Mr. Crowley é a música que me inspirou até a tocar guitarra.”

Wikimetal (Nando Machado): Estamos começando mais um episódio inédito do programa Wikimetal.

Wikimetal (Daniel Dystyler): Mais uma vez vai ser muito bacana porque a gente tá com um convidado que vai ajudar a gente a conduzir todo o programa. Tô aqui com Nando Machado do meu lado e do meu outro lado Rafael Masini.

Wikimetal (Rafael Masini): Isso. Nosso convidado, um ilustre guitarrista e grande amigo desde a época da adolescência né?

W (NM): Esse cara eu conheço há uns…quase trinta anos. Temos muitas histórias engraçadas aqui pra contar, muitas curiosidades. Tenho certeza que vai ser um programa muito especial.

W (DD): E como o Rafael disse, pra mim possivelmente um dos maiores guitarristas do país: Marcos Kleine, bem vindo ao Wikimetal.

Marcos Kleine: Pô, começando assim eu vou ficar emocionado. Eu costumo dizer que eu sou o segundo melhor guitarrista do mundo, o primeiro são todos os outros. Mas legal pra caramba, eu sou ouvinte do programa, sou amigo de vocês e já tava puta falando “meu, quando esses caras vão me chamar pra contar os podres?”. Eu só ouvi os meus podres lá, não contei podre de ninguém. Porra, mas muito legal participar aí, o programa tá muito legal, parabéns!

W (DD): Legal. E hoje você vai ajudar a gente a conduzir, chamando os quadros e tal. Vai ser bacana.

MK: Pô, vamo ai bicho. Vamo ai.

W (DD): A gente preparou mais ou menos um linha do tempo pra ir contando toda sua carreira, e a gente vai contando as histórias, vai contando os pobres, vamos ouvindo os sons e vai ser uma coisa bem bacana, vamos viajar no tempo começando lá em 1984, né Nando?

W (NM): Eu conheço o Marquinhos… Marquinhos? Marcos Kleine.

MK: Marquinhos é para os íntimos. Marquinhos! Já tô velho, zuado…
W (DD): Marcão, Marcão!

W (NM): O Kleine, eu conheço ele mais ou menos quando ele começou na musica, a gente começou meio junto, tal… Mais ou menos em 83, com aquela… Conta aí como foi a vinda do Kiss, você começou a ouvir musica nessa época, né?

MK: É, então… tudo começou quando eu mudei para um prédio na Brasília Machado, perto onde o Nando, o André moravam tal e ai meu… A gente se cruzando na rua, naquela época molecada saia mesmo na rua, e eu já gostava de Kiss, e até voltando no tempo, eu acho que uma das coisas que eu mais ouvi na minha vida foi a trilha sonora de Star Wars em 1978. Eu ficava ouvindo o dia inteiro aquilo, então já era uma predisposição a música né?

W (NM): Seu irmão também, o mais velho sempre gostou de rock né?

MK: Meu irmão tocava baixo né? Inclusive é coincidência que ele tocava todas as músicas do Ultraje no baixo. Era bem engraçado, foi isso depois. Mas então, eu brincava na bateria né? Eu era tipo aquele baterista que não tinha bateria…

W (NM): Air drummer.

MK: Não.. “almofad” drummer.

W (NM): Pillow drummer.

MK: Qualquer coisa drummer. Eu ficava batucando assim… Eu lembro uma vez que eu arrumei uma caixa, essas de fanfarra, podre. E eu falei “nossa, tenho uma caixa, só falta o resto”. Então era um baterista meio chechelento, mas até que brincava legal, eu ficava tocando as músicas do Kiss… junto, era engraçado. E começou o contato dessa amizade que dura até hoje.

W (DD): Você chegou a tocar batera no Viper?

MK: Então… Eu fui baterista sim, pouco tempo porque eu não tinha bateria né? Mas eu tava afim. Agora eu vou começar a contar os podres do Cássio, o primeiro baterista do Viper.

W (NM): Essa história é boa.

MK: Então… Ele ficava para mim “meu…” porque assim, antes disso a gente tinha a banda, o Kiss Army, que o André até contou no episódio aí…

W (NM): Era André Matos, o Marcos Kleine era o Gene Simmons…

MK: Eu era o Gene Simmons porque eu tinha a língua maior, e pra parecer mau eu usava uma corrente de bicicleta no peito, tipo “Ah, sou muito mau”. Então a gente tinha o Kiss Army né?

W (NM): E o outro cara era o Cássio que foi o primeiro baterista do Viper.

MK: É, ele era o mentor desse Kiss Army, mas o Cássio ficava pra mim quando eu comecei a tocar com o Viper, mas era uma coisa bem tosca, mas ele falava “sai fora meu, isso aí não vai rolar legal”. Aí moleque, eu falei “é, não tenho batera”, ai fez a cabeça, eu sai e depois de uma semana ele entrou. Legal né?

W (NM): Essa é história de Cássio Audi.

W (DD): Como você sabe, o nosso programa além da gente bater um papo, dar risada e tudo, a gente também ouve uns sons. E a gente tem uma das perguntas que é a pergunta tradicional que a gente faz pra todo mundo que passa aqui pelo Wikimetal, e a gente vai fazer pra você também, que é: qual que é a música que quando ela toca, esteja você aonde você estiver, você não consegue resistir, você começa a headbanguear, aonde você estiver você tem que agitar, tem que bater cabeça, porque é a música que ainda hoje mexe com você? Que música é essa pra gente ouvir ela agora no Wikimetal?

MK: Ah, eu não tenho nem dúvida, Mr. Crowley. Essa música que me inspirou até a tocar guitarra.

W (DD): Essa foi Mr. Crowley, como você disse né Marquinhos, uma das músicas que inspirou você a virar guitarrista né?

MK: Porra, Randy Rhoads foi o top pra mim, quando eu ouvi o cara eu pirei, fiquei alucinado, e falei “preciso arrumar uma guitarra”.

W (DD): Largou a bateria.

MK: É. A bateria já tava meio largada. As almofadas no caso né?

W (NM): Não treinava nas almofadas já há um tempão.

MK: Mas é, o dia que eu peguei uma guitarra na mão, porra… foi foda! Tava até com o Felipe acho, tava com o Nando. Experimentei e falei “puta, demais isso aqui”, e aí fiquei alucinado e aí começam os podres maiores que é como eu comprei a guitarra, quem entregou pizza comigo…

W (NM): Boa, boa. Bom eu lembro claramente quando você começou a tocar guitarra, foi no final de 84, começo de 85 né? Você conseguiu tirar de ouvido a abertura da música Coming Home do Scorpions.

MK: Exatamente. Eu comecei a tocar guitarra dia 10 de março de 1985. Eu lembro o dia bicho, você acredita? Eu não lembro o que eu fiz ontem, mas esse dia eu lembro. Mas então, eu falei “vamos começar a tocar guitarra”, beleza. Aí eu tinha um violão podre, que parecia um berimbau em casa, que era até bom para eu dar uma estudada.

W (NM): Eu lembro desse violão.

MK: Nossa, era horroroso. Você descia e ele ia desafinando. Então eu falei “Pô, preciso comprar uma guitarra”, aí a gente teve a ideia, uma ideia conjunta… Eu, Pit, Yves e André, a gente foi entregar pizza né?

W (DD): Entregadores de pizza!

MK: Entregadores de pizza do Metal. Sanpietro aqui em Higienópolis e tal, aí tem histórias bizarras. A gente começou a entregar pizza e todo mundo era meio “malaco”, eu era o mais dedicado, eu que fiquei mais tempo, porque eu precisava de mais dinheiro. Mas tem histórias interessantíssimas da época, por exemplo, tinha uma escalada onde você ia entregar pizza, e tinha uns papéis e a gente também tinha uma fila de entregadores. Então meio que a gente ia ver onde era. Se fosse longe, “Pô, preciso ir no banheiro”.

W (NM): Quem fazia isso?

MK: Todo mundo, Yves principalmente. Tem uma clássica do Yves.

W (DD): Yves do Capital Inicial.

MK: Yves, do Capital. Teve uma vez que… a Sanpietro tinha uma rede de pizzarias aqui em Higienópolis antigamente, e uma das sedes pediu umas azeitonas e aí falaram pro Yves “Oh, pra você entregar as azeitonas”…

W (NM): Na época, só pra vocês saberem, o entregador de pizza não tinha moto, tinha que ir a pé.

MK: É, mas também não ia longas distâncias. Aí chamaram o Yves pra entregar as azeitonas, e ele foi muito feliz inclusive. Aí chegou lá e ele voltou, e ligaram da pizzaria e falou assim “Mas por que vocês mandaram meio vidro de azeitona?”. Ele foi comendo azeitona até a pizzaria. Olha o nível, era bizarro.

W (NM): E fora aquela vez jogando taco que eu tava jogando taco uma vez atrás do prédio, aí tipo ele deu uma tacada e quebrou o vidro do salão de festas.

MK: É, o taco saiu voando.

W (NM): É, ele foi dar uma tacada e saiu voando o taco, quebrou o vidro do salão de festas. Aí a ideia do cara… Ele pegou uma pedra, colocou dentro do salão de festas e ficou gritando “joga a mãe, joga a mãe”. Quando o zelador chegou, tava o moleque com a pedra dentro do coiso, “joga a mãe, joga a mãe”, tipo jogaram uma pedra do prédio ao lado e quebrou o vidro do salão. Uma mente engenhosa né?

W (DD): Se usasse para o bem né?

W (RM): Ia ter que entregar pizza mais um tempo para pagar aquele vidro.

W (NM): Bom, aí a gente começou umas bandas juntos né?

MK: É, tivemos o Exhort…

W (NM): O Ravish.

MK: O Ravish. Não, Darkness.

W (NM): Começou Ravish depois Darkness.

MK: Era Ravish depois Darkness. Eu e o Fernando a gente ensaiava na casa dele com luz colorida pra fingir que tava no palco.

W (NM): E a gente treinava entrevista né?

MK: É verdade.

W (NM): A gente tinha conseguido ir na entrevista coletiva do Quiet Riot em 85 né? A gente viu os caras dando entrevista e falou “Pô, que legal”.

MK: E eu pisei no pé do Frankie Banali. É verdade essa história.

W (NM): Deve ter doido né?

MK: Eu tava meio assim né? “Pô, conhecendo o cara né”. Aí eu dei um pisão no pé dele, e ele falou “Oh come on!”, e eu fiquei pensando no dia seguinte “Se ele tocar meio mal, será que foi por causa do pé?”, machucou! Eu dei um pisão nele.

W (RM): Bom Marquinhos, sabe que a gente quis gravar aqui na sua casa porque você vai ter que tocar né?

MK: É. A gente faz um som…

W (RM): Isso, isso. O que eu queria te pedir agora é que você falasse seus guitarristas preferidos e um solo que você acha um dos mais animais que você já ouviu, inspirador e se você faz ele aí pra gente?

MK: Sim, sim. Os guitarristas, minhas influencias atualmente, a gente passa né… quando a gente é moleque eu lembro da época do Malmsteen, todo mundo ficava “Ohh, Malmsteen”, mas o que firmou minha vida mesmo foi Randy Rhoads, Jeff Beck, gosto bastante. David Gilmour. Puta… na onda do Heavy Metal, porque é o que tem a ver com o programa, eu acho legal o Marty Friedman, o trabalho dele no Megadeth é bem legal. Eu gosto do Metallica, mas o que eu realmente acho legal, é eficiente. Então é aquela coisa, tem guitarristas que marcam sua vida, e guitarristas que você respeita, que você fala “Pô, o cara tem um puta trampo legal”, mas não faz muito o meu estilo. Mas na onda do Heavy Metal mesmo, o grande cara pra mim foi o Randy Rhoads.

W (NM): E fora? Pode falar fora.

MK: Então, tem o Jeff Beck, o Stevie Ray Vaughan, pô… Fodíssimo. Tenho ouvido muito Robben Ford que é um cara mais “bluesero” que é legal, tem a ver pra fazer umas coisas com o Ultraje. Ah… São vários bicho.

W (RM): E o solo, o que você acha?

MK: O solo é Mr. Crowley também. É o solo que marcou, no final do programa aí eu vou fazer ele inteirinho pra vocês.

W (RM): Ele pode mudar a sequência da nossa pauta quando ele quer, é isso?

MK: Vou fazer, vou fazer. É que o papo tá quente.

W (NM): E Dave Murray e Adrian Smith?

MK: Então, eu acho legal, o Dave Murray principalmente, mas também… Eu não sei te dizer, porque o Adrian Smith também naquele Somewhere In Time ele fez solos muito legais também. Os dois, tem que respeitar, são caras muito bons. Eu gosto pô, Ritchie Blackmore, não tem como não falar, joguei bola com ele. Você jogou também né? Quando o Rainbow veio pro Brasil, a gente jogou bola com o cara, foi legal. Eles perderam de 12X5, uma coisa assim.

W (NM): Mas era o que, salão? Society?

MK: Não, futebol de campo. Tomaram vareio, o Ritchie Blackmore não saiu muito feliz.

O P.R.A.Y pra mim é um dos melhores trabalhos que eu fiz na vida, com certeza.”

W (NM): Bom, daí teve Darkness, aquele grande show do Colégio Firmino de Proença, na Mooca. Primeiro show que você fez na vida?

MK: É então, esse show foi curioso porque foi em um colégio lá na Mooca e uma banda de pagode abriu pra gente, e a gente ficou no palco porque os caras ficavam sambando e tal, e a gente ficou segurando a bateria que ia cair, sei lá. E os caras fizeram revista na entrada, pra não entrar arma, essas coisas, e acho que pegaram umas coisas lá. Eu lembro dois fatos curiosos desse dia. Um dos caras da equipe dos pagodeiros chegou pra mim e falou assim “Ae mano, esse pedal aí é caro?” e eu suando assim falei “hmm… não, esse aí você acha em qualquer lugar, até te falo o cara que tá dando”. E eu peguei uma Fender, de quem era o cara mesmo? Eu não lembro, mas era o único cara que tinha uma Fender na região, no sudeste. Aí o cara me emprestou a Fender, e a gente começou a tocar Transylvania do Iron Maiden, e eu fiz assim “tã, tãrarararam, tãrarararam” e quebrou a corda. Meu, a minha experiência com a Fender durou dez segundos.

W (DD): Bom, daí logo depois vocês mudaram o nome pra Exhort, deixou de ser Darkness e virou Exhort em 87.

MK: Exatamente.

W (DD): Você lembra alguma coisa dos primeiros shows do Exhort? Que você tem pra contar dessa época?

MK: Assim, dos primeiros shows a gente fez um show que era Darkness ainda no Sion, que a gente tinha um vocalista que tinha um puta visual e não cantava porra nenhuma, que era o Diego.

W (DD): O Diego que era uruguaio né?

MK: É. Eu não lembro de nada muito bem dele porque ele falava pouco, inclusive cantava pouco também.

W (NM): Ele tinha cabelo até a cintura, a gente falou “vamo por esse cara na banda”.

MK: E foi uma das coisas mais bizarras.
W (NM): Ele jogava bola comigo, por isso que eu lembro dele.

MK: Ele cantava em outro timing.

W (NM): Em outra galáxia.

MK: Ele cantava tipo Paranoid “finished with my woman… oww…you my mind.” Esse show foi engraçado. E também depois a gente tocou com Valdério, não sei se era o Zuris já, a gente tocou Detroit Rock City e aí foi legal, deu pra lavar a alma. Mas essa primeira experiência do Darkness foi…

W (NM): Foi Breaking The Law, Paranoid…

MK: Mas foi legal essa experiência.

W (DD): Marquinhos, fala o seguinte, bom como você falou do Exhort, na vinheta a gente nem comentou, mas rolou Drunk Again, a música que marcou. O Rafinha não cansa de falar que para ele é uma das melhores músicas de Metal da história.

W (RM): Da história!

MK: Pô, que legal.

W (DD): E pra mim, não sei se chego a tanto, mas é uma das músicas que eu mais adoro mesmo, muito boa música.

MK: É mesmo? Pô, que legal. Aliás, esse disco, a gente é viúva desse disco, ferrado porque…

W (DD): E falando desse disco, eu queria que você escolhesse uma música que você tem muito orgulho de ter feito e dela tá nesse disco pra gente ouvir agora, que não seja Drunk Again que já rolou no programa.

MK: Eu gosto de muito de P.R.A.Y.

W (DD): Puta… demais. Eu tinha falado, P.R.A.Y né?

MK: Ela tem um… Pô, por ter sido criada em 93, 94, ela tem um ar moderno até hoje né?

W (RM): Tem mesmo.

MK: Os caras chamavam de Nu Metal, a gente chamava se somzeira na época, então…

W (DD): É isso aí.

MK: É um disco que eu gosto muito. Todo o processo dele foi muito legal, pena que não teve a repercussão que a gente esperava. “Vamo lá galera do Wikimetal, vocês vão ouvir P.R.A.Y”!

W (NM): 94.

MK: 1994.

W (RM): Meu, o refrão dessa música é algo animal.

W (DD): Essa foi P.R.A.Y, faixa título do disco, o homônimo P.R.A.Y, segundo disco do Exhort, muito bacana. Um disco inteiro, que pra quem não conhece, tem que conhecer, ou participar da promoção que a gente vai dar um CD do Exhort também hoje aqui no Wikimetal mais pro final do programa.

MK: Bacana.

W (RM): Marquinhos e em 89 você foi pra uma banda de rock meio progressivo né? Blue Man All.

MK: É. Fiz com uns amigos do bairro aqui, o Renato. Era uma onda também, porque eu gostava muito de Pink Floyd. Sempre gostei de tocar vários sons, e também nessa época eu tocava no Atilla, que era com o David Cardoso Junior, eu substitui o Felipe Machado na banda.

W (RM): Que tocava uma parada tipo Duran Duran.

MK: Era pop rock mesmo, também uns hard rock. Então tinha essas três frentes: o Exhort, o Blue Man All …

W (DD): O Blue Man All chamava Blue Man All.

MK: Era uma alusão sacana, uma sacadinha. E tinha um significado porque meu pai veio de Blumenau também, então era legal. Então eu trabalhava nessas três frentes musicais.

W (RM): Porque em 92 saiu o “Attitude” né?

MK: É, o primeiro LP do Exhort foi em 92.

W (DD): E em 94…

MK: O do Atilla a gente gravou um disco também em 91, agente gravou um disco também no Mosh, então começou todo o processo musical, também já gravava umas demos, comecei a dar aula também nessa época porque tinha que sobreviver né?

W (RM): Você começou a dar aula cedo, com uns 18 anos?

MK: É, com 18 anos eu já falei “preciso ganhar dinheiro com isso”.

W (DD): Só pra falar que a gente tá aqui na casa do Marcos Kleine e quando eu entrei e olhei o sofá lá, eu falei assim “foi nesse sofá que Marcos Kleine me ensinou assim… Oh isso aqui é um Mi, isso aqui é Lá, Fá, Sol, essas são as quatro cordas do baixo, o braço você lê as cordas…” Eu iniciei minha vida musical com Marcos Kleine aqui, nesse apartamento.

MK: Então, e no meu outro apartamento, até uma curiosidade, teve uma festa de aniversário minha que eu fiquei doente no dia da festa de aniversário e todos esses malucos foram na minha casa, e quase destruíram a minha casa. E eu tocava bateria ainda… Eu tenho que contar essa história. E eu não tinha grana pra comprar bateria e eles chegaram com um monte de embrulho que parecia um pedestal, uma caixa de bateria… era cabo de vassoura, caixa.

W (NM): Era um balde. O surdo era um balde velho, que a gente achou numa construção jogado, largado.

MK: E esse foi o dia que o Viper nasceu com André Matos. Foi no meu aniversário.

W (DD): É isso mesmo.

W (NM): De 85.

W (RM): Vamos falar um pouco desses dois CDs do Exhort, o “Attitude” saiu em LP e o P.R.A.Y que depois saiu em CD.

MK: É o primeiro disco a gente gravou até com a produção do Pomba na época do Dínamo, a gente teve uns problemas e produção mas a gente era tudo moleque né? Mas é um disco legal, um disco autentico, apesar de meio mal gravado. Mas eu acho bem bacana, eu gosto. Foi bem legal, a gente teve bastante espaço, saiu em bastante lugar falando bem do disco. A experiência de lançar um disco lá na Galeria do Rock, essas coisas assim… Foi bem loco! E fazer os shows, foi muito legal. Já o P.R.A.Y foi um salto de qualidade absurda em tão pouco tempo em tudo, a banda, a produção do disco.

W (RM): E de musico só mudou o baterista?

MK: É, só mudou. A banda tava mais firme, o Rubinho muito legal, muita batera. Mas assim, a gente ensaiou mais, a gente compôs melhor, a gente fez…

W (NM): Teve tempo de ensaiar no sítio durante uma semana né?

MK: É, o Nando não estava aqui, tava na Austrália quando a gente gravou o primeiro disco, e foi o Pit Passarell que gravou. Então eu não sei, muita gente não sabe disso. Aliás, muita gente não sabe que o Exhort existiu.

W (NM): Bom, mas deixa isso pra lá.

MK: Mas foi, os dois discos foi… Mas o segundo foi uma experiência incrível. Eu viajei pra Inglaterra depois, eles mixaram o disco aqui e me mandaram o disco lá, e eu lembro que quando chegou o disco na Inglaterra… Puta, foi foda! Eu fiquei alucinado e eu mostrei pra uns produtores ingleses e eles “meu, é do caralho, mas vocês tão competindo com Metallica, como é que vai fazer isso né?” e o Sepultura tava no auge. Então a gente pensava que poderia conseguir um mercado lá fora também. Mas o P.R.A.Y pra mim é um dos melhores trabalhos que eu fiz na vida, com certeza. Tudo, as composições, a gente tinha que aguentar o Vartana mal humorado pra caralho na época, mas ajudou acho que a fazer as composições.

O Megadeth tem o Rust In Peace que pra mim é um clássico do Heavy Metal, junto com Blizzard Of Ozz e Master Of Puppets.”

W (DD): Boa. Vamos dar um P.R.A.Y agora? Que a gente pergunta para os nossos Wikibrothers participarem e quem acertar concorre a um disco Exhort?

MK: Qual estúdio o Exhort gravou o P.R.A.Y?

W (DD): Boa. Tá valendo então. Mandem pra [email protected] o nome do estúdio onde foi gravado o disco P.R.A.Y.

W (NM): Em 1994.

W (DD): A primeira pessoa que mandar, já leva.

W (RM): A primeira?

W (DD): A primeira, não vai ser sorteio dessa vez.

W (RM): Marquinhos, também de tocar… não sei se você vai lembrar disso, mas teve uma vez que a gente tava conversando antes de um show do Exhort, pode ser no Black Jack, você me disse que o que você achava muito difícil de tocar, e olha vocês tocavam cover dela, eram as músicas do Megadeth, e frase que você me disse que eu gravei até hoje foi “o Mustaine é rápido e preciso”.

W (NM): Hmm..

W (RM): A minha pergunta é… Você na época era um menino, agora com muita experiência tocando, se você ainda acha isso e qual uma música do Megadeth que se você pudesse tocar mostrando exatamente isso, essa precisão, essa velocidade que o Mustaine nas composições dele tem?

MK: Pô, o Mustaine é muito criativo. Eu acho que você tem que se acostumar com a voz dele pra você entender o Megadeth, mas porra ele é… cantar e tocar o que ele toca muito e faz é muito difícil, ele é muito preciso. Ele sola legal na onda dele. Ele é um cara que ele faz umas bases muito ricas, por exemplo, Holy Wars. Holy Wars é uma música que porra, cheia de detalhezinhos, você fala “meu, pra que tudo isso?”, mas faz parte do universo Mustaine. Eu acho que ele é muito detalhista, e eu não gosto muito do timbre da guitarra dele, eu acho que não define tão bem o que ele faz. Até pô… Eu me achando aqui, mas eu acho meio ardido. Eu já vi ao vivo, até no SWU deu pra perceber que ele mantém isso aí, mas é um puta cara. Eu acho as composições dele muito legais. O Megadeth tem aquele disco Rust In Peace que pra mim é um clássico do Heavy Metal, junto com Blizzard Of Ozz e Master Of Puppets . No cinco mais, aquele disco tá com certeza.

W (DD): Eu tô no meio da biografia dele, e é muito legal o jeito que ele escreve também que ele conta tudo o que aconteceu com a vida dele. É um livro que eu recomendo, todo mundo que puder ler…

MK: Eu não sabia que tinha.

W (DD): É muito bacana, a biografia do Dave Mustaine, é muito legal!

MK: Eu acabei há pouco tempo a do Ozzy, e acho que vou embarcar nesta daí. A do Ozzy é sensacional.

W (RM): A gente já falou no programa, é demais.

W (DD): Rola agora então.

W (DD): Boa, boa. Muito legal.

W (NM): E acabou o Exhort mais ou menos em 95 e você começou a fazer vários projetos solos né? Lembro que você começou a estudar mais e aprimorar gravação home studio, foi nessa época?

MK: É, foi. Mais ou menos nessa época eu grava em casa com Tascam, aquelas coisas que tinham época, com teclado, com o que tivesse. Eu achei a ideia muito interessante. Aí gravei umas demo bem quatro canais, fazendo ping pong, quem é da época vai lembrar a linguagem, você tinha que pegar uma coisa, jogar pra outro canal pra ter mais canais, uma puta duma zona. Mas aí eu comecei, quando eu gravei uma demo do Atilla com o meu computador no estúdio do Flavio Decarolli, até um amigo nosso, quando eu vi que podia gravar no computador, aí eu embarquei nessa onda também.

W (NM): Foi mais ou menos nessa época… 95?

MK: Foi 95. Aí eu embarquei legal nessa onda de produção, sabe? Descobri essas coisas de software, placa, eu pirei né? E era uma época que eu não tava muito com banda porque o Exhort tinha acabado, o Atilla também fazia uns showzinhos por aí, tal… Era mais aula e essa coisa de gravação que me fascinou na época. Que depois até eu fui sócio de um estúdio, durante três anos, tem história aí! Puta merda, quanta coisa. Mas quanta roubada também. Mas foi bem legal, aí eu comecei a entender melhor e inclusiva há pouco tempo até eu dava aula do Sonar que é um software de gravação pra pc, eu dava aula em uma escola chamada Synthex, mas também agora com o programa Agora É Tarde, essas coisas… Já tô pulando. Mas aí o tempo ficou curto e não rola mais eu dar aula nem de guitarra e nem de nada.

W (DD): E você falou assim “o Exhort acabou, tal”, você citou isso. Tem alguma chance da gente algum dia ver um novo disco do Exhort?

MK: Eu tô fazendo tanta coisa hoje em dia que fica difícil, mas a gente nunca sabe o que vai acontecer né? Eu há um ano atrás nem imaginava o que eu ia tá fazendo hoje e falo “puta, tá tudo isso acontecendo?”, entendeu? Então eu não sou muito de ficar falando “não, não vai”.

W (DD): A vida dá muitas voltas.

MK: É. Eu gosto da ideia do Heavy Metal. Às vezes o Ultraje mesmo passando som lá no Agora É Tarde a gente toca uns. Ontem a gente tocou War Pigs, dá uma volta no programa, a gente sempre brinca lá com os Heavy Metal, tá na veia. Eles falam que eu sou a ala Heavy Metal do Ultraje e também da parte musical do programa, falam “Ah, vou tocar um som pesado”, “Aqui estou eu”.

W (DD): Representando bem.
W (NM): É, mas sempre teve esse mito, alguns flashes dos roadies do Ultraje, lá trás mesmo em 85, eles sempre com camisa de Metal, o Roger com aquele cabelão, tinha “meu, o Ultraje toca essas musiquinhas mas os caras são Metal”.

MK: Sim. A gente cota Paranoid nos shows, a gente toca sempre. Deve ter vídeo aí no You Tube do Ultraje tocando Paranoid fácil, vários shows já tocou.

W (DD): E ao vivo é sempre mais pesado também né? Mais distorcido, mais rápido.

MK: É, e no caso do Ultraje o Bacalhau é um baterista que toca bem pesado, então ele poderia tocar no Slayer fácil.

W (DD): Marquinhos, a gente tem uma parte do programa que a gente bate um papo com os nossos Wikibrothers, você não quer anunciar essa parte do programa?

MK: Então galera do Wikimetal, vamos ao Papo Pesado.

W (RM): Voltamos do Papo Pesado. Marquinhos, você falou que tá difícil de você escutar música, porque você faz muita música, sabe que eu compartilho um pouco às vezes disso que você fala porque às vezes eu quero comer em algum lugar com música ao vivo e eu tenho vontade de pagar pro cara parar de tocar.

MK: É foda, ainda mais música de churrascaria.

W (RM): Isso mesmo. Mas de Metal, você tem tempo, às vezes no iPod, o que você escuta ainda ou uma coisa nova que você falou “puts, descobri agora” ou da raiz lá trás? Que você escuta de Metal atualmente?

MK: Freak Kitchen.

W (DD): Puta é demais, demais.

MK: Eu adoro.

W (DD): O guitarrista dessa banda é muito bom.

MK: E assim, o ultimo disco é muito bom! Todas as músicas são muito boas, as melodias são bem legais.

W (DD): Não é Organic né? Porque Organic é de 2005 e eu gosto demais.

MK: Esse é o de 2009, chama Land OF The Freaks.
W (NM): Vamos botar agora.

MK: Vamos ouvir uma música chamada Teargas Jazz.

W (DD): Voltamos com o som do Freak Kitchen que o Marcos escolheu, me surpreendendo até porque é uma banda que não é muito conhecida e eu adoro essa banda, e eu vou falar uma coincidência Nando, que quando eu tava vindo pra cá, eu tava pensando assim “acho que os dois guitarristas que eu conheço pessoalmente, não que eu já falei um vez na vida, mas que eu conheço pessoalmente que eu acho que melhor toca, que eu conheço e que eu posso falar são duas pessoas: Marcos Kleine e Rodrigo Ribeiro do Alien Groove”, e ele que me indicou Freak Kitchen e tal. Então é uma coincidência enorme, porque esse guitarrista é muito bom.

MK: Ele é muito bom e é uma banda assim… Principalmente desse ultimo disco, eles se acharam né? Porque a discografia deles é grande, acho que eles têm uns seis, sete LPs, mas esse ultimo disco eu achei que eles acharam a dose de modernidade e mantendo o peso, e melodias legais. E o guitarrista mesmo, ele lembra um pouco o Vai tocando, mas também com uma identidade bacana. Muito legal.

W (NM): Você não falou do Steve Vai, mas é um influencia pra você né?

MK: Então, Steve Vai é assim… Ele pra mim, ele virou uma decepção, na verdade. Porque eu gosto muito do trabalho do Steve Vai do David Lee Roth, até no Whitesnake foi legal, eu gosto muito daquele…

W (NM): Os primeiros solos dele também…

MK: Também. O Sex & Religion eu adoro aquele disco. Aí tem até uma história curiosa, que o Felipe Machado ele escrevia pra revista Guitar Player, uma das primeiras Guitar Player e quando o Steve Vai veio pro Brasil, a primeira Guitar Player foi com Steve Vai e ele me chamou e a gente foi na coletiva do Steve Vai. Aí foi perguntado desse disco Sex & Religion pro Steve Vai, porque ele lançou ele e Alien Love Secrets logo depois, que era um disco só de guitarra, com pouco música até. E aí perguntaram “você não vai tocar nenhuma música do Sex & Religion no show?” e ele falou “não, esse disco eu não..” sei lá “não gosto”. Então deu pra sentir que a gravadora chegou pra ele e falou assim “Oh, faz um disco solando”, aí ele ficou meio chato depois disso. Ele ficou um pouco repetitivo.

W (NM): Voltando a nossa linha do tempo aqui com Marcos Kleine…

W (DD): Tamo chegando no ano 2000, mais ou menos.

Uma produção que eu gosto muito é o Creatures Of The Night do Kiss.”

W (NM): Você começou com o Vega né? Montou o Vega.

MK: Montei o Vega com o Mingau.

W (NM): Foi mais ou menos em 2000, não?

MK: Foi em 1998, mas a gente gravou a primeira demo em 2000, que a gente achou a Cláudia que é vocalista do Vega e tal. Com o Mingau, que é um baluarte do Punk nacional.

W (RM): Baluarte?

MK: Do Punk nacional.

W (NM): Aí me fala, você também nessa época fazia muita produção, inclusive os dois discos do Vega foram produzidos por você. Fala um som de uma banda que a produção é muito legal. Pode ser de rock pesado ou de… Eu lembro que a gente ia muito na sua casa e ouvia Fits Like A Glove, na época você falava “essa música tem um som demais”.

MK: Eu acho que de Heavy Metal mesmo uma produção que eu gosto muito é o Creatures Of The Night do Kiss. Meu, som de bateria do inferno, aquilo é o Metal puro do campo. Assim, umas lendas porque falam que gravou a bateria mais rápido e diminuiu a rotação da fita pra ficar mais cheio, porque é meio irreal o que eles fizeram, parece que tem até um delay, sabe? Não sei, pode ser que usaram essa técnica. Ele gravou “tum tum tá, tum tum tá” e sei lá, aí desaceleraram, sei lá. Pode ser.

W (DD): Pode ser. Eu queria que você escolhesse um solo que você fez, um solo seu que você se orgulha muito e você toca ele aí pra gente.

MK: Ah então, porque assim, tem os solos antigos, mas eu não vou lembrar né? É muita coisa. Não sei, pode ser…

W (DD): Pode falar então um solo que você se orgulha muito mesmo que você não toque ele, e toca um outro.

MK: Tá. Eu gosto de… deixa eu ver um solo que eu goste. Puta, é foda porque eu sou mó cricri meu, tenho que lembrar. Um solo que eu gosto, acho legal apesar de ser meio chato e achar que eu poderia fazer tudo melhor é o Solitairy Strugle que é do P.R.A.Y.

W (DD): Vamo ouvir um trechinho do solo.

MK: Opa. Põe aí que eu quero lembrar.

W (DD): Esse foi um trechinho de Solitairy Strugle, muito legal. E agora escolhe um solo escolhe um solo pra gente ouvir, que você vai tocar ele.

MK: De Independente Futebol Clube, um solo que eu montei pro Ultraje.

W (DD): Você que montou esse solo? Rola aí então.

W (DD): Muito bom.

W (NM): Sem duvida o Ultraje com Marcos Kleine ficou mais Heavy Metal né?

W (DD): Muito legal.

MK: É, esse solo tem que ser meio power né?

W (RM): E Marquinhos, você…bom, pela camiseta, a gente sabe que você é fã de Star Wars, muito fã da Jornada nas Estrelas…

MK: Porra, o dia que eu conheci Spock, o Leonard Nimoy foi como conhecer o Jimi Hendrix. Aliás, eu falo, o Leonard Nimoy é o Jimi Hendrix da ficção cientifica.

W (RM): E a gente percebe que você fez trilha também pra filme, pra desenho… Eu queria que além de você falar um pouco disso, hoje em dia o Heavy Metal tá invadindo muito alguns filmes, desenho animados um monte né? Aquele Megamente tem Guns N’Roses, AC/DC, Ozzy. O Heavy Metal tem invadido isso tudo. Conta toda essa sua história de gravar pra filme e por que você acha que na novela não se entra Heavy Metal? É uma coisa que vai pra massa, só teve uma novela antigamente, eu acho que Shaman, pois uma música meio lenta que eles até ficaram famosos com isso.

MK: Pra não perder o fio da meada, o lance da novela é porque novela só conta historinha que todo mundo quer ouvir, o Metal é uma coisa orgânica, na novela é tudo fake, então não tem a ver com o clima do Metal. É mais Michel Teló, essas coisas mesmo. Então o Heavy Metal nunca vai chegar nisso porque o clima das novelas não é pra isso. E o lance das trilhas, eu comecei a brincar e fazer versões de temas de filmes e seriados conhecidos em 1998, porque eu era muito fã de Jornada, e eu comecei depois a tocar em convenções de Jornada, e foi aí que eu conheci o Leonard Nimoy, foi numa convenção. Então eu comecei a criar essas versões, e foi muito divertido porque eu aprendi a coisa da orquestração né? Que é muito difícil de você saber o posicionamento de cada instrumento e foi onde eu comecei a tocar teclado no esquema “pé de galinha”… os dedo tudo errado, mas eu tinha ideia. Então eu nunca fui um bom tecladista, mas eu sempre tive ideias que eu consegui passar pro instrumento. E esse projeto me rendeu um convite de uns australianos, que vocês estão vendo até o pôster aqui, o Sev Trek, uma animação parodia de Jornada nas Estrelas pra eu fazer a trilha do desenho. E eu, porra, foi do caralho! Foi um projeto que foi demais, eles me mandavam os vídeos e eu fazia todo no software, tudo ”syncadinho”, e puta… Foi muito elogiado porque eu fiz a trilha séria e eu fui no esquema de fazer a trilha, o filme é muito engraçado mas eu fiz a trilha séria pra ficar mais engraçado. Então foi demais.

W (DD): E tem esse filme? A gente consegue ver esse filme?

MK: Ah, eu acho que vocês conseguem por aí, deve ter vasado na internet.

W (DD): Chama Sev Trek “Pus In Boots”. Muito legal.

MK: É uma animação australiana muito engraçada e foi demais esse projeto, foi muito bem divulgado. Então aí eu fiz umas trilhas pra comercial, mas o relevante, o Micki Mihich, que vocês devem conhecer, que é da nossa época do Metal tal, ele fez um curta chamado The 100th Job e eu também fiz a trilha desse curta e até quero dar a dica pra vocês, de vocês tocarem o tema do filme que é pesadíssimo e pouca gente ouviu, então vou ceder pra vocês tocarem agora e vocês vão ouvir o tema desse curta que eu fiz em 2009.

W (NM): Fez tudo né? Não só guitarra, fez tudo?

MK: Fiz. Os teclados, toda parte de orquestra, fake orquestra porque não foi o esquema Hollywoodiano, fiz tudo na minha casa e o curta é demais!

W (DD): Vamo rola.

W (RM): Como diz o Nando, bom demais a gente ouve um negócio assim né?

W (DD): Bom esse foi o score feito por Marcos Kleine, trilha sonora do filme The 100th Job, quem quiser ver tem o trailer no YouTube, muito legal, procura lá coloca 100th Job, J-O-B procura no YouTube isso vai dar pra ver um trailer, o filme é demais, parece muito legal e a trilha sonora de Marcos Kleine sensacional.

MK: Pô e é Metal, Metal. Eu achei relevante falar sobre isso.

W (DD): Muito legal, e continuando a linha do tempo… 2002.

W (RM): Aí o lance do hino do Palmeiras, foi quando… 2000, 2001?

MK: 2003. Foi uma loucura, porque eu fui num jogo Palmeiras… foi na semana que o Palmeiras voltou pra primeira divisão e eu fui em um jogo lá no Palestra Itália, foi Palmeiras e Marília, 2X0 gol do, até o Lucio fez um gol, lateral esquerdo … bom, deixa pra lá.

W (DD): Pra quem não sabe, Marcos Kleine completa aqui com nós quatro, os quatro grandes de São Paulo, só faltava um palmeirense no programa, agora temos.

MK: Tamos aí representando.

W (RM): Os quatro grandes? Não entendi.

W (DD): Porque é Portuguesa você, Santos, São Paulo e…

MK: Quem ganhou a Libertadores aqui foram só três.

W (DD): É verdade, agora entendi porque você não entendeu.

MK: Ai, ai, ai. Então, aí eu tive um insight depois desse jogo de fazer uma versão do hino do Palmeiras e falar “meu”, como eu já tinha trabalhado com aquela coisa de trilha, de filmes, eu resolvi fazer. O jogo foi numa terça, eu comecei a gravar na quarta, aí na quinta-feira eu mixei e dei os tratos finais e comecei a mandar pra uns amigos e na sexta eu já tava dando entrevista na CBN, aí no domingo eu tava no programa do Milton Neves que teve uma audiência de 20 milhões de espectadores.

W (DD): Foi um negócio de cinco dias.

MK: E eu recebia mais ou menos cinco mil e-mails por dia. E foi na semana que o Palmeiras subiu mesmo.

W (NM): Sério? Só de palmeirense? Tem tudo isso de palmeirense?

MK: Eu vou te falar que eu recebi proposta de TV pra fazer versão de todos os hinos, porque eu não aceitei porque nisso não tem dinheiro que pague. Só fiz o do Palmeiras, os corinthianos que se virem, os são paulinos fazem, inclusive já tem versão de guitarra para todos os clubes. Mas foi uma loucura. Aí o que o Nando perguntou, eu coloquei no site do Vega essa versão, e quem cuidava do site era uma empresa e tal, e de repente, em um mês se tinha três mil acessos, teve 120mil. E eu paguei uma multa de dois mil reais pro Locaweb por excesso de transferência de dados, e os caras não me avisaram, então foi loucura, desde que começou isso foi uma loucura. Daí pô, aí desde então eu toquei já em festa de aniversário do Palmeiras, assim… Eu tenho um certo receio de virar arroz de festa, de não querer tocar em todas as coisas, mas eu toquei em eventos que me emocionaram profundamente, o aniversário do Palmeiras, e uma das coisas mais malucas da minha vida foi ser o ultimo artista a tocar no Palestra Itália antigo, antes da reforma, que eu entrei sozinho no campo tocando ao vivo, muita gente acha que era playback porque eu tava tocando sem fio, mas não podia levar a banda mas a guitarra era ao vivo, tocando pro 22mil palmeirenses, o ultimo evento e aquilo foi pirante.

W (NM): Isso tem imagem no You Tube e é legal ver porque mesmo quem odeia o Palmeiras como eu, é legal porque ele tava emocionado mesmo, no final você beija o campo, não é isso?

MK: É eu fui até o meio campo andando devagarzinho pra não perder o sinal do wireless, eu fiquei meio preocupado porque tem muita rádio, muita TV, então os sinais vão se cruzando ali, a frequência. Aí eu parei no meio campo e no final da música eu beijei o centro do campo. Foi uma atitude que na verdade eu pensei 20 anos antes de fazer isso. O cara fala sempre “não, foi na hora”, foi o cacete.

W (DD): Você já tinha ensaiado aquilo.

W (NM): Ele treinou no Pacaembu.

W (DD): Ele treinou no corredor da casa.

W (NM): Ele ia todo dia no Pacaembu com a guitarra treinar isso.

W (DD): Muito bem. Aí depois você teve uma experiência com o Léo Jaime né?

A principio eu fui um guitarrista convidado, e agora em abril vai fazer três anos que eu tô no Ultraje A Rigor, com muito orgulho.”

W (NM): Geração 80 toda né?

MK: Aí em 2005 eu fui convidado pelo Mingau que tava tocando com o Léo, começando um projeto com o Léo e aí eu também fui convidado a entrar na banda, tocar na banda, e pô foi demais, uma experiência sensacional. O Léo é um puta cara que eu gosto muito. A banda era eu, Mario Fabre que é o batera agora do Titãs, o Mingau e puta… a gente viajou o Brasil todo fazendo esse show, foram cinco anos com o Léo, quatro anos e pouco…

W (DD): Tocava um monte de música daquela geração anos 80 né?

MK: Tudo, de anos 80, mas era mais pesado, tocava Ramones no show. Então tinha Police…

W (NM): E com essa banda não tinha como não ficar pesado.

MK: E era um quarteto, não tinha sax não tinha teclado, então era mais pressão mesmo. E foi uma experiência demais, a gente tocou Brasil, toquei em Cancun com ele, então o Léo foi uma experiência maravilhosa. E nesse meio tempo o Léo teve a ideia de fazer o G80, que virou aquele DVD Anos 80 Multishow Ao Vivo que reuniu os artistas da época que a gente era a banda de apoio e os caras vinham entrando e cantando quatro, cinco músicas e ia trocando o time. A gente fez bastante show disso aí, mas é difícil conciliar a agenda de todos, inclusive a gente faz ainda hoje.

W (RM): Porque o Léo tem programa de TV hoje né?

MK: É, tem. Mas então a gente pega todos os artistas, já toquei com Marcelo Nova, o Kiko Zambianchi, o Ritchie, o Kid Vinil, Paulo Ricardo, Nasi… toda essa galera, o Leoni, então toda essa turma eu já…

W (NM): Todo mundo que tocou nos anos 80 participou desse…

MK: Já. O Guilherme Isnard, inclusive eu faço uns shows com Zero também, quando tem show com o Zero ele me chama pra tocar. Então foi uma puta experiência conhecer todos os artistas. A gente fez um show no Citibank Hall que vai fechar inclusive, sol out desse G80 e o público parecia do Metallica. Todo mundo gritando “G80…”. Falando “porra meu”. Foi muito louco, muito legal. E cantando “você não soube me amar”. Foi meio Metal.

W (DD): E aí foi o passo pro Ultraje né?

MK: É. Aí o Léo foi morar no Rio de Janeiro, voltou pro Rio, que na verdade o Léo é goiano, mas ele tem uma ligação forte com o Rio de Janeiro, e aí por questões geográficas a gente não pode continuar, aí eu fiquei um ano nesse gap, tocando e fazendo um som por aí. E aí pintou o convite do Ultraje, com a saída do Sérgio Serra, como eu já tinha feito A Fabulosa Orquestra de Rock’n’Roll, é tanta história pra contar… A Fabulosa Orquestra de Rock’n’Roll é um projeto que o Roger, a gente gravou um disco ao vivo pela Deck em 2005. E como eu já fiz amizade com o Roger nessa época, todo mundo era amigo ali, então pintou esse convite. A principio eu fui um guitarrista convidado, e agora em abril vai fazer três anos que eu tô no Ultraje A Rigor, com muito orgulho.

W (NM): 2009 então?

MK: É, 2009. Muito feliz, o clima na banda é demais, eu adoro tocar no Ultraje porque é mais pesado coisa que com o Léo, então tem a minha cara.

W (DD): Tem um viés Metalzinho ali escondido.

MK: A energia no show é demais, uma coisa que eu sentia falta pra caramba de “Ahh”.

W (DD): Que é o público do Metal né?

W (NM): E o Ultraje fez um dos discos mais clássicos do rock. Eu acho o melhor disco de rock nacional de todos os tempos que é o Nós Vamos Invadir Sua Praia.

W (DD): Que simplesmente todas as músicas foram hits totais.

W (NM): E a gente fica feliz de ver que ainda tá na ativa.

W (DD): E falando nisso, tem planos pro futuro do Ultraje? O que vem vindo por aí?

MK: A gente vai gravar um disco, mas eu não posso falar do que é no ar, mas tem um projeto de um DVD dos 30 anos também, e a gente tá no Agora É Tarde, começou esse projeto em junho do ano passado, que é o programa do Danilo Gentili, na Bandeirantes, a gente tá toda terça, quarta e quinta, mas em março vai ser diário e a gente é a banda de apoio do programa mas num esquema diferente, a gente alopra, é aloprado, toca o que quiser, com quem quiser, a hora que quiser. Então é um projeto que está sendo super legal pra gente, a gente tá tocando um monte de música que a gente gostaria de tocar, e a gente dá muita risada. É como o Roger bem disse “eu tô me sentindo de novo na quinta série”.

W (NM): Então a gente fala para todos os nossos Wikimates , WikiBrothes, WikiSisters assistirem o Agora É Tarde na Bandeirantes, terça, quarta e quinta, que horas?

MK: Varia.

W (NM): Vareia.

MK: Geralmente 23:45, terça-feira depois Da Liga, quarta-feira depois do futebol e quinta-feira depois do Polícia 24H. Nas sextas-feiras em breve aí também vai rolar.

W (NM): O único programa da TV brasileira que tem uma banda de rock no programa.

MK: E que abre espaço pra bandas de rock. Inclusive eles pedem pra gente indicar bandas, Raimundos já foi lá, teve um monte de banda de rock que vai…

W (RM): E tem sempre uns convidados né?

MK: É. A gente já deu ideia de alguns caras do Metal pra ir lá.

W (DD): E o clima com Danilo Gentili como é que é?

MK: Meu, é turma do fundão. Ali é foda, os caras são muito engraçados e um sacaneia o outro. Então o Ultraje parece que foi feito pro programa e o programa feito pro Ultraje. É perfeito. Inclusive a ideia do Ultraje no programa foi ideia do Danilo que falou “A banda tem que ser o Ultraje”, ele procurou o Roger e tudo deu certo. E a gente tá muito contente com esse projeto e vai continuar, a gente tem contrato aí. Então os planos são esses: um disco novo com certeza, um DVD deve rolar também e um documentário que está sendo negociado com uns caras aí ligados a cinema, tão correndo atrás disso, parece que vai ter um documentário também. Então o Ultraje vai ter bastante coisa.

W (DD): E tem o livro do Ultraje que saiu agora.

MK: Isso. Uma escritora que fez, a Andréa Ascenção. Um libro muito bem escrito, com imagens, fotos muito bacanas de todas as formações do Ultraje. Eu entrei aos 45 do segundo tempo, mas…

W (DD): Mas deu tempo.

MK: Porra, foi legal pra caramba. Inclusive vamos sortear um livro pra vocês. Olha como eu sou legal.

W (NM): Vamos sortear um livro e como é que a gente vai fazer pra escolher o ganhador do livro?

MK: Vamos fazer o seguinte: vocês mandem um e-mail pra [email protected] e o que põe no assunto?

W (NM): Quero ganhar o livro do Ultraje.

MK: Quero ganhar o livro do Ultraje, e você estará concorrendo a biografia do Ultraje a Rigor autografada, por todo mundo da banda.

W (DD): Excelente. Então tem duas promoções valendo, o CD do Exhort P.R.A.Y, basta descobrir onde foi gravado, em que estúdio foi gravado P.R.A.Y e mandar para [email protected] e também o livro do Ultraje A Rigor autografado por todos os membros do Ultraje, basta escrever que quer participar desse sorteio. Manda pra gente e a gente vai sortear.

W (NM): Vamos fazer mais uma promoção, a terceira promoção do programa?
W (DD): Tá foda esse programa hein?

W (NM): Três promoções, e a terceira também é demais, é um LP do Nós Vamos Invadir Sua Praia do Ultraje que tá inclusive nas lojas. Quem gosta de vinil, quem tem vinil… O LP Nós Vamos Invadir Sua Praia, primeiro disco do Ultraje A Rigor.

W (DD): O disco histórico do Ultraje A Rigor, a versão em vinil.

W (RM): Eu vou mandar e-mail também, eu não tenho.

W (DD): Muito bom. E como é que vai ser?

W (NM): Então pra mandar o LP do Ultraje você tem que mandar um e-mail para [email protected] como o nome de todas as músicas que estão nesse disco e a gente vai sortear quem mandar a resposta certa, vai ser sorteado, e vai ganhar um LP do Ultraje A Rigor, Nós Vamos Invadir Sua Praia.

W (DD): A versão em vinil. É fácil realmente porque todas as música, como a gente disse aqui, fizeram sucesso.

W (RM): Não vale procurar no Google.

W (DD): Pô Kleine você está em divida com a gente porque você falou que vai rolar o solo de Mr. Crowley.

MK: Já acabou o programa?

W (DD): Estamos chegando no final, não acabou ainda.

W (NM): Pra entrar em contato com Marcos Kleine… Twitter, Facebook?

MK: Pode acessar o meu site www.marcoskleine.com.br, com “e” no final que é o que me faz pobre. Eu tô no Twitter também @marcoskleine, Facebook também Marcos Kleine. É só digitar meu nome lá no Google que você vai cair em todas as redes possíveis e imagináveis, eu que eu tô em todas elas.

W (DD): Excelente. A gente vai terminar o programa com Marcos Kleine tocando ao vivo o solo de Mr. Crowley, então antes dele começar vamos só fazer os devidos agradecimentos e despedidas. Eu fiquei muito honrado de rever você, aqui no seu apartamento tem um significado especial pra mim…

W (NM): Que você trouxe ele bêbado uma vez.

W (RM): E quem nunca foi levado?

W (DD): Uma vez bêbado, entreguei pra mãe dele e falei assim “acho que ele comeu alguma coisa meio estragada”.

MK: Foi meu primeiro porre inclusive, foi com a galera do Viper e a gente foi no Papa Fritas, na Maria Antônia.

W (DD): Em frente ao Mackenzie.

MK: E os caras me induziram a beber. É o amendoim não tava legal.

W (DD): Marquinhos eu também queria agradecer, a gente tem um combinado que já há muito tempo a gente não fala palavrão no programa, mas eu vô ter roubar dessa vez, que é assim… Tem uma frase que eu não falo desde que eu não sou moleque, bem isso que o Dani falou.. de cara que a gente conhece, de vê, de fala, você é o cara que mais toca. E na Wikimetal Party teve um momento muito legal até com a esposa do Nando que eu tava assistindo você tocar, deu a honra da sua presença, daí você tava tocando com o Exhort, o Nando no palco, talvez no cover do Megadeth. Aí eu fiquei olhando boquiaberto e quando eu viro pra esposa do Nando, pra Natália, eu olho pra ela e os dois falam meio juntos “O Marquinhos toca pra caralho!”. É um orgulho ter você aqui nesse programa.

MK: Eu agradeço. Vocês são meus amigos, então não vale.

W (DD): Mas a gente falaria bem. Às vezes amigo critica mais que…

W (RM): Eu critico o Nando que está acima do peso.

MK: Mas isso aí faz tempo, desde que ele nasceu. Mas muito obrigado. Eu agradeço as palavras, pra mim é muito bacana, e a gente tá aí né meu.

W (DD): Bacana que quando a gente foi montando o roteiro pra esse programa, a gente foi vendo quanta coisa o Marcos fez ao longo da carreira e varias que a gente não falou e ele foi lembrando… Orquestra de Rock’n’Roll e outras…muita história né?

MK: Quando você começa a verbalizar as coisas, você vai começando a ver que é ..

W (DD): Uma carreira vitoriosa.

MK: É tamo aí hein? Pretendo continuar aí na estrada por um bom tempo, sempre fiz isso, é o que eu amo fazer, música é minha vida e sempre foi, descobri sozinho, que a música era o que eu queria mesmo, e porra… momentos como esse fazem tudo valer a pena. É muito legal e o programa de vocês… fico muito feliz que vocês são brothers e fizeram um programa de tanto sucesso, e hoje em dia um programa de Heavy Metal é difícil, e vocês estão mantendo “a chama do Metal”.

W (NM): Muito bem Marcos Kleine. Wikimetal. Agora você vai ter que tocar!

W (DD): Agora Marcos Kleine tocando em cima de um backtrack, uma versão original do Ozzy só que sem guitarra e você tocando ela ao vivo, é isso?

MK: É vou fazer um sonzinho aí pra vocês do solo que marcou minha vida.

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