ele falou “olha, eu tenho em casa, um monte, que quando a companhia fazia mandava para gente, não tem nem as datas atrás, eles mandam pra ver se tá legal isso e aquilo…Eu tenho um fardo na minha casa” pediu meu endereço e mandou, cara… Essa camiseta está enquadrada, eu mandei fazer um belo de um quadro com Born Again em cima autografado por eles, inclusive pelo Bill Ward, foi a prestação né? Veio o Gillan primeiro. E mandou meu, para mim a camiseta. Tenho fotos minhas por ai com ela, mas depois que eu vi que o diabinho começou a ficar meio torto, falei “vou enquadrar”. Tem também Tour books, tenho vários. Gosto de Box, aquelas versões digipack que tem no Japão. Só do Born Again tenho 6, 7: Digipack alemão, digipack japonês, o pirata da época.

W (DD): Agora o Nando vai pedir para você escolher uma música, mas só para pegar o gancho e nossos WikBrothers ficarem ligados e ouvirem o programa até o final, porque no final vai ter uma promoção que tem a ver um pouco com isso, com Black Sabbath, com digipack, com essas coisas.

W (NM): Anos 90 Vitão. Qual som que melhor representa essa década tão peculiar na história do rock?

VB: Década transitória, né? Cara, nos anos 90 tem um álbum que eu acho simplesmente fantástico que é o PainKiller do Judas Priest, mas não vamos tocar PainKiller, vamos tocar Hell Patrol.

W (DD): Essa foi a Hell Patrol do Painkiller. Rafinha, talvez você se lembre, eu acho que Painkiller é o disco mais tocado aqui na história.

W (RM): É, eu acho. Vitão, o apoio que o público dava nos anos 80 para as bandas, que era muito, eram todos muito fervorosos… O que você acha que mudou para o público de hoje?

VB: Eu acho que existe ainda o apoio para bandas novas, mas acho que existe também muita molecada, graças a Deus inclusive, que está procurando saber as coisas antigas. Isso a internet ajudou demais também, porque fica mais fácil “Meu tio falou de um tal de Grand Funk”. O que é o Grand Funk, será que é funk carioca? Alguma coisa funk? Um funkão? O cara vê lá que é uma música que toca sempre na Kiss, ou na American Band ou Footstompin’ Music, isso é legal, ai o cara baixa o CD “isso é mais legal ainda”, “olha o som desse baixo com distorcedor”. Então acho que a internet ajudou essa molecada, que não tem o poder aquisitivo tão legal a navegar para trás e descobrir muitas bandas legais. Um moleque falou “eu tenho 16 anos e queria ouvir Armagedom no seu programa. “Armagedom véio?” Caramba? Dust?

W (DD): Estávamos falando antes de começar a gravar que voltar no tempo musicalmente é avançar né?

VB: Totalmente, não é regredir não, voltar é você estar parado no tempo! Graças a Deus, se for essa conotação? Graças a Deus, eu quero ficar parado aqui. Por que? Não que a coisa atual não esteja legal, mas acho que a essência de gravar um disco é diferente, hoje o cara grava um disco no banheiro se ele quiser, não existe mais aquele negocio “acertei a hora da bateria”, seleciona, deleta e tchau, meu era “faz de novo”.

W (NM): Os primeiros discos do Queen eram tudo ao vivo, direto, vocal, não tinha overdub nada.

VB: E depois dava uma consertadinha aqui, uma “maquiadinha” ali.

W (NM): Tinha que cortar a fita na mão né?

VB: É e colocar aquele “plastiquinho”.

W (DD): Vamos falar agora de uma banda que já tem 25 anos de carreira: Electric Funeral. Hoje tem uma formação que dá para falar “meio estrelas do Metal”. A gente tem Carro Bomba, Baranga, King Burn, muito legal, mas também já passaram nomes tipo Andreas Kisser, Helcio que você já citou, Andria Busic, Tigueis. Fala um pouco sobre toda essa história?

VB: Começamos eu e o Helcio a fazer o Electric Funeral, eu lembro que a gente não tinha nem nome. Estávamos na 97 e íamos fazer o primeiro show no Black Jack e o Kid Vinil tava fazendo “Meu, qual o nome da banda?”eu falei “puta nome?” Vocês não vão falar que são Black Sabbath, né? “Electric Funeral”, foi assim, na hora e Electric Funeral ficou e depois era o Chris Skerpis que era o vocalista e o Renê Seabra, essa foi a primeira formação. Depois teve o Rogério Fernandes duas vezes, foi voltou, foi voltou. Teve o Andria.

W (DD): Nossa, uma linhagem de baixistas, hein?

W (NM): Mas também, para fazer Geezer Butler tem que ser bom né?

VB: Todos, tenho muito respeito, ainda cruzo com os caras, a gente pretende em novembro do ano que vem fazer uma bela de uma festa com todas as pessoas que tocaram no Electric Funeral, a não ser um que era um casca do caramba, não vou nem citar nomes, mas só um. Até que tá bom, deixa ele.

W (DD): Ele teve umas 12 formações? 15 formações?

VB: Ah sim, é verdade e o Andreas foi engraçado porque o Carro Bomba ia gravar o primeiro disco e eu lembro que o Schevano chegou pra gente, depois daquele show que gente abriu para o Wasp na via Funchal, ele falou “meu esse é o ultimo comigo, vou ter que gravar um disco, vou precisar tocar com The Noni Brothers, que fazia cover para levantar uma grana, legal. E o Andreas tinha dado uma canja, imagina o Andreas dando uma canja? E falou “pô, o cara vai sair da banda?” falei “vai” “pô meu” falei “Que foi alemão?” “Ô Vitão, me chama ai? Vamos fazer a parada?” falei “Pô meu, você bebeu o que? “Pô Vitão, vamo ai caramba” Foi assim, se convidou. E a gente fez, mas ele teve que sair porque compromisso? Ele foi meio tirado, ficou até meio puto. “Pô Andreas? Quatro shows tentei marcar você não pode” e foi na mesma época que o Schevano ficou a disposição.

Algo que tenho muito orgulho é de ter tocado com o Glenn Hughes no Black Jack.”

W (DD): E não foi com o Electric Funeral, mas você se apresentou no Hammersmith de Londres?

VB: Pois é, isso foi em março de 95.

W (DD): Conta essa história ai?

VB: Foi solo, foi unplugged?

W (NM): Um acapella?

W (DD): Como foi isso Vitão?

VB: Eu estava lá, primeira vez que eu tinha ido para Londres, um dos primeiros lugares que você quer ir é atravessar as faixas do Abbey Road e conhecer o Hammersmith. E lá fomos nós. Eu lembro que era um domingo a tarde, 5 horas da tarde e estava tudo aceso, falei “meu! teve show aqui? Não é possível?” E não estava tendo show. Em cartaz estava aquele espetáculo River Dance que estava ocupando o teatro por um bom tempo, ficaram lá por uns 4 anos, não estava tendo show. Quando entrei, vi que tinha um monte de negão grandão tocando, cantando música gospel, cheguei pro segurança “Que que é” “É uma igreja da região, eles alugam”. “Posso entrar?” “Pode”. Meu era o único branco eu e meu amigo, só negão cantando. Um cara com um puta de um Hammond no palco, puta som. Falei “até isso os caras são bons né?” Acabou o culto, todo mundo começou a sair e nós lá filmando. Eu tenho filmado, luzes acesas deu para filmar tudo. Ai chegamos para o mesmo repórter, um tal de Michael. “Michael a gente é do Brasil e queríamos fazer uma reportagem sobre o Hammersmith” ele “Come with me”. Subimos no balcão, olhamos, ele começou a entrar em uns lugares e perguntei onde estava levando a gente? “Backstage”. Fomos em todos os camarins, embaixo do palco e tem tudo isso filmado e de repente estávamos no palco e já tava vazio e tudo iluminado. Falei “Luizão, pega isso ai” Luizão que era do Hammerhead, Luiz Cesar. Subi lá e comecei “Lata d´agua na cabeça, lá vai Maria” ele “Não tem outra bosta para cantar não?” eu falei “O que me veio na cabeça agora”.

W (DD): Único brasileiro que cantou samba no Hammersmith.

VB: E fiquei dois minutos, falei? “Bicho? Cara?” Never Say Die, aquele DVD foi gravado aqui. Whitesnake?

W (DD): Queen, Iron Maiden.

W (NM): Live in the Heart of the City foi gravado lá.

W (DD): Cinco músicas do Live After Death, para mim o melhor disco ao vivo do Iron Maiden, cinco músicas são de lá.

VB: Seven Gates of Hell do Venon, ou seja, quem não cantou no Hammersmith? Mais fácil fazer essa pergunta. O Elvis! Nunca foi para Inglaterra, nunca foi para Europa ele só foi para o Canadá, não saia, tinha pavor de avião. Então ali no Hammersmith quem não tocou? O Elvis.

W (DD): Porque o Vitão? Cantou.

VB: Eu fui, véio. Depois sai lá e fiz de brincadeira. Falei “Meu você acabou de se apresentar no Hammersmith, cara?” Tava tudo aceso como se tivesse tendo um show (cara tava varrendo isso e aquilo) e você fez um show e falei “Porra é mesmo!”.

W (RM): Vitão se você pudesse escolher uma mulher rockeira, uma mulher Metal, a mais importante, quem você acha?

VB: Eu gosto muito da Doro, acho que a Doro é simples para caramba, uma mulher trabalhadora, conversei com ela. Ela rala até hoje, é uma senhora de 50 anos de idade, deve ter 49, 48 e continua gostosa inclusive, ainda rende um caldo, caldo branco.

W (RM): Você acha isso Nando?

W (NM): A Doro? A Doro é uma artista maravilhosa.

VB: Ela batalhou, mora nos EUA, recentemente o furacão levou a casa dela embora, ela sempre foi batalhadora para caramba.

W (DD): Ela gravou um DVD muito legal agora recentemente 25 anos de carreira.

VB: DVD com um monte de gente, Scorpions. Ela ficou mal, não acreditava. Scorpions comigo? Aquele sotaque dela. O Rob Halford não é a rainha do Metal? Acho que é a Doro. Entre tantas outras, Floor Jansen que esta no Nigthwish hoje que é uma ótima voz. A Tara já é mais lírica, acho que ainda não existe aquele lado Metal nela. A Doro é a mais “true” de todas.

W (DD): Para fecharmos a viagem musical queria que escolhesse uma música mais atual dos anos 2000 para cá.

VB: É mesmo? Jura? Kill Devil Hill, Strange

W (NM): A gente sempre pergunta isso para os nossos convidados que normalmente são músicos, artistas, mas nesse caso você como comunicador. Qual conselho você daria, inclusive para gente, pessoas que estão interessadas em divulgar e difundir o Heavy Metal?

VB: Trabalhe! Nada é fácil. Eu consegui me manter, só com o meu trabalho, de 93 para cá. É um puta tempo. De 88 até 93 eu tinha meu trabalho e até o momento que cheguei e falei “agora ou vai ou racha”, era casado tinha 2 filhos pequenos e abandonei um trabalho. Eu era gerente operacional de uma transportadora e cheguei lá e falei “tô saindo fora” para que? “para me dedicar a um negócio que acredito”. Tem que acreditar e ralar em cima da sua crença, nada aparece por acaso. Você tem que batalhar. Ah tive sorte? Tive sorte de talvez ter sido corajoso de chegar nesse ponto e dar um bico para trás e falar é daqui para frente. Só temos que nos arrepender daquilo que não faz. Eu tinha um risco muito maior, tinha filhos, tinha que ter comida em casa, não morava com pai, com mãe, nada disso. Então foi aquele negocio que falei “eu vou, e vou” e deu certo graças a Deus nunca tive nenhum tipo de problema que fizesse me levar ao arrependimento. Problema financeiro todo mundo tem, altas do mercado, baixas, eu graças a Deus consegui me manter e me mantenho muito bem trabalhando, mas tem que trabalhar muito.

W (RM): Chegamos a um momento muito bom do programa, que é a promoção, temos hoje um prêmio maravilhoso que tem a ver com o programa, tem a ver com uma banda que o Vitão gosta muito. Nando Machado o que você trouxe para nos?

W (NM): Temos aqui uma edição Deluxe maravilhosa do Dehumanizer, um excelente disco. Abre em várias partes, tem um livrinho, tem duas partes: uma é o disco inteiro, outra é o show, versões dos singles. Que pergunta tem que acertar para levar esse baita prêmio?

W (DD): Vitão vai escolher a pergunta.

VB: Pra essa formação que foi o retorno Ronnie James Dio para o Black Sabbath existia um baterista antes do Vinny Appice quem era ele?

W (DD): Quem era o baterista que estava no Black Sabbath antes de Vinny Appice quando o Dio voltou para o Dehumanizer? Mande para [email protected], respondendo a essa pergunta de Vitão Bonesso e você estará concorrendo ao Dehumanizer edição Deluxe fantástica.

W (RM): O premio é bom, mas a pergunta não ficou fácil.

VB: Quer complicar ela? E por que ele não ficou na banda? Quer complicar mais ainda? CIC e RG dele?

W (DD): A resposta mais completa ou se tiver varias resposta a gente sorteia e ai vai ser o premio Dehumanizer muito bacana. Para terminar o episódio com Vitão Bonesso que foi muito especial para gente muito legal.

W (NM): Faz tempo que a gente queria desde o começo

W (RM): A gente tem o ID do Vitão acho que no show de quem?

W (DD): Alice Cooper

W (DD): Para terminar a gente vai pedir uma última música para ouvir e não podia terminar o programa sem a nossa pergunta tradicional. Você tá no banho, ouvindo ipod, esta numa estação de radio tocando milhões de músicas de Heavy Metal, toca uma toca, toca duas, toca três, de repente toca uma música que você não consegue se controlar, tem que bater cabeça, pode estar na rua, na farmácia, onde você estiver, qualquer lugar tem que bater cabeça, você não consegue parar. Que música é essa para gente ouvir agora e fechar o programa com Vitão Bonesso?

VB: Cathedral, Hopkins (The Witchfinder General) que o solo é do Tony Iommi.

W (DD): Fechamos então o episodio e com essa música?

W (RM): Queria agradecer muito a presença do Vitão, quer dizer a nossa presença, ele nos convidou para vir aos estúdios.

VB: Foi uma troca. Vocês vão vir no Backstage também. Essa entrevista, se eles permitirem, vou botar essa entrevista, porque o programa vai fazer 24 anos. Podemos botar essa entrevista no programa na Kiss, depois que vocês rolarem inclusive, eu vou rolar também a entrevista que eu vou fazer com os caras do Wikimetal. Por que não?

W (NM): Valeu Vitão, um puta prazer, uma grande honra, conte sempre com o Wikimetal.

VB: É nóis! Valeu! Obrigado pelo convite e valeu pela participação de vocês também.

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