Com arranjos country, Duff faz um álbum que prega a ternura como resolução dos problemas do mundo

Duff McKagan está de volta com seu segundo álbum solo, Tenderness. O primeiro desde a reunião do Guns N’ Roses, banda em que fez carreira como baixista. A percepção do que poderia ser este novo disco, ao analisar a obra do Guns e todo seu glamour hollywoodiano, não condiz com a obra que Duff pretendia fazer. Aqui, o músico se despe do hard rock cheio de brilho e aposta em atmosfera e arranjos country e arenosos.

Neste novo trabalho, McKagan se juntou ao produtor Shooter Jennings e a um time de músicos para construir uma nova visão. O disco conta com órgão de igreja, violão e corais para manter tudo sempre muito melódico e caloroso. Os solos são contidos, os vocais são leves e com notas de um interior norte-americano. É o tipo de música que poderia ser cantada em uma noite quente e estrelada, na sacada de uma casa na fazenda.

O objetivo fica implícito já no nome do álbum: tenderness, ou ternura. Duff descreveu o disco como político, mas a pregação não é por uma revolução ou algo do tipo, e sim pelo carinho. O músico trata de assuntos como a epidemia de opioides nos Estados Unidos, tiroteios nas escolas, abuso sexual e outros temas pesados. Mas é a partir da visão de alguém que acredita no bem. De alguém cansado, mas que não desiste da luta pela empatia.

Em “It´s Not Too Late”, por exemplo, Duff dá a dica: “Dê uma caminhada longa/ encontre com seu amigo”, diz a letra. Quase que um pedido pela re-humanização da sociedade. Como disse em entrevista, “O meu ponto não é adicionar outra voz política onde já há barulho demais. É sobre unidade e paz. Eu quero que esse disco seja uma meditação e que traga alguma cura, se esse objetivo não for inalcançável”.

Em alguns momentos, a lente de Duff parece inocente demais. Na música “Parkland”, por exemplo, que trata dos tiroteios nas escolas americanas, o baixista não dá nenhuma solução concreta. É como se dissesse apenas “poxa, tiroteios em escolas não são legais”. O que dribla essa puerilidade é justamente a verdade por trás das faixas. É perceptível o nível de entrega do músico, o quanto as letras são sinceras.

Nessa onda de despir o rock n’ roll de seu glamour, Duff McKagan consegue criar um álbum realmente terno. Tenderness nunca se torna autoindulgente, talvez muito por causa dos arranjos contemplativos. É um country consciente, nem tão assertivo, mas sempre bem-intencionado. O garoto rebelde do Guns N’ Roses viveu com todo o ímpeto e agora para, com um violão, e pensa na vida.

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