Eu amava cantar as músicas do Baloff ao vivo, eu amava. Eu pude compor músicas depois disso, mas por algum motivo eu adorava tocar Bonded by Blood”

W (Nando Machado): Oi, Steve, aqui é o Nando, do Wikimetal, como você está?

Steve Souza: Ei, como você está?

W (Daniel Dystyler): Oi, Steve, aqui é o Daniel. Nós estamos ligando do Brasil, como você está?

SS: Estou bem.

W (NM): Steve, toda vez que nós entrevistamos alguma lenda as era do thrash metal, especialmente da bay area, nós fazemos a mesma pergunta: como vocês criaram um som tão diferente naquela época, que era tão diferente de tudo o que estava acontecendo, em termos de hard rock e heavy metal? Na sua opinião, quem foram os principais responsáveis pela criação do thrash metal no início dos anos 80?

SS: Sem dúvida nenhuma: Gary Holt, Tom Hunting, Dave Mustaine, Kerry King, qualquer uma das primeiras bandas… Honestamente, eu acho que foi o Gary Holt. O Exodus não teve necessariamente o sucesso e a notoriedade que merecia, mas eu acho que o Metallica aprendeu muito do que eles fizeram assistindo ao Exodus. Sabe, o Kirk se juntou à banda, então honestamente, eles foram uma grande influência para eles, então se eu tivesse que falar – sem ser arbitrário, porque eu fui do Exodus, e essa era minha banda, mas eu teria que dizer, sim, o Exodus começou o thrash metal. O Tom Hunting foi o primeiro a criar essa batida de thrash metal, então eu diria que foram todos os primeiros caras, e nós viemos um pouco depois, sabe, Legacy, Testament, Vio-Lence, Forbidden, Death Angel… Tudo fez parte disso, tudo fez definitivamente fez parte dessa influência.

W (NM): E só por curiosidade, Steve, como você recebeu o apelido “Zetro”?

SS: Ah, isso foi só uma piada que alguém fez comigo no colegial, porque eu estava rindo desse desenho de uma baleia que eu havia visto, que era idiota e se chamava “Zetro”, em uma festa. E eu fiquei falando “Zetro, a baleia, Zetro, a baleia” e daí, eu não sei, depois disso todo mundo começou a falar “Ei, Zetro”, e então pegou, então é meio que uma história boba, que eu conto.

W (DD): É uma história ótima, obrigado por compartilhar! Você era o ex vocalista do Testament quando a banda ainda se chamava Legacy, e em 2001 você cantou em duas músicas no álbum do First Strike, “Still Deadly”. Como é a sua relação com os membros do Testament atualmente?

SS: Minha relação com todas as bandas é ótima. Eu até… Eu escrevi músicas para o “The Formation of Damnation”, e eu escrevi quarto músicas para o novo álbum deles, “The Dark Roots of Earth”. O Chuck Billy e eu temos um projeto paralelo, chamado “Dublin Death Patrol”, então eu sou muito próximo dele, eu sou muito apegado a esses caras. O Hatriot até tocou com o Testament em um show na bay area no dia 19 de fevereiro.

W (NM): Sim, já que você mencionou, eu ia perguntar sobre o seu projeto com o Chuck, o DDP. Quais são os planos para esse projeto? Ainda está rolando nesse momento?

SS: Eu acho que para bandas estabelecidas, você poderia ir para… Sábado a noite eu fui assistir o Forbidden, e todas as pessoas desse gênero, todo mundo vai e apoia, então você sabe que se você for ao show, você vai encontrar os seus amigos, com os quais você começou tudo isso, a maioria em 1983/84, no começo.

W (DD): Steve, antigamente, quando você era o cantor principal do Exodus, como você se sentia cantando as músicas clássicas de um dos álbuns mais importantes da história do thrash metal, o excelente “Bonded by Blood”?

SS: Boa pergunta, boa pergunta… Ótimo, incrível, até, se você me perguntasse, de toda a obra do Exodus, o que eu gostaria de cantar ao vivo, eu amava cantar as músicas do Baloff ao vivo, eu amava. Eu pude compor músicas depois disso, mas por algum motivo eu adorava tocar “Bonded by Blood”, eu era sempre aquele que ficava falando “Ei, coloque mais algumas músicas do ‘Bonded by Blood’!” Eu amava, eu era um grande fã do álbum, então se você me der uma oportunidade de cantar essas músicas, eu vou agarrar essa oportunidade.

W (NM): Ótimo, isso é ótimo de ouvir, porque nós também somos grandes fãs desse álbum.

W (DD): Nós amamos esse álbum.

SS: Esse é o melhor álbum, quer dizer, pense bem, eu era fã desse álbum no Legacy, e depois eu tive a oportunidade de me juntar a essa banda… E a agressividade que eles têm, toda música é “Nossa, essa música é incrível!” É simplesmente… É o significado do clássico… Se você quiser resumir o thrash metal, e como ele começou, você provavelmente poderia eliminar todo o resto… Talvez o “Show no Mercy”… Eu acho que o “Bonded by Blood” tem alguma coisa em todas as músicas que representa o que é o thrash metal, o que foi e o que sempre será.

Depois disso todo mundo começou a falar Ei, Zetro, e então pegou, então é meio que uma história boba, que eu conto.”

W (NM): Mudando de assunto, Zetro, nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, que nós fazemos a todas as pessoas que nós entrevistamos: imagine que você está ouvindo música no seu ipod no shuffle, e de repente começa a tocar uma música que você começa a headbangear imediatamente, onde quer que você esteja.

W (DD): Você não consegue parar de headbangear, onde quer que você esteja.

SS: OK, essa é a pergunta mais fácil do mundo, e vocês deveriam saber essa resposta, são três palavras: “South of Heaven”. Ponto final.

W (NM): Uau, “South of Heaven”, do Slayer no Wikimetal.

SS: Eu não estou nem aí, quando eu ouço, o sangue começa a correr pelo meu corpo, como “Ai meu Deus, aí vamos nós!”.

W (NM): Incrível!

SS: Toda vez que “South of Heaven” começa a tocar, eu não ligo onde eu estou, eu digo “Para! Está tocando ‘South of Heaven’!” Eu tenho que headbangear, eu não ligo se eu estiver em um K-mart. Essa é a grande música.

W (DD): Com certeza. Você poderia anunciar essa música?

SS: Aqui é o Zetro do Hatriot, você está ouvindo Wikimetal e essa é a música clássica do Slayer, “South of Heaven”.

W (DD): Incrível, ótimo.

W (NM): Você entendeu a nossa pergunta, você entendeu exatamente o que a gente precisava.

W (DD): Steve, você pode compartilhar com os nossos ouvintes as lembranças que você tem do Paul Baloff?

SS: Ah, bem… Nós não temos duas horas… Tanta coisa. Você conhece alguns indivíduos, e o heavy metal está cheio de personalidades. Eu diria que o Paul Baloff era uma personalidade muito, muito, muito única. Mas eu me lembro de uma vez, é uma história muito antiga: nós estávamos em uma festa depois de um show do Exodus, e eu tocava no Legacy, eu nem era do Exodus ainda, e o gerente deles da época – o seu nome era Adam Segal – ele ficou muito bêbado, e o Baloff passou maquiagem nele para fazer com que ele ficasse parecido com o “Boy George” e tirou um monte de fotos dele. E começaram a o chamar de “Boy Adam” depois disso. Então isso pode te dar um pequeno gostinho do que era o Paul – quer dizer, só um gostinho. Toda vez que eu via o Baloff era um episódio, até, a última vez que eu vi o Paul, eu estava em uma Jam session com uma banda, só tocando, e ele estava morando no loft de cima, o mesmo lugar onde ele faleceu, e eu entrei e ele estava com uma arma de chumbo em uma mão e um drink de vodka na outra, e ele estava sentado no topo da escada, e quando eu entrei eu disse “E aí, Bay?”, e ele “E aí, Zet? Nada demais.” Eu não sei o que ele estava fazendo, dava para ver que ele estava um pouco bêbado, mas não era como se ele fosse atirar em alguém, parecia que ele estava esperando para ver se tinha alguma coisa no andar de cima, sabe, patrulhando, eu não sei o que ele estava fazendo… Essa foi a última vez que eu o vi.

W (NM): Falando sobre o período que você esteve com o Exodus, você gravou álbuns muito bons com a sua ex-banda. Qual é o seu preferido?

SS: Eles são todos muito bons, eu gusto de todos… Eu acho que na época em que nós gravamos o “Fabulous Disaster”, porque obviamente, o “Pleasures of the Flesh” foi o meu primeiro álbum, e eu amei, na época que eu graveu o “Fabulous Disaster”, eu já estava na banda há alguns anos, então eu já havia aprendido a aquecer os motores muito bem, então eu acho que esse álbum foi muito bom, e honestamente, quando nós voltamos em 2004 e lançamos o “Temple of the Damned”, eu acho que esse álbum também é muito forte. Eu escolheria o “Fabulous” e o “Temple”.

W (DD): Excelente, “Fabulous Disaster” de 88, um ótimo álbum. E falando sobre isso, você poderia escolher uma música especial do Exodus que representa o período que você passou com a banda?

SS: Bom, eu acho que todo mundo escolheiria a “Toxic Waltz”, sabe. Esse foi um período definitivo, eu diria que, se você quiser conhecer o Zetro no Exodus, “Toxic Waltz”.

W (DD): Vamos ouvir “Toxic Waltz” agora mesmo, no Wikimetal.

W (NM): E o Tenet, essa banda ainda está junta?

SS: Na verdade, isso nunca foi uma banda que tocava junta, o que era é que o Chad Silent, do Strapping Young Lad tinha essas músicas que ele havia composto e ele queria formar uma manda, eu acho que a ideia inicial era formar uma banda de verdade, mas eu acho que todo mundo na banda tinha outros projetos rolando, e é difícil mesmo, conseguir juntar todo mundo na mesma sala. Então eu estava… Na verdade, esse foi o primeiro álbum no qual eu não escrevi nenhuma palavra… Eu simplesmente entrei e gravei as letras que ele havia escrito, e nós nunca, até hoje, nunca fizemos um show, foi só o álbum que foi lançado. Eu amo esse álbum, é incrível, é simplesmente um lado completamente diferente de thrash metal que eu nunca tive a oportunidade de fazer, muito pesado, então foi muito divertido.

W (DD): Falando da sua nova banda, o Hatriot, vocês lançaram o primeiro EP em 2010, quais são os planos para o futuro, com o Hatriot?

SS: Eu vou fazer tudo o que eu fiz com o Exodus, esse não é um projeto paralelo, essa não é, sabe, uma coisa que eu estou só fazendo agora, eu vou levar isso para frente. Eu ainda estou negociando um contrato com uma gravadora para fazer com que isso vá para frente. Eu quero fazer uma turnê pelo mundo, pelo Brasil, pela Europa, fazer tudo isso com o Hatriot. Eu acho que é o novo thrash, mas da velha guarda, se você escutar com atenção, eu acho que há muitas influências do Legacy, do Testament, do Exodus, muitas coisas. Os caras da banda, sabe, o baixista é o meu filho, e o guitarrista e eu, que escrevemos tudo: eles são muito entendidos de thrash metal dos anos 80, muito, então eles fazem tudo muito, muito bem, todos eles. Eu escolhi cada um deles a dedo, e foi muito difícil encontrar músicos que se encaixassem ao meu estilo e que conseguissem criar uma banda que fosse nova, mas que ainda usasse as influências da velha guarda, então faz muito sentido.

W (DD): Sim, sim, definitivamente.

SS: Bom, vocês ouviram a demo, o que vocês acham? Vocês ouviram as quatro músicas, o que vocês acham? Quais são as suas opiniões?

W (NM): Eu gosto muito, me lembra, como você mesmo disse, dos álbuns antigos de thrash metal, o que eu acho muito bom.

W (DD): E, ao mesmo tempo, tem um elemento novo.

SS: Exatamente, vocês entenderam, e é exatamente essa mensagem que nós queremos passar. Nas entrevistas que eu faço, esse é sempre o feedback que eu recebo, por isso que eu sempre pergunto “Qual é a sua opinião?” e todo mundo diz “São influências da velha guarda, misturadas com novas, é muito novo”, e é isso que nós queremos. Eu acabei de escrever uma música nova, e ela se parece muito com a “Seasons of the Abyss”, tem um começo muito lento, mas depois fica muito pesada… Então é uma coisa velha/nova, o que eu acho que está funcionando muito bem para nós nesse momento.

W (NM): Já que você mencionou escrever letras, como você escreve as suas letras? De onde você tira as suas inspirações?

SS: De ser doente e maluco, eu acho. Tantas coisas me intrigam, que eu nunca fico sem ideias, nunca. Eu estou sempre pensando em alguma coisa surreal, desde um vampiro arrancando a sua cabeça, até alguma coisa que é meio real, como um tiroteio em uma escola… Qualquer coisa que seja crua, meio sombria, qualquer coisa que me intrigue – assassinatos, serial killers, o lado ruim do governo e a hipocrisia, esse tipo de coisa. Há muitas coisas sobre as quais eu poderia escrever.

W (DD): Nós sabemos que você é fã do Bom Scott, do AC/DC. O quer que seja que o Bom Scott representa para o heavy metal tradicional, você acha que é justo dizer que você representa para o thrash metal?

SS: Eu espero que sim, espero mesmo, eu realmente espero, porque eu acho que o meu estilo vocal é bastante único… Gostando ou não, é muito único, e eu venho cru do mesmo jeito, meu tom vocal é muito parecido… Eu até tenho, na bay área, onde eu moro, eu tenho meu próprio tributo ao AC/DC que eu toco em clubes, é muito legal.

W (NM): Então é justo dizer que você é o Bom Scott do thrash metal?

SS: Sim, pode me citar nisso.

Está tocando South of  Heaven! Eu tenho que headbangear, eu não ligo se eu estiver em um K-mart. Essa é a grande música.”

W (NM): Sobre o Hatriot, Zetro, como é tocar com músicos mais novos, especialmente com o seu próprio filho, Cody? Você sente que você tem que ser um modelo para esses caras mais novos?

SS: Claro, e eu não minto para eles, eu conto a verdade sobre como é a indústria, eu não omito nada. Eu digo o que eles vão alcançar com trabalho duro e diligência, e que nada é entregue de bandeja, então é assim que você tem que ser. Definitivamente, porque eu não tive isso, nós éramos apenas caras que tocávamos por aí, e esperávamos que desse certo. E eu tive muita sorte de conseguir durar nessa indústria há quase 30 anos, agora, e poder dizer isso, no heavy metal, ainda mais no thrash metal, eu deveria receber uma medalha por isso, todos nós deveríamos, nós que fazemos isso há tanto tempo. Então, é claro, quando nós estamos nos ensaios, quando nós estamos escrevendo, quando nós estamos fazendo qualquer coisa… Nós estamos prestes a gravar um vídeo que nós mesmos vamos pagar, para colocar no site, acesse o nosso site, ouça a música, vá ver a gente tocar, mesmo que não vá estar em nenhum álbum, nem nada, porque nós ainda não assinamos nenhum contrato, mas eu ainda acho que isso é bom para os nossos fãs… O diretor do vídeo do “Machine Heads”, ele vai filmar um vídeo de uma música chamada “Blood-Stained Wings”, em mais ou menos duas semanas, se você visitar o nosso site você vai poder assisti-lo, sabe, então eu acho que essas coisas são sempre… Você precisa aprender, e se eu soubesse disso no começo teria sido muito mais fácil para nós, então definitivamente, respondendo a sua pergunta, sim, eu definitivamente tenho que ser, e eu sou muito insistente em ensiná-los também.

W (NM): E eles te ensinam? Você aprende alguma coisa com eles?

SS: Com certeza, eu tenho que deixá-los mais soltos quando eles estão compondo música, então, sabe, eles são muito bons nisso, mas eu acho que eu sou muito firme em relação ao que eu quero e o que eu preciso, entende? E eu acho que eles lidam muito bem com isso, então eu aprendo sim algumas coisas, algumas influências talvez, coisas mais novas que eu não conheço necessariamente, mesmo sendo muito antenado no metal, eu escuto tudo, sabe, Faceless, Job for a Cowboy, eu escuto tudo, então eu estou muito ligado. Mas sim, com certeza eu aprendo muito, claro.

W (NM): Antes de terminarmos, Zetro, eu realmente gostaria de agradecê-lo pelo seu tempo, e obrigado por nos mostrar a sua nova banda, nós estamos aqui para apoiar o Hatriot, a nós esperamos que o Hatriot venha para o Brasil. Então, para terminar, você poderia deixar uma última mensagem para todos os nossos ouvintes? Esperamos vê-lo no Brasil muito em breve.

SS: Bem, obrigado, e obrigado a todos os fãs brasileiros de thrash metal, vocês me apoiaram sempre, eu sei, eu leio tudo na internet, cartas, coisas desse tipo, eu recebo muito apoio. O Brasil é a terra dos Cavaleras, o Sepultura, claro, vocês têm muito thrash metal, com certeza. Obrigado a vocês, muito obrigado.

W (DD): Muito obrigado, Steve, foi uma honra e um prazer falar com você.

SS: Foi um prazer falar com vocês, vamos nos falar de novo em breve, quando nós lançamos um álbum novo do Hatriot, que tal?

W (NM): Claro.

W (DD): Ótimo, muito obrigado.

W (NM): Conte conosco!

SS: OK. Ótimo.

W (DD): Tchau.

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