O That Metal Show é o resultado de eu finalmente ter a oportunidade de fazer um programa do modo que eu sempre desejei fazer”

Eddie Trunk: Olá.

Wikimetal (Nando Machado): Olá, Eddie?

ET: Sim.

W (NM): Olá, Eddie, aqui é o Nando e o Daniel do Brasil, do Wikimetal, como você está?

ET: Oi, pessoal, tudo bem?

 W (Daniel Dystyler): Muito bem, Eddie. Aqui é o Daniel, como você está?

ET: Eu estou bem, obrigado.

W (DD): Ótimo. Eddie, similar ao que tem acontecido com a gente aqui no Brasil, pelos últimos, digamos dez anos, nós estamos muito felizes de ter você no programa, porque você cresceu apaixonado pelo heavy metal e dedicou grande parte da sua vida a esse tipo de música, então primeiramente, no nome de todos os headbangers brasileiros, eu gostaria de agradecê-lo por tudo o que você fez pelo metal, e bem vindo ao Wikimetal.

ET: Bom, eu agradeço, obrigado, eu estou muito feliz de estar aqui com vocês, eu agradeço todo o apoio dos fãs no Brasil, é muito bom saber de vocês aí. Um dia eu espero poder visitar, eu nunca estive aí, mas eu adoraria, eu sei que o programa de TV é muito popular também, e isso é muito bom de ouvir. Como você disse, eu faço isso há muitas décadas e é bom finalmente poder me conectar com vocês, pelo programa de TV, eu acho que as pessoas também têm acesso aos programas de radio no Brasil, então é muito bom estar aqui e obrigado por me receberem.

W (NM): Então, começando pelo início da sua carreira, Eddie, eu imagino que muitas coisas mudaram desde quando você era um garoto, que escrevia uma coluna chamada “Sharps & Flats” em Madison, Nova Jersey. Mas quais são as coisas que continuam a mesma depois de 30 anos?

ET: Bem, você tem razão, muitas coisas mudaram. O que você acabou de mencionar, que comecei a fazer quando eu era menino, quando eu estava no colegial, foi a primeira coisa que eu fiz na música, foi escrever no jornal da escola, porque eu escrevia sobre as bandas que eu queria que as pessoas conhecessem, que eu achava que não tinham exposição. E essa é exatamente a mesma coisa que me guia hoje em dia, e que me guiou pelos últimos 30 anos, porque é o mesmo conceito. Eu ainda estou tentando expor e conscientizar as pessoas sobre essas bandas e essa música que eu não acho que recebe o crédito que merecem, então isso é algo que definitivamente se mantém. O que se mantém para mim é a causa, é lutar por essas bandas para conseguir exposição para elas. Mas, obviamente, muita coisa mudou, o modo que eu faço isso mudou. A mídia, sabe, quando eu era jovem, se você tinha um CD ou algo assim, você era considerado um artista de verdade, porque você tinha um CD. Agora, com os computadores, todo mundo pode fazer CDs e downloads, então é meio difícil determinar o que é bom e o que não é. E, obviamente, há muitos mais meios de atingir as pessoas, seja através da internet, sabe, através do Twitter, dos podcasts… E eu acho que isso é bom e ruim. Eu acho que é bom porque há mais meios e oportunidades, mas é ruim porque muitas pessoas podem fazer isso agora, e isso pode ser um pouco ilusório, você não sabe o que é real e o que não é, no sentido de que você não sabe… É mais difícil saber o que tem impacto e alcance de verdade, e o que está sendo ouvido por apenas uma ou duas pessoas. Então o mundo mudou muito nesse sentido desde que eu comecei, mas eu fico feliz de continuar sendo parte disso, e eu acho que uma grande razão para isso é que eu sempre fui fiel ao que acredito. E isso continua igual.

W (DD): Ótimo, Eddie. E como foi que a música, e depois o heavy metal, entraram na sua vida?

ET: Bom, a primeira banda de heavy rock que eu gosteu foi o Kiss. Quando eu era pequeno, eu tinha treze anos e meu primeiro show foi do Kiss, em Nova York no Madison Square Garden. E isso realmente mudou a minha vida: ver o Kiss e ganhar meu primeiro álbum de heavy rock, que era o “Kiss Destroyer”. Então foi isso que deu início para mim, e por muito tempo eu fui obcecado por nada mais que o Kiss, por alguns anos. E depois eu percebi que eu deveria, sabe, explorar outras bandas, sabe, quando eu era pequeno, eu achava que você só podia gostar de uma banda, eu queria ser leal a essa banda, eu achava que se eu gostasse de qualquer outra banda seria um desrespeito à banda que eu amava de verdade na época, que era o Kiss. E é isso que você pensa quando você é criança, mas obviamente, conforme eu fui ficando mais velho, eu percebi “bom, talvez tenha outra música lá fora que eu deva conferir”, e foi o que eu fiz, e a partir daí eu comecei a ouvir Black Sabbath, Aerosmith, UFO, AC/DC, e também outras coisas da época, e comecei a explorar e aprender sobre toda essa música. E desde aquela época, como hoje, eu ainda gosto de muitas dessas mesmas bandas. Eu sempre gostei de heavy metal e eu sempre gostei de hard rock. Eu acho que são duas coisas muito diferentes, mas que estão conectadas de alguma forma, e eu sempre gostei das duas. Eu nunca tive medo de admitir que eu gostava de Slayer e que eu também gostava de qualquer que fosse o hard rock da época, fosse…

W (DD): Motley Crew.

ET: Bon Jovi ou White Lion, com quem eu trabalhei por um tempo, ou esses tipos de bandas também. Eu gosto desses dois mundos, eu nunca tive nenhum problema em admitir isso, naquela época ou agora. Eu gosto de misturar tudo.

W (NM): E você já tentou tocar algum instrumento ou formar uma banda?

ET: Quando eu era pequeno eu fiz aulas de bateria por um curto período, mas eu me frustrei muito, eu não tinha disciplina, eu não tinha paciência, eu queria pegar as baquetas e imediatamente conseguir tocar como os bateristas que eu ouvia nos meus álbuns, e quando eu não consegui fazer isso depois de um mês, mais ou menos, eu desisti. Então fora tocar na minha banda de escola muito jovem, eu não toco nada. É um dos meus maiores arrependimentos, eu gostaria de tocar, eu tive tantas honras, recentemente o Michael Schenker me deu uma das suas guitarras. Eu adoraria conseguir, mas eu não sei tocar nenhum instrumento. E foi meio que por isso que eu tomei o rumo que eu tomei, porque quando eu percebi que eu não poderia ser músico, porque eu não tinha habilidade nem disciplina, eu disse “bom, qual é a segunda melhor coisa?”, e a segunda melhor coisa era “bom, quem sabe eu possa trabalhar com esses músicos para ajudar a divulgá-los”. Mas um dia, eu sempre digo, eu gostaria parar e ter algumas aulas, mas a minha agenda está muito cheia no momento para conseguir me dedicar a isso.

W (DD): Entendo. Eddie, nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, que nós fazemos a todas as pessoas que entrevistamos, que é, imagine que você está ouvindo o rádio em uma estação de rock, ou dirigindo seu carro, ou ouvindo seu ipod no shuffle, e de repente uma música começa a tocar que faz com que você perca a cabeça e comece a head bangear imediatamente, não importa onde você esteja, você não consegue se conter. Que música seria essa, para que nós possamos escutá-la no nosso programa agora?

ET: Pergunta legal. Que música me causaria isso? Ah, sabe, um dos meus álbuns de thrash metal de todos os tempos é o “Taking Over”, do Overkill. E tem uma música nesse álbum, chamada “Powersurge”, que é uma das minhas preferidas, então eu acho que seria essa que me faria fazer isso.

W (NM): Eddie, vamos falar do “That Metal Show”, cuja sexta temporada acabou de começar aqui no Brasil, no VH1. É muito fácil perceber a química entre você, Don e o Jim. Como vocês se conheceram, e como surgiu a ideia de fazer o programa?

ET: Bom, eu trabalho para o VH1 há dez anos já, aqui nos Estados Unidos. Eu era apresentador deles em 2002, no canal que o programa passa aqui nos Estados Unidos, chamado VH1 Classic. E eu sempre fui um apresentador deles, e eu tinha entrevistado um monte de artistas diferentes, eu era entrevistador e VJ, e durante todos os anos que eu fiz isso, eu sempre dizia a eles “eu adoraria poder ter o meu próprio programa algum dia”, ou seja, eu queria ter a minha própria voz, convidar os artistas que eu quisesse, e fazer isso sem nenhum tipo de restrição em relação ao que eu poderia ou não dizer. E isso nunca se materializou, mas eu continuei insistindo. E então finalmente, em 2008 eu acho, eles chamaram o Lemmy para uma reunião, para discutir a ideia de fazer algum tipo de programa de heavy metal. E isso sofreu muitas mudanças e evoluções, nós experimentamos diferentes ideias, diferentes pessoas se envolveram… Então finalmente eles disseram “ok, nós queremos que você tente, mas nós queremos que você tenha mais uma ou duas pessoas com você. Nós queremos outras pessoas, porque não queremos que o programa seja tão sério”. Para mim, era muito importante que o programa fosse respeitoso, porque nós adoramos esses artistas, mas o VH1 não queria que fosse um programa de entrevistas muito sério, eles queriam que fosse um pouco mais despojado. E o Don e o Jim eram amigos meus, e eles eram fãs do meu programa de rádio, eu fazia um programa de rádio de metal há 30 anos na área de Nova York e Nova Jersey, e eu continuo fazendo dois programas de rádio por semana aqui nos Estados Unidos, e todo o meu passado foi no rádio. Mas o repertório do Don e do Jim é de stand up, eles são comediantes, mas eles também gostam muito de rock e metal, então eles frequentemente visitavam o meu programa, eles eram fãs do programa de rádio, então eles frequentemente visitavam o programa e participavam quando podiam. E nós nos divertíamos muito no rádio. Então quando o VH1 disse “nós precisamos de outros caras”, eu disse “bom, eu sei exatamente quem chamar, porque eles seriam perfeitos em termos de aliviar a atmosfera, e, mais importante do que tudo, eles verdadeiramente conhecem e amam a música”. Então quando eu os trouxe lá, eu os apresentei à rede, e nós gravamos um piloto, um episódio teste, todo mundo imediatamente percebeu a química. Mas é engraçado, porque as pessoas não conhecem essa história, eles acham que alguém reuniu essa equipe. E fui eu quem reunião essa equipe, porque eles eram amigos meus e nós havíamos feito rádio juntos no passado, o que muitas pessoas não sabem, como eu disse antes, é que eu já trabalhava para o VH1 há seis anos antes de começar a fazer o That Metal Show”. Então algumas coisas já estavam em andamento, e o “That Metal Show” é o resultado de eu finalmente ter a oportunidade de fazer um programa do modo que eu sempre desejei fazer.

W (DD): O Wikimetal, atualmente, é o podcast número um de hard rock e heavy metal no Brasil, e nós também temos muitos planos para o futuro de começar outras coisas, e obviamente, nós realmente admiramos tudo o que você fez nos Estados Unidos com o “That Metal Show” e os outros projetos que você possui. E umas das coisas que nós admiramos muito no “That Metal Show” é a mistura de mundos diferentes: vocês recebem no programa, heróis muito conhecidos, como o Lars, o Lemmy e o Mustaine, e os misturam com outras artistas que provavelmente não teriam a oportunidade de aparecer em um programa de TV. Qual é a importância disso para cena do metal?

ET: Bem, é muito importante, novamente, o programa é produzido aqui nos Estados Unidos por um canal chamado VH1 Classic, que é um canal diferente do VH1, e dirige-se mais aos artistas e bandas clássicas. Você disse que vocês estão assistindo à sexta temporada no Brasil, aqui nos Estados Unidos, nós vamos finalizar a décima temporada, então vocês estão um pouco atrasados em termos dos programas que vocês estão assistindo. E como você vai perceber, o programa progride, muda, nós temos diferentes quadros… No início do programa, o Don e o Jim, e às vezes eu também, saíamos na rua, fazíamos algumas coisas em clubes, piadas – tudo isso acabou agora, agora nós estamos passando mais tempo com os artistas. No início, o programa tinha apenas meia hora, agora tem uma hora. Nós finalmente estamos conseguindo que os artistas toquem no programa, nos novos episódios – eu não sei se vocês já assistiram a esses no Brasil, mas eles estão chegando. Então nós mudamos e também evoluímos um pouco com o convidados que tivemos, alguns convidados estão se repetindo, nós estamos recebendo pessoas que já vieram no programa, porque o tempo passou, e eles têm novas histórias a contar, coisas novas aconteceram. E há também alguns convidados que nós estamos tentando chamar que ainda não conseguimos, seja por causa de compromissos, agenda ou simplesmente porque eles não querem vir ao programa. Sabe, muitos artistas não gostam de participar de um programa de TV como o nosso, com pessoas que realmente sabem de suas carreiras. Eles querem participar de programas de TV onde ninguém irá pressioná-los, onde eles poderão simplesmente promover seus trabalhos atuais e ir embora. Nós não fazemos isso, obviamente, nós falamos do bom e do ruim, e nos orgulhamos disso. Então essa é realmente um grande chave e uma grande parte do programa, e embora a maioria dos nossos convidados seja tradicional, nós temos alguns artistas novos, recebemos o Marylin Manson, recebemos o Corey Taylor do Slipknot, então estamos começando com isso, e também estamos começando a receber pessoas importantes do rock – pessoas nas quais você não pensaria imediatamente quando se fala de heavy metal, mas que certamente foram influências, pessoas como o Paul Rogers e outros. Então nós temos que evoluir, temos que crescer, e essa é verdadeiramente a chave do sucesso do programa – continuar indo para a frente, ter certeza de que somos um programa de rock e metal direcionado para um grande público. Eu entendo, e eu ouço dos fãs, sabe, que querem ver coisas como

death metal no programa, bandas de metal progressivo, bandas power metal ou bandas Europeias.  Mas nós não conseguimos recebê-las agora, nos fazemos poucos programas por ano, nosso período de gravação é curto, e a rede está sempre tentando conseguir os artistas mais reconhecidos possíveis. E eu entendo que há muitos outros estilos de metal e outros artistas aí fora, mas a rede de TV tem que aprovar todos os convidados e nós temos um público alvo, para qual o programa funciona. E é assim que nós procuramos nossos convidados.

W (NM): Vou pedir que você escolha mais uma música, Eddie, nós sabemos que você é um grande fã do UFO. Você poderia escolher uma música do UFO para que nós possamos ouvi-la no programa agora?

ET: Claro, uma das minhas músicas preferidas é uma música do UFO, que é… Eu gosto muito da versão ao vivo do “Strangers in the Night” chamada “Love to Love”, e eu adoro essa música, porque são mais ou menos sete minutos de pura perfeição, e é melódica, é pesada em alguns momentos, têm vocais e guitarras brilhantes. Eu li muito sobre o relançamento do “Strangers in the Night”, do UFO. SO teve Harris, do Iron Maiden é super fã do UFO, e ele escreveu que toda vez que ele ouve “Love to Love”, ele fica arrepiado, os pelos do braço dele se levantam, e quando ele escreveu isso, eu compreendi imediatamente o que ele queria dizer, porque eu também tenho essa sensação, mais de 30 anos após ter sido gravada, então “Love to Love” é a minha preferida.

W (DD): Excelente, Eddie. Eu fico arrepiado quando eu ouço a parte final do “For Those About To Rock”, enfim… De todos os heróis do metal que você já entrevistou na sua vida, qual foi a pessoa que você se sentiu como uma criança em uma manhã de Natal? Que você pensou “eu não acredito que estou falando com esse cara”?

ET: Na verdade, isso acabou de acontecer, e é interessante que você tenha mencionado o UFO, porque, aqui nos Estados Unidos, o novo programa que está vai ao ar agora é um episódio que nós fizemos com o Michael Schenker. E sabe, sou eu quem agendo muitos dos convidados do “That Metal Show”, e o trabalho que eu tenho nos bastidores é fazer com que a gente consiga esses convidados, porque eu os conheço e já trabalhei com muitos deles. Então essa é uma grande parte do meu trabalho, e um dos desafios é conseguir convidados para o programa que não moram nos Estados Unidos. Porque nós temos pouco tempo para gravar os programas, então fica difícil conseguir que os convidados que não moram nos Estados Unidos venham até o nosso estúdio. Então recentemente nós recebemos o Michael Schenker, e eu já entrevistei o Michael algumas vezes, mas ele está muito melhor agora do que ele esteve nos últimos cinco anos, porque ele está sóbrio, ele está saudável, ele está feliz. E nós recebemos ele para essa temporada que as pessoas estão assistindo aqui nos Estados Unidos, tocando guitarra duas vezes e também conversando como entrevistado. E em um dos episódios ele me deu uma das suas “Flying Vs”, e esse foi realmente um momento inacreditável, emocionante para mim, porque eu sou um grande fã do UFO e do Michael, eu não conseguia acreditar… Me levou de volta a quando eu era uma criança com pôsteres do UFO nas minhas paredes, me levou de volta a todas essas lembranças, e, sabe, aqui estou eu, com meus quarenta e tantos anos, na televisão, fazendo meu programa de TV e um dos meus heróis está me dando sua guitarra, cantando, conversando comigo e me agradecendo por apoiar sua música. Foi muito surreal. Eu fiquei amigo de muitos dos entrevistados com o passar dos anos. Eu os entrevistei muitas vezes, e alguns fora do ar. Mas um cara como o Michael, que mora no Reino Unido e que não vem para cá frequentemente, e com quem eu estive apenas algumas vezes, foi muito poderoso para mim.

W (NM): E Eddie, tem alguém que você ainda não entrevistou que você desejava ter entrevistado?

ET: Sabe, com o passar dos anos, eu realmente já entrevistei todo mundo que eu gostaria, para ser honesto. Nós entrevistamos o Axl Rose duas vezes, ele veio no meu programa de rádio e eu o entrevistei na TV no ano passado. Há um grande número que eu tive a sorte de conhecer e entrevistar. Eu diria que o cara que eu mais gostaria de entrevistar atualmente, mas que não está dando entrevistas é o Eddie Van Halen. Eu adoraria entrevistá-lo, adoraria recebê-lo no “That Metal Show”, mas por enquanto ele só fez uma entrevista para esse novo álbum e essa nova turnê. Mas eu entrevistei o Eddie brevemente, há uns dez anos. O único cara que eu nunca entrevistei, que ainda está vivo, é provavelmente o Jimmy Page.

W (NM): Bom, nós realmente esperamos que você faça isso, para que nós possamos assistir.

ET: Eu também. Isso é uma das coisas que eu tenho que explicar para as pessoas, que todos os artistas que ainda não foram ao show e que as pessoas querem muito ver, nós também queremos.

W (NM): Sim, nós entendemos completamente.

 Eu estou muito feliz de estar aqui com vocês, eu agradeço todo o apoio dos fãs no Brasil, é muito bom saber de vocês aí.”

Wikimetal (Daniel Dystyler): Eddie, não sei se todos os headbangers brasileiros tiveram a oportunidade de ouvir diretamente de você, o que você acha do Rock N’ Roll Hall Of Fame? Você se importaria de explicar por que é tão injusto, e por que tantas bandas sofrem injustiça e não fazem parte?

Eddie Trunk: Eu gostaria de poder te dar uma resposta. Eu fiz disso uma grande parte da minha… Eu não sei dizer a palavra, mas foi uma grande campanha minha, eu expus isso nos Estados Unidos no rádio e na TV o máximo possível, as pessoas me perguntam por que eu falo tanto sobre isso, e eu o faço por apenas um motivo: porque é um meio de se expor. Eu acho que as pessoas não percebem o quão desrespeitoso isso é com os fãs de hard rock. Eu tento chegar ao fundo disso, mas a única coisa que eu posso dizer é que não é algo que é votado pelos fãs. Os fãs não tem voto nem voz alguma. É 100% controlado por grupos secretos de ex donos de gravadoras, escritores e músicos, que, eu acho, são o mesmo tipo de pessoa que tiravam sarro de mim quando eu era pequeno por gostar dessas bandas. Eles não levam a música a sério, eles não levam as bandas a sério. E eu acho que isso é completamente errado e desrespeitoso, então o motivo pelo qual eu falo tanto sobre isso é porque é importante que as pessoas saibam quem foi ignorado por eles. O Alice Cooper apenas entrou para o Hall of Fame no ano passado, eles o ignoraram por 15 anos. E ele disse, quando ele entrou, que todos os seus amigos não conseguiam acreditar que ele já não fazia parte, eles assumiram que ele já fazia. Então essa é a razão pela qual eu falo tanto sobre isso, porque as pessoas precisam saber a verdade sobre o que acontece lá. E até que eles tragam pessoas novas para o comitê de votação, infelizmente isso não vai mudar… Pensar que existe algo chamado Rock N’ Roll Hall Of Fame, que o Kiss, o Deep Purple e o Rush, para nomear alguns, foram ignorados por mais de uma década, é muito difícil de acreditar. Então eu vou continuar perturbando eles, para que talvez um dia isso mude.

 W (Nando Machado): Você tem razão, nós apoiamos a sua campanha. De qualquer forma, mudando de assunto, nós já entrevistamos algumas lendas do rock, alguns dos nossos heróis do rock N’ roll no programa no último ano e meio. E nós sempre perguntamos, quando as pessoas conheceram essa figura, sobre o Ronnie James Dio. Nós perguntamos ao Ian Gillan, ao Sam Dunn, ao Geoff Tate… Você poderia compartilhar alguma lembrança que você tem do Ronnie, porque nós achamos que ele é tão representativo, e uma pessoa tão especial. Você tem alguma lembrança que poderia compartilhar com os nossos ouvintes?

 ET: Muitas, muitas… O Ronnie era um amigo muito querido, eu tive a honra de organizar seu funeral quando ele faleceu em Los Angeles. A Wendy me perguntou se eu faria, e eu fiz, e foi uma honra… Nós recentemente tivemos um jantar no seu nome, que eu também anfitriei, onde eu recebi um prêmio, pela organização de caridade do Ronnie, que foi outra grande honra. O Ronnie e eu éramos muito próximos, a Wendy disse que ele não gostava de dar entrevistas, mas ele adorava fazê-las comigo, e nós fizemos muitas na TV e no rádio durante os anos, quando ele estava vivo. Para mim, nem parece que ele se foi, porque… Me parece que ele está fazendo uma grande turnê, e eu penso nele e sinto sua falta o tempo todo, eu tive a imensa sorte de recebê-lo no “That Metal Show” algumas vezes.  Uma das coisas que eu posso falar sobre o Ronnie James Dio é que ele era um músico brilhante, como todos sabem, e um dos maiores cantores de todos os tempos. Mas, pessoalmente, se você teve a sorte de conhecê-lo, ele era ainda melhor como pessoa. Ele era o homem mais simpático, se importava tanto com os seus fãs, era tão genuíno… As pessoas se surpreendiam, porque eu ia com ele a algum lugar, e o apresentava às pessoas, e quando eu o reencontrava, meses depois, ou um ano depois, e o Ronnie se lembrava de seus nomes, e os cumprimentava, era extremamente cortês e nunca de colocava acima de ninguém. E ele me influenciou muito nesse quesito. Conforme minha carreira crescer e mais pessoas sabiam quem eu era e que coisas eu fazia pelo rádio e pela TV, e eu me tornei mais popular, obviamente não tão popular quanto o Ronnie James Dio, mas conforme a minha carreira cresceu e mais pessoas começaram a me abordar, me entrevistar, tirar fotos, pedir minha assinatura – muitas pessoas já me disseram “você é muito bom em lidar com isso, você é sempre tão gentil com os seus fãs”. E eu digo o tempo todo que eu aprendi isso com o homem que era o melhor – e esse era o Ronnie James Dio. Isso era o que, além de sua música, me impressionava tanto – como ele era um homem gentil e maravilhoso. E ele me ensinou muito sobre isso, e nós passamos tempos muito bons juntos, umas das melhores lembranças foi em 2006, quando ele voltou com o Sabbath. Eu estava na Inglaterra, e ele foi para lá gravar as primeiras três novas músicas para o pacote dos “Greatest Hits”, e nós ficamos no mesmo hotel, ficamos acordados até tarde bebendo, dando risada, contando histórias durante o jantar. E eu nunca vou me esquecer dessas lembranças, eu sou muito grato de tê-las vivenciado. Mas a melhor coisa que eu posso dizer às pessoas é: tudo o que ele era bom como músico, ele era ainda melhor como pessoa.

 W (DD): Excelente, Eddie, muito obrigado por compartilhar isso. Você pode escolher uma música que você desejava ter escrito? Uma que você teria muito orgulho de ter criado, para que nós possamos ouvi-la no programa agora?

ET: Bem, vocês já tocaram “Love to Love”… Então eu não poderia escolher essa novamente. Eu diria, em relação a uma música de metal, talvez “Hallowed Be Thy Name”, do Iron Maiden, que é uma música épica, clássica. Eu acho que essa música traz uma imagem incrível… Eu gosto de músicas épicas, que contam uma história, então talvez “Hallowed Be Thy Name”.

E peço que todo mundo apoie o Wikimetal e ouça, porque é isso que temos que fazer, todo mundo se juntando como uma comunidade para apoiar essa música incrível.”

W (DD): Você poderia falar sobre seus projetos além do “That Metal Show,” seus programas de rádio, o livro, e como os fãs podem entrar em contato com você?

ET: Sim, eu faço dois programas de rádio por semana aqui nos Estados Unidos. Um é em uma rádio de satélite, que eu não sei se pode ser acessado fora do país, e o outro é na rádio normal aqui dos Estados Unidos, passa em mais ou menos 20 estações, e também na internet. Mas novamente, eu sei que… Eu recebo e-mails de pessoas frustradas que muitas vezes não conseguem acessar esse conteúdo em computadores fora dos Estados Unidos. E eu não tenho nada a ver com isso, eu gostaria que isso não acontecesse, mas eu não tenho controle sobre isso, isso tem a ver com as leis da internet e o país no qual você se encontra. Mas quem conseguir acessar esses programas de rádio, eles passam duas vezes por semana: às segundas e sextas-feiras. Meu site é eddietrunk.com, e eu tento atualizá-lo sempre que posso, há um espaço nele chamado “The Trunk Report”, que é um pequeno blog que eu posto de vez em quando, quando eu tenho tempo. Eu escrevi o meu primeiro livro há um ano, chamado “Eddie Trunk’s Essential Hard Rock and Heavy Metal”, e ele fez muito sucesso aqui nos Estados Unidos e em outras partes do mundo também. Você me perguntou sobre o Dio, há uma grande parte do livro dedicada ao Ronnie, eu escrevo sobre as experiências com o Ronnie e também sobre o seu funeral. Então tem muitas histórias pessoais e muitas fotos legais também no livro, o livro tem tudo desde Bom Jovi a Slayer, e isso sempre foi o que eu curti, eu adoro esses dois mundos. Tudo e tudo no meio, então o livro está aí, e eu vou começar um segundo volume dele, provavelmente no final desse ano, que vai ser lançado no ano que vem – a parte dois – que terá mais bandas, e eu também dedicarei capítulos inteiros às bandas do final do livro – há mais ou menos 25 bandas no final do livro que eu apenas menciono porque não havia mais espaço. Então o próximo livro terá capítulos inteiros sobre essas bandas. E ele deve ser lançado no ano que vem, eu vou começar a trabalhar nele no mês que vem, provavelmente. E o melhor jeito para as pessoas me contatarem e ficarem atualizadas com o que está acontecendo é entrando no eddietrunk.com, há um link lá que você pode mandar e-mails. E também através do Twitter. Eu fiquei muito ativo com o Twitter – eu não me dou muito bem com computadores e coisas assim, mas o Twitter se tornou muito fácil para mim, porque eu posso acessá-lo pelo meu celular, é muito rápido, e eu posso postar fotos e atualizações no segundo em que alguma coisa acontece. O meu nome no Twitter é @eddietrunk, e a melhor coisa que eu posso falar para qualquer pessoa é que eles sigam e chequem meu Twitter, eu o atualizo muitas vezes ao dia, dependendo do que está acontecendo.

W (NM): Eddie, falando de heavy metal brasileiro, você conhece alguma banda brasileira de heavy metal? Nós estamos em contato com a maioria das bandas de heavy metal brasileiras, ficaríamos felizes em te mandar um pacote com as melhores, mas o que você sabe sobre o heavy metal no Brasil?

ET: Não muita coisa, obviamente eu sei a história do Sepultura, da banda, que veio daí e provavelmente teve o maior impacto aqui nos Estados Unidos, mas eu honestamente não conheço muito sobre a cena aí no Brasil. Muitas vezes, quando eu faço entrevistas com pessoas de outras partes do mundo, eles me perguntam sobre as bandas e a música de seus países. E eu sempre digo a mesma coisa: eu fico muito feliz em aceitar essas coisas, mas é muito difícil para mim, porque eu gasto tanto tempo tentando promover e ajudar as bandas aqui nos Estados Unidos a sobreviveram, e eu digo isso não porque me importo apenas com os Estados Unidos, mas é que tem muitas bandas aqui, e os programas que eu faço são todos produzidos para os Estados Unidos – é aqui que eles são produzidos e para isso que eles são feitos, e então, obviamente, eles vão para outros países. Eu não tenho nada a ver com onde e se o programa passa em outros países, então quando eu fico sabendo que o programa passa no Brasil ou na Venezuela ou qualquer outro lugar, eu fico muito feliz, mas eu nunca fico sabendo se os fãs não me contarem que está passando, porque isso é uma coisa que a rede controla. Então é difícil para mim, porque eu tenho muito trabalho para fazer aqui, com os programas que eu faço e com as bandas que eu lido aqui nos Estados Unidos, que fica difícil para mim encontrar o tempo para ouvir, e ainda mais difícil encontrar oportunidades para essas bandas, porque esses programas são produzidos para os Estados Unidos, e como eu disse antes, a rede quer trazer as bandas mais conhecidas possíveis. Então é difícil, mas eu estou ciente de algumas coisas que as pessoas me contam, e eu sei que o cenário aí é ótimo. Eu ouço há muito tempo que os brasileiros são fãs fenomenais de metal, e foi por isso que eu disse, quando nós começamos a conversar, que eu espero poder visitar o país um dia, eu adoraria conhecê-lo.

W (DD): Nós sempre pedimos ao nosso convidado, que geralmente é um músico, para dar conselhos à um jovem garoto que está pensando em formar uma banda ou algo assim. Mas no seu caso, nós gostaríamos de fazer algo diferente: você poderia dar um conselho a nós, já que nós também estamos tentando levantar a bandeira do metal o máximo possível com o Wikimetal?

ET: Bem, eu acho que o melhor conselho que eu posso dar a qualquer pessoa é: seja fiel ao que você acredita. Não tente mudar… É sempre bom aceitar críticas construtivas, como são chamadas, se alguém pode ajudar com ideias, sabe, seja aberto a ouvir o que as outras pessoas tem a dizer. Mas, eu acredito, que é importante se manter fiel a si mesmo e ao que você acredita. Quando eu comecei a fazer rádio, quando eu era jovem, logo depois do colegial, me disseram: você não tem a voz certa para o rádio, você não pode fazer rádio, ninguém liga para a música que você quer tocar e falar sobre. E eu nunca mudei, eu nunca desisti, isso só me fez tentar mais. Então eu acho que você deve fazer o que você acredita e ama, e se for de boa qualidade e genuíno, as pessoas vão reconhecer, se as pessoas verdadeiramente se importarem. E eu fui consistente durante os anos 90, quando esse tipo de música não era tão popular e estava sendo caçoada… Eu nunca mudei, eu fiz o que fiz e me mantive fiel a isso. Como eu disse antes, eu gosto de metal e eu gosto de hard rock. E eu descobri, quando criança, que muitas vezes as pessoas fingiam que não gostavam de um tipo de música porque eles achavam que isso iria prejudicar sua imagem se eles admitissem isso, e então, na privacidade de seus quartos eles curtiam essas músicas. E eu sempre odiei isso, eu acho que não há nada de errado em gostar de uma variedade de músicas, você não deveria se envergonhar de admitir isso, gostar de bandas de hard rock não faz com que você seja menos metal. Então eu sempre preguei isso, desde o princípio, que no final das contas, o que importa é a sua opinião, e algumas vezes as pessoas vão concordar, algumas vezes não, mas é importante se manter fiel ao que você acredita e ama, e mantenha os ouvidos abertos, permita que as pessoas também tenham as suas opiniões, eu acho que isso também é importante.  Muitas vezes eu toco bandas que eu gosto e outras pessoas não, e também toco bandas que eu não gosto tanto, mas que meu público quer ouvir. Eu sou um grande fã do Marilyn Manson. A maioria do meu público, para ser honesto, não gosta do Marilyn Manson, então meu público do rádio não gosta quando ele toca, mas eu gosto, eu defendo os fãs e respeito as suas opiniões e vice e versa. Então é importante que você tenha uma boa comunicação com o seu público, o mais honesta e real possível. Eu nunca tive uma voz falsa, um nome falso, eu nunca tentei ser algo que eu não era, e eu sempre fugi dos clichês desse tipo de música. Sabe, as pessoas acham que você tem que se vestir e agir de uma forma específica, e eu nunca liguei para isso. Eu acho que você pode se expressar como quiser, como tiver vontade. As pessoas me falam, algumas vezes, quando me veem pela primeira vez “Ah, você não parece muito com um cara de heay metal, você não tem as características, o seu cabelo não é comprido, você não tem tatuagens”… Tudo bem, não é assim que eu quero me projetar – isso seria falso para mim, porque eu nunca me senti assim. Para as pessoas que gostam, tudo bem, o ponto é que você deve ter a liberdade de fazer… Há milhares de tipos de fãs de heavy metal no mundo, e eu acho que uma das coisas que denigre esse tipo de música e a marginaliza, é as pessoas criarem esses estereótipos – são só as pessoas que se vestem e agem de uma forma específica que gostam de heavy metal. E isso não é verdade e é por isso que eu sempre encorajei as pessoas a serem elas mesmas e se divertirem e serem leais ao que elas amam.

W (NM): Ótimo, Eddie. Em todos os nosso programas, nós escolhemos uma pergunta para fazer aos nossos fãs, e quem acertar ganha um prêmio, pode ser um CD ou um DVD, um livro, ou algo assim. Você pode escolher a pergunta que nossos ouvintes devem acertar?

ET: Vejamos… Que tal isso, é um pouco difícil: qual era o nome da gravadora independente que lançou o primeiro álbum do Motley Crew, chamado “Too Fast For Love”?

W (NM): Essa é ótima, obrigado Eddie.

W (DD): Eddie, gostaria de agradecê-lo por seu tempo, sua paciência, você foi uma ótima presença no nosso programa, nós estamos muito honrados de tê-lo aqui, por causa de tudo o que você fez pelo metal todos esses anos, você foi excelente. Eu peço que você deixe uma última mensagem para todos os fãs do Wikimetal que estão ouvindo.

ET: Claro, com certeza. Foi muito bom estar aqui no Wikimetal, falando de metal com todo mundo, eu agradeço a todos que ouviram, e muito obrigado por me receberem. E peço que todo mundo apoie o Wikimetal e ouça, porque é isso que temos que fazer, todo mundo se juntando como uma comunidade para apoiar essa música incrível, e espalhar a música, as informações… Seja através do meu programa, do “That Metal show”, dos meus programas de rádio, ou o Wikimetal, todo mundo que esteja fazendo isso pelos motivos certos, para ajudar as bandas e expor essa música: é isso que temos que fazer. Então obrigado por me receberem, e eu desejo toda a sorte do mundo para vocês com o Wikimetal.

Eu gosto de metal e de hard rock. E eu descobri isso quando criança, mas muitas vezes as pessoas fingiam que não gostavam de um tipo de música porque eles achavam que isso iria prejudicar sua imagem.”

W (NM): Muito obrigado, Eddie, mais uma vez, e por favor conte conosco para tudo o que você fizer, todos os seus projetos, você pode contar com o nosso apoio. E nós pedimos aos nossos ouvintes que assistam, toda terça-feira às 22 horas no VH1, o melhor programa de TV do mundo, chamado “That Metal Show”. Muito obrigado, Eddie Trunk!

ET: Pessoal, muito obrigado por me receberem, e se vocês tiverem um link disso, me mandem, eu vou ficar feliz em postar para que as pessoas aqui nos Estados Unidos também possam ouvir. Mais uma vez, obrigado por me receberem e se eu um dia vier ao Brasil, eu vou procurá-los, espero ir para aí um dia.

W (DD): Excelente, muito obrigado Eddie. Tchau!

ET: Ok, tchau!

Categorias: Entrevistas