E eu fiquei amigo do Metallica, ainda sou muito amigo desses caras, mesmo depois de 20 anos. Nós viajamos pelo mundo todo.”

Wikimetal: Olá, Matt!

Matt Sorum: Olá, como você está?

W: Bem, e você?

MS: E aí, Wikimetal?

W: Estamos muito felizes de tê-lo em nosso programa, muito obrigado pelo seu tempo, em primeiro lugar.

MS: Claro, sem problemas.

W: Então, só para você saber, o Wikimetal é o maior podcast de Heavy Metal e Hard Rock do Brasil. Deixe-me perguntar, no início da sua carreira, quando você decidiu se tornar um baterista, quem foram suas principais influências?

MS: Bom, quando eu era pequeno eu vi na TV uma banda chamada “The Beatles”. Então eu falei para a minha mãe “Mãe, eu quero ser um baterista, como o Ringo.” E foi isso, eu vi o Ringo Starr e quis ser um baterista, então eu comecei a ouvir Led Zeppelin e Black Sabbath e Deep Purple – uma das minhas bandas favoritas era o Deep Purple – e eu me mudei pra Hollywood assim que eu terminei o colegial e comecei a tocar em algumas bandas por aqui. Acho que a primeira grande banda a qual eu me juntei foi o The Cult no final dos anos 80. E eu 1990 eu me juntei ao Guns N’ Roses. Voltei para o The Cult para uma turnê em que nós viemos para a América do Sul em 2000, 2001, e eu toquei bateria. E depois formamos o Velvet Revolver em 2004. Eu vim para a América do Sul em 2007 com o Velvet Revolver.

W: Alguma lembrança que você gostaria de compartilhar com os nossos ouvintes sobre o Sonic Temple Tour com o The Cult? Eu adoro esse álbum, como foi a turnê?

MS: Essa foi minha primeira grande turnê. Eu era novo nisso, em tocar em grandes estádios. Minha primeira parte do Sonic Temple Tour foi abrir para o Metallica nos Estados Unidos e no Canadá. E eu fiquei amigo do Metallica, ainda sou muito amigo desses caras, mesmo depois de 20 anos. Nós viajamos pelo mundo todo. Sabe, foi uma época incrível para mim. Se o Guns N’ Roses não tivesse aparecido eu teria continuado com o The Cult, mas a boa notícia é que eu vou para aí com o Rock N’ Roll All Stars e o Billy Duffy do The Cult vai se juntar a mim, então vai ser muito legal, nós vamos tocar algumas músicas do The Cult e vamos tocar um pouco de todas as minhas bandas: Velvet Revolver, Guns N’ Roses, The Cult, nós vamos tocar muita música boa.

W: Eu ia te perguntar isso mais tarde, mas já que você mencionou, o que os fãs de rock brasileiros podem esperar dessa reunião? E como vai funcionar, vocês vão ficar no palco o tempo todo? Vai haver alguma mudança no line up, como vai funcionar?

MS: Basicamente o que vai acontecer é: o Duff McKagan vai tocar baixo, eu vou ficar na bateria, o Guilby Clark na guitarra e o Steve Stevens vai ser nosso guitarrista principal, que é incrível, ele é da banda do Billy Idol, ele é um dos maiores guitarristas do mundo, eu acho. E ele vai ser o principal guitarrista. Então o Sebastian Bach vai cantar quatro ou cinco músicas conosco, ele vai cantar algumas músicas do Guns N’ Roses, Skid Row, daí o Glenn Hughes virá para o palco. Nesse ponto o Mike Inez vai tocar baixo, do Alice in Chains e Ozzy Osbourne. E nós vamos tocar um monte de músicas do  Deep Purple, e nesse momento o Mike vai continuar no baixo e o Billy Duffy do The Cult vai se juntar a nós vamos tocar algumas músicas do The Cult. Então o Ed Roland do Collective Soul vai aparecer e nós vamos tocar Billy Idol e Collective Soul. Então, nesse momento, o Duff vai voltar para o baixo e nós vamos tocar Def Leppard com o Joe Elliot nos vocais. Então vai ser um palco giratório, mas nós vamos ficar trocando, vai ser um longo show. O Joe Elliot vai aparecer e nós vamos tocar Def Leppard, algumas músicas legais do Def Leppard, e então nesse ponto o Gene vai aparecer, o Gene Simmons, ele virá no fim do show. O Gene Simmons vai tocar baixo. O Duff vai tocar guitarra, o Billy Duffy vai tocar guitarra, nós vamos ter todos os cantores, cantando as harmonias. Então todo mundo vai estar no palco no final, nós vamos tocar quatro ou cinco músicas do Kiss, e provavelmente vamos fechar a noite com o grande hino do Guns N’ Roses: “Paradise City”. “Rock N’ Roll all Night” e “Paradise City”. Vai ser incrível.

W: Eu estou muito empolgado de ouvir isso, imagine só estar lá, vai ser um show memorável. Vocês já tocaram juntos antes? Isso é algo que vai acontecer com frequência ou só para o festival?

MS: Eu acho que isso vai ser uma coisa de uma vez na vida. Eu acho que nós vamos fazer essa turnê na América do Sul e, eu não sei, é tão difícil juntar todo mundo, com todo mundo tendo suas próprias bandas. Essa experiência na América do Sul vai ser uma vez só. Sabe, o Gene vai voltar para o Kiss por dois anos, o Joe tem o Def Leppard, todo mundo trabalha então… Dessa vez em particular eu consegui encontrar o momento certo para que todos pudessem ir, por isso eu espero que as pessoas assistam ao show, porque essa é provavelmente a única vez que vocês poderão nos ver tocando juntos desse jeito.

W: Você acha que o Guns N’ Roses pode voltar a tocar junto algum dia? Há boatos de que vocês vão tocar no Rock N’ Roll Hall of Fame, mas eu sei que isso não vai acontecer. Mas você acha que é possível algum dia?

MS: Eu não sei, eu gostaria de saber. Me fazem essa pergunta todos os dias.

W: Eu sei, me desculpe perguntar mais uma vez, mas eu tenho que fazer essa pergunta.

MS: Eu sei disso, eu só gostaria de ter uma resposta para você. Mas eu não sou a pessoa certa pra te responder isso. Se você perguntasse para o Slash, nem ele saberia. O problema é que eles não se falam mais: o Slash e o Axl principalmente.

W: E você?

MS: Eu estou tranquilo, eu faço qualquer coisa. Eu tocaria com eles, eu tocaria com o Slash, eu não ligo. Eu estou feliz de estar na banda em primeiro lugar e eu estou feliz de estar aqui para eles. Eu vou tocar no Rock N’ Roll Hall of Fame, vou ser homenageado, então eu vou estar pronto, vou levar minhas baquetas no meu bolso de trás. O Steven Adler e o Duff McKagan vão, então vamos estar todos lá. Nós não sabemos ainda o que vai acontecer, vamos ver.

Foi uma época maluca, nós éramos uma grande festa ambulante. Aconteciam muitas comemorações e nós estávamos vivendo a vida.”

W: Mudando de assunto, Matt, nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, que nós fazemos para todas as pessoas que nós entrevistamos. Imagine que você está dirigindo seu carro ou está no chuveiro ouvindo seu ipod no shuffle, e uma música começa a tocar que você perde totalmente o controle, que música seria essa para que nós possamos ouvi-la no nosso programa agora mesmo?

MS: Eu diria, provavelmente, “Running with the Devil”, do Van Halen.

W: “Running with the Devil”, é uma ótima escolha. Agora vamos ouvir “Running with the Devil”, no Wikimetal.

W:Você se lembra de como foi o convite para se juntar ao Guns N’ Roses?

MS: O convite foi… o Slash e o Duff vieram me ver tocar quando eu estava no The Cult, em 1989 em Los Angeles e logo depois eles me ligaram e perguntaram se eu queria fazer uma “jam session” com a banda. Nós nos demos muito bem, eles ficaram felizes comigo na bateria e me perguntaram se eu queria entrar para a banda, então eu disse “é claro”. E meu primeiro show foi o Rock in Rio em 1991, no Rio de Janeiro, Brasil.

W: Eu estava lá, foi incrível.

MS: Esse foi o meu primeiro grande show com a banda, e foi uma experiência incrível. Fazendo uma retrospectiva, aquela época foi maluca. Maluca.

W: Você sempre pareceu ser um cara muito tranquilo e pé no chão, como era ser de uma banda como o Guns N’ Roses quando eles estavam no topo do mundo? Você pode nos dar uma perspectiva de como o mundo parece do topo?

MS: Embaçado. Foi uma época maluca, como eu disse, nós éramos uma grande festa ambulante. Aconteciam muitas comemorações e nós estávamos vivendo a vida, sabe? Era uma década de bandas de Rock N’ Roll e nós éramos bem loucos naquele tempo, mas nós definitivamente aproveitamos cada minuto. Tivemos experiências incríveis, todo mundo conhece a história. Eu não trocaria isso por nada no mundo porque, apesar de ser maluco e muitas vezes turbulento, acho que nada poderia ser melhor do que aquilo. Eu acho que nenhuma outra banda no mundo, a não ser os Rolling Stones, viveram do modo que nós vivemos.

W: Eu imagino. Mudando de assunto novamente, como foi a experiência de tocar com o Motörhead?

MS: Bom, foi… Para mim, tocar com o Motörhead foi fenomenal. Quero dizer, fazer parte do Motörhead, ser solicitado para tocar no Motörhead foi uma verdadeira honra. O Lemmy é um grande amigo, nós nos tornamos muito próximos. O fato dele ter me chamado foi uma grande honra para mim. Haviam muitos bateristas que ele poderia ter chamado, mas o fato dele ter me escolhido foi um grande tributo e uma honra para mim. Essa experiência de estar na estrada com o Motörhead foi clássica. Eu pedi para o Lemmy vir para a turnê do Rock N’ Roll All Stars dessa vez, mas essa banda, o Motörhead, eles trabalham o ano todo, eles viajam o mundo, então ele estava ocupado. Mas eu adoro esses caras. Foi uma experiência muito boa.

W: Você concorda que você foi provavelmente o principal responsável de trazer a Cherrie Curry do The Runways de volta para a cena do rock? E como foi o projeto de gravação com ela?

MS: Foi ótimo, nós terminamos o álbum no ano passado. Na verdade, logo antes de falar com você eu me encontrei com o chefe da Black Hearts Records, a gravadora da Joan Jett, e nós falamos de lançar o álbum esse ano. Então nós estamos decidindo a melhor época, porque como a indústria musical está tão difícil, eu quero ter certeza de que as pessoas ouçam esse álbum da Cherrie. É um álbum muito bom. Tem uma participação muito legal do Smashing Pumpkins, e o Slash toca nele, o Duff também, o The Veronicas e o Brody Dalle do The Distillers, tem muitas pessoas legais nesse álbum. Então eu quero que a Cherrie se certifique de que esse álbum seja ouvido e que seja bem distribuído para o mundo. Eu estou ansioso para o lançamento, espero que nós possamos lançá-lo no verão, final do verão.

W: Vocês já terminaram de gravar?

MS: Ah, sim, já está terminado a algum tempo. Nós já mixamos, não finalizamos ainda, mas já mixamos. Talvez mudemos alguns dos mixes e vamos finalizar pra lançar logo, eu espero.

W: Em sua opinião, qual foi o ponto alto da sua carreira, se você tivesse que escolher um?

MS: Bom, o Rock N’ Roll Hall of Fame vai ser o ponto alto. Mas eu diria que provavelmente ganhar um Grammy foi um grande momento. Como músico, é uma grande honra ganhar um Grammy, isso aconteceu com o Velvet Revolver. Eu tive muitos pontos altos, tudo desde o Rock in Rio até o Live Aid Concert no Hyde Park, tocar com o Elton John, tocar com o Jeff Beck, tocar com os caras do Queen. Eu já toquei com tantos grandes artistas, o Motörhead foi um ponto alto. Eu tive muita sorte, tive muitas experiências incríveis, uma ótima carreira.

W: Com certeza. E não só porque você teve sorte, mas também você é um excelente baterista e profissional. Então você merece tudo isso. Você poderia escolher uma música que você tem muito orgulho de ter participado?

MS: Muitas pessoas gostam de “You Could Be Mine”, do Guns N’ Roses. Essa música é bem representativa para mim como baterista, foi o meu primeiro single com o Guns N’ Roses e foi o que meio que disse ao mundo “esse é o Matt, nosso novo baterista, blablabla”. “Slither” foi um grande hit para nós, o Velvet Revolver ganhou o Grammy por ele, então é uma música incrível para mim. “November Rain” é uma música muito, muito boa. Há muitas músicas boas no álbum “Beyond Good and Evil”, do The Cult, eu gusto bastante desse álbum.

W: Não é fácil escolher uma só, não é?

MS: É difícil pensar em uma só.

W: Você tem razão. Bom, vamos ouvir “You Could Be Mine”, já que você disse que é tão especial.

MS: Sim, “You Could Be Mine”, do Guns N’ Roses, vindo aí!

Quando eu era pequeno eu vi na TV uma banda chamada The Beatles. Então eu falei para a minha mãe que eu queria ser um baterista, como o Ringo.”

W: Como vocês vão escolher a set list do Metal Open Air Festival? Vocês vão se juntar para ensaiar, ou vão trocar e-mails? Como vocês escolhem a set list e como vocês se encontram?

MS: Eu e o Gene Simmons falamos muito sobre isso. Eu e Gene falamos “vamos fazer esse show para os fãs”, que o Gene gosta de falar que são os chefes dele – nossos chefes. E vai ser muito divertido para nós porque nós vamos poder tocar músicas de outras bandas que nós sempre admiramos. Eu vou tocar músicas do Def Leppard, do Kiss, do Deep Purple. Obviamente nós vamos tocar The Cult e Guns N’ Roses, músicas do Skid Row. Vamos tocar Collective Soul. O Duff McKagan vai tocar guitarra no Kiss, no Def Leppard. Então vai ser divertido pra todos nós, vai ser diferente da nossa lineup usual. Vão ser interpretações diferentes das músicas. Mas nós vamos tocar os hits, claro, vamos tocar os clássicos, vamos tocar alguns covers também, muitas músicas interessantes. Nós vamos tocar músicas famosas do Guns N’ Roses: “Welcome to the Jungle”, “Paradise City”. Vamos tocar músicas que o Gene canta do Kiss, ele vai cantar “Rock N’ Roll all Night”, nós vamos tocar “Pour Some Sugar On Me” e “Animal”, do Def Leppard. E “Fire Woman”, do The Cult, “Highway Star” do Deep Purple. Vai ser incrível, essas músicas são sensacionais. Vai ser hit após hit a noite toda por duas horas sem parar.

W: Eu imagino. Todas as músicas que você mencionou são incomparáveis. O que você diria para um garoto que está começando a tocar bateria e pensando em formar uma banda?

MS: Eu diria: vai fundo. A música é o maior dom. Se você tem qualquer talento musical eu diria: não enrola, vai fundo. Se você gosta e te faz bem, é só tocar. É a melhor sensação do mundo, você não precisa usar drogas, você não precisa consumir álcool, você pode só tocar música e vai se sentir bem. Eu acho que todo mundo deveria tocar. A música é o maior dom que nós temos, nós ouvimos e todo mundo se junta, é uma linguagem universal, é impressionante.

W: Boas palavras, Matt. Eu gostei muito e acho que os ouvintes vão adorar também. Então, antes de terminarmos, eu gostaria de agradecer pelo seu tempo. Essa foi uma das melhores entrevistas de todas, você foi muito simpático e eu tenho certeza de que todos os ouvintes do Wikimetal vão gostar muito de ouvir suas opiniões e pensamentos. Mas antes de terminarmos, você poderia deixar uma última mensagem convidando todos os fãs de Heavy Metal e Hard Rock fans para o Metal Open Air Festival e para ver essa grande reunião de pessoas que não podemos perder?

MS: Sim, oi Brasil, eu sou o Matt Sorum do Rock N’ Roll All Stars e quero que todos vocês venham para o Metal Open Air Festival no Brasil, em São Luís, certo?

W: São Luís, sim, está certo.

MS: São Luís. Eu quero que todos vocês venham, vamos ter um show fenomenal, temos uma line up incrível: Gene Simmons do Kiss, Joe Elliot do Def Leppard, Duff McKagan, Dilby Clark do Guns N’ Roses, Billy Duffy do The Cult, Mike Inez do Alice in Chains, Ed Roland do Collective Soul, Sebastian Bach do Skid Row, Glenn Hughes do Deep Purple e Black Sabbath… Pode ficar melhor do que isso? Eu acho que não. Então venham curtir o Metal Open Air Festival conosco, nos vemos lá. Obrigado!

W: Obrigado! Você tem razão, Matt. Vocês vão derreter em São Luís, eu estou com um pouco de pena de vocês porque é muito quente lá, mas vai ser bom para a música, e vai ser muito bom. Nós estaremos lá com certeza. Eu gostei muito da entrevista, e tudo o que vocês fazem, você particularmente, se vocês quiserem promover qualquer coisa, podem contar conosco sempre. Muito obrigado!

MS: Obrigado, Nando!

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