Nós queríamos capturar a música do Europe da forma que ela é quando nós tocamos ao vivo, e para fazer isso você tem que gravar ao vivo no estúdio.”

John Levén: Olá?

Wikimetal (Nando Machado): Olá, John?

JL: Olá, aqui é o John.

W (NM): Olá, John. Tudo bem? Aqui é o Nando do Brasil, como você está?

JL: Olá, Nando. Eu estou muito bem, e você?

W (NM): Sim, muito obrigado pelo seu tempo, é um grande prazer falar com você, nós estamos ansiosos para o show do Europe em São Paulo em setembro. Então bem vindo ao Wikimetal.

JL: Muito obrigado.

W (NM): Então John, é justo dizer que você foi provavelmente o maior responsável por fazer com que o Joey Tempest escrevesse o “The Final Countdown”?

JL: Bom, você poderia dizer isso. Ele escreveu apenas a introdução dessa música, para a inauguração de uma discoteca em Estocolmo, e nós estávamos lá naquela noite e eu pensei “Isso é muito bom, você deveria escrever a música toda”, e ele disse “Bom, talvez eu devesse.” E ele escreveu.

W (NM): E se tornou um grande sucesso no mundo todo, certo?

JL: Eu acho que foi o número um em 27 países ao mesmo tempo.

W (NM): Bom, essa é uma grande conquista. Então deixe-me perguntar, como você vê a cena de hard rock e heavy metal na Suécia hoje em dia comparada ao início dos anos 80?

JL: No início dos anos 80 não havia muita coisa acontecendo. Haviam algumas bandas tocando localmente em Estocolmo e em Gothenburg, mas ninguém nunca havia tido sucesso. Depois nós aparecemos e depois disso teve todo o movimento de Gothenburg, o death metal de verdade aparecendo, e eu acho que surpreendeu todo mundo nos Estados Unidos.

W (NM): Sim, e hoje em dia a cena na Suécia é muito forte, certo?

JL: Sim, nós temos muitas bandas boas da Suécia, nós temos o Opeth, o In Flames… Eu não consigo pensar em mais nenhuma, mas tem muitas bandas boas aparecendo na Suécia.

Sim, você está certo. Eu odeio o termo hair metal.”

W (NM): Excelente. E o que você acha da cena musical em geral? A música pop, toda a cena atual. O Europe é provavelmente um dos maiores artistas que vieram da Suécia, como você vê a cena musical na Suécia atualmente?

JL: Eu acho que a Suécia está também produzindo compositores. Há muitos compositores suecos escrevendo para outros artistas, artistas americanos como a Britney Spears e essas pessoas. Céline Dion, muita gente. E a cena pop, eu não acompanho muito a cena pop, mas eu sei que há muita música sueca saindo da Suécia, então eu acho que é ótimo.

W (NM): E falando sobre os anos 80s, quando – sabe, eles chamam de hair metal agora – mas na época, com certeza você se lembra, não era chamado de hair metal, era chamado de hard rock, ou rock’ N roll ou o que seja, certo?

JL: Sim, você está certo. Sim, sim. Eu odeio o termo hair metal.

W (NM): Sim, eu sei, eu também. Então o que você acha que aconteceu, foi um erro dessas bandas da época que perderam a popularidade tão rapidamente? Porque, sabe, nos anos 80 o hard rock era muito, muito popular, e algumas pessoas atribuem isso ao surgimento do grunge, mas eu não acho que foi apenas o grunge. Você acha que foi algum erro das bandas, que poderiam ter feito alguma coisa diferente para continuar sendo populares após o final dos anos 80, início dos anos 90?

JL: Sim. Sim, eu concordo totalmente, eu não acho que foi o grunge que ofuscou a cena do rock, e eu acho que o grunge é um tipo de hard rock também. Mas eu acho que as bandas dos anos 80, o erro que eles provavelmente cometeram – e nós inclusos – foi que eles levaram… Havia tanto dinheiro sendo colocado nisso, das gravadoras e tudo mais, e todo mundo estava fazendo turnês, por exemplo, shows, todo mundo estava fazendo produções grandes demais e tinha muito dinheiro nisso, fazendo com que isso fosse muito grandioso, muito perfeito, talvez.

W (NM): Sim, essa é uma ótima explicação. Mudando de assunto, John, nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, que nós fazemos a todas as pessoas que nós entrevistamos: imagine que você ouvindo música aleatoriamente, e de repente começa a tocar uma música que você simplesmente perde o controle e quer bater a sua cabeça contra a parede. Que música seria essa para que nós possamos ouvi-la no nosso programa agora?

JL: Ah, seria alguma coisa antiga, como “Highway Star”, do Deep Purple, ou alguma coisa do AC/DC do álbum “Back in Black”, Led Zeppelin…

W (NM): Sim, você quer escolher uma música que representa essa sensação?

JL: “Whole Lotta Love”, Led Zeppelin.

W (NM): Então conte-nos um pouco sobre o trabalho que você fez com o Sr. Glenn Hughes, como foi tocar baixo para um dos melhores baixistas de todos os tempos?

JL: Sim, foi uma grande honra tocar baixo para ele. Eu não sei bem porque eu era o baixista, ele devia ter tocado o baixo. Mas na época ele tinha acabado de se recuperar de problemas com abuso de drogas e coisas assim, então eu acho que ele não estava tocando tão bem na época. Agora ele voltou a tocar o baixo tão bem como sempre, mas na época eu não acho que ele… Ele provavelmente não praticava baixo há muito tempo.

W (NM): Você provavelmente tinha… O Europe sempre teve uma relação próxima com os ex-membros do Deep Purple, certo? Você tem um bom relacionamento com o Whitesnake, o Deep Purple? Vocês fizeram muitas turnês juntos, certo?

JL: Nós fizemos alguns shows e alguns festivais juntos com o Whitesnake, e nós sempre saíamos com esses caras, o Reb Beach e o Doug Aldrich, o guitarrista, e o Joey geralmente conversa com o David Coverdale… Nós estivemos falando sobre fazer uma turnê juntos, mas ainda não fechamos nada. Mas existe uma chance.

W (NM): Isso é ótimo. Então mudando de assunto, John, você pode nos contar um pouco sobre a reunião do Europe que aconteceu em 2003 e quem foram os principais responsáveis por isso?

JL: Nós sempre… Quando nós demos um tempo em 92, nós sempre dissemos que nós iríamos voltar mais cedo ou mais tarde, e demorou 12 anos, mas a primeira coisa que aconteceu foi que nós fizemos um grande show na virada do milênio, no ano novo de 2000, em Estocolmo, e nós juntamos a banda, e depois disso nós dissemos “vamos lá”, sabe. E demorou mais três anos para organizar tudo.

Há muitos compositores suecos escrevendo para outros artistas, artistas americanos como a Britney Spears e essas pessoas. Céline Dion, muita gente.”

W (NM): E mudando de assunto mais uma vez, qual você acha que foi a importância do produtor Kevin Elson para a sua carreira?

JL: Ah, ele foi ótimo para produzir o “The Final Countdown”, mas eu acho que o Kevin Shirley, o produtor do álbum novo, “Bag of Bones”, foi igualmente importante, porque eu acho que o álbum “Bag of Bones” é o melhor álbum que nós já fizemos.

W (NM): Sim, eu ia te perguntar sobre isso. Falando sobre o Kevin Shirley, já que você o mencionou, o Caveman, como foi trabalhar com um dos maiores produtores de rock, certo? Ele trabalhou com o Led Zeppelin, com tantas lendas, como era ouvir as suas histórias e essas coisas?

JL: Sim, ele tinha algumas histórias engraçadas sobre o Jimmy Paige e trabalhar com os caras do Aerosmith, e todas essas coisas que ele esteve fazendo, mas mais importante, ele foi muito… Nós queríamos fazer um álbum de rock de verdade, e nós queríamos gravar tudo ao vivo e no estúdio, como as bandas costumavam fazer nos anos 70, ao invés de fazer muitas edições, e gravar a bateria separadamente, e depois o baixo, e depois a guitarra… Nós queríamos capturar a música do Europe da forma que ela é quando nós tocamos ao vivo, e para fazer isso você tem que gravar ao vivo no estúdio. Essa é a maneira como ele geralmente trabalha, então ele era a produtor perfeito para produzir esse álbum, porque ficou incrível.

W (NM): Sim, eu gosto muito da direção que vocês tomaram depois da volta, especialmente no “Bag of Bones”, então você acha que o Kevin Shirley foi o principal responsável por isso, ou vocês estavam provavelmente com vontade de fazer algo mais orgânico, um rock mais pesado, ou até um tipo mais cru de música? Você concorda?

JL: Sim, eu concordo. Nós queríamos voltar para, basicamente, as raízes de onde nós viemos, e o tipo de música que nós crescemos ouvindo, como Led Zeppelin, Deep Purple, todo esse tipo de coisa. E fazer algo que nós realmente, realmente amamos. E eu acho que o Kevin Shirley foi o produtor perfeito, mas nós sabíamos disso antes, porque nós havíamos investigado e conversado e nós tivemos um reunião com ele, nós descobrimos… Nós perguntamos “Como você produz um álbum? Como você trabalha no estúdio?” Então nós sabíamos que ele seria o cara certo. E foi muito bom.

W (NM): Excelente. Eu amo esse álbum, na verdade, parabéns. O que os fãs brasileiros podem esperar do show no dia 23? Será como o último que vocês fizeram? Porque foi ótimo, foi a primeira vez que vocês vieram para o Brasil, então como vai ser dessa vez?

JL: Vai ser diferente no sentido de que nós vamos tocar muitas mais músicas do álbum “Bag of Bones”. Nós estivemos em festivais durante o verão, e nós estivemos tocando quatro músicas do “Bag of Bones”. Nós talvez até façamos mais, quando começarmos nossa turnê. Nós estivemos falando de talvez tocar todas as músicas do “Bag of Bones”, e apenas adicionar as músicas que você tem que tocar, como “The Final Countdown” e essas coisas.

W (NM): Os grandes hits, certo?

JL: Sim, os grandes hits.

W (NM): Então como é o processo de vocês antes dos shows, para escolher as músicas que vão tocar?

JL: É algo que nós decidimos quando começamos a ensaiar. E nós definitivamente vamos ensaiar para um tipo diferente de show que nós fazemos nos festivais. E nós vamos ter um período de ensaios antes de irmos para a América do Sul, e então nós vamos descobrir, vamos experimentar, vamos discutir, tudo isso… Mas nós estamos sim falando sobre talvez tocar todo o álbum “Bag of Bones”. Vamos ver.

W (NM): Excelente, então muitas músicas novas no show de qualquer forma.

JL: Haverão muitas músicas novas, sim.

W (NM): Então você poderia escolher agora uma música do Europe da qual você tem muito, muito orgulho para que nós possamos ouvi-la no nosso show?

JL: Eu diria… O próximo single vai ser “Firebox”, do “Bag of Bones”… Sim, “Firebox” no Wikimetal!

W (NM): Nós estamos quase chegando ao final da nossa entrevista, o que você diria para um garoto que está pensando em começar a tocar um instrumento e montar uma banda de rock?

JL: Pratique muito e nunca perca a fé. Continue fazendo música, e seja muito forte e apaixonado pelo que você está fazendo.

Eu não acho que foi o grunge que ofuscou a cena do rock, eu acho que o grunge é um tipo de hard rock também.”

W (NM): Eu gostaria, em primeiro lugar, de agradecê-lo muito pelo seu tempo, nós convidamos todos os ouvintes do Wikimetal para ir ao seu show em São Paulo no A Seringueira no dia 23 de setembro. Nós estaremos lá com certeza, não vamos perder de jeito nenhum. Então antes de terminarmos, você poderia saudar os nossos ouvintes com alguma coisa em sueco?

JL: Em sueco? Ninguém vai entender, mas tudo bem. (Frase em sueco)

W (NM): Excelente. Então você poderia convidar todo mundo para o seu show?

JL: Sim, em inglês, certo?

W (NM): Sim. Claro, claro.

JL: Oi, ouvintes do Wikimetal, eu estou muito ansioso para voltar para São Paulo e arrasar! Estou realmente ansioso para ver todos vocês. Então venham nos ver, nós vamos nos divertir muito!

W (NM): Isso é muito, muito bom, muito obrigado pelo seu tempo, e nós estamos ansiosos para o show.

JL: Sim, eu também.

W (NM): Muito obrigado. Até mais. Tchau.

JL: Muito obrigado. Tchau.

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