Confira mais um texto escrito por uma de nossas WikiSisters:

O texto refere-se a notícia da última semana de Fevereiro, Quando Corey Taylor disse que talvez não fique no Slipknot para sempre.

Quando li a notícia me senti desamparada, imaginando um mundo sem o Slipknot”

por Thayná Cardoso

Eu me senti triste, e vou explicar o porquê.

Primeiramente, é fácil entender este comentário quando se leva em conta o motivo pelo qual isso aconteceria. Ele não se referiu a brigas ou qualquer outro motivo de discórdia e inimizade. Mas sim que daqui há alguns anos já não teria disposição para estar na banda e não gostaria que de alguma maneira atrasasse o restante do grupo. Claro! Não é novidade que o Slipknot demanda muita energia física, principalmente em apresentações ao vivo. Disse também que não se afastaria da música por completo, que poderia continuar com outros projetos, e aí já pude respirar mais aliviada.

Quando li a notícia me senti desamparada, imaginando um mundo sem o Slipknot, pois entendo que sem Corey Taylor a banda acabaria. Eu até preferiria assim, se imaginar outro vocalista em seu lugar. Não me entendam mal, mas acredito que ele seja tão perfeito para este cargo que ninguém o pudesse substituir.

Meu desamparo começou há alguns meses quando Lemmy Kilmister morreu. Foi como se de repente sentisse em minhas costas todo o peso daqueles discursos de que o Rock n’ Roll está morto, e que principalmente o Heavy Metal também está tendo o seu fim. Não acredito nisso completamente, mas senti que inevitavelmente as coisas mudaram e vão mudar mais ainda, mesmo sendo um processo longo e demorado.

Falando em demora, tenho que admitir que levou muito tempo (muito mesmo) até que eu realmente pudesse entender o que é o Slipknot e tudo o que eles representam. Não compreendia o motivo das máscaras, não conseguia me conectar com o som e consequentemente não entrava na minha cabeça porque todo mundo se derretia por eles. Principalmente porque via pessoas mais novas sendo seus fãs, e na minha ignorância imaginava que elas não conheciam os grandes e velhos deuses do Metal. Alguns anos se passaram e consegui pelo menos aceitar que mesmo que eles não fossem do meu agrado, na verdade o que as pessoas viam é que de alguma forma o Heavy Metal havia se reinventado e tinha algo a dizer, ainda que eu não pudesse compreender o que. Acredito muito no pensamento de que quando não gostamos de algo é porque não a entendemos. Talvez aquilo possa não fazer parte do nosso universo, das nossas experiências, ou seja, da nossa vida.

Assisti ao vídeo da música The Devil in I. E aí sim meus amigos, tudo fez sentido.

Certo dia me dei ao trabalho de ouvir o então novo disco “.5 The Gray Chapter“. Novamente, o som não me pegou, e não conseguia distinguir sequer uma música da outra. Ainda assim, assisti ao vídeo da música The Devil in I. E aí sim meus amigos, tudo fez sentido.

Aquela música e aquele vídeo penetraram na minha mente e na minha alma. Ele é chocante, perturbador, soturno. Parece retratar uma realidade pesada, mesmo sendo extremamente fora dela. A música e a letra sozinhas fazem o seu interior se contorcer, e trazem à tona aquela parcela de insanidade lenta que de vez em quando podemos experimentar. Chega a ser prazeroso e reconfortante vê-los se matando ao longo do clipe. Mas toda essa violência e horror não são colocados de forma gratuita, agressiva e desnecessária. É como se assistíssemos a um filme de terror. A sensação é de puro medo e agonia, mas não conseguimos parar de vê-lo e mal podemos esperar para assisti-lo novamente. Todas as vezes que o assisto (e faço isso com frequência) vejo um detalhe interessante que passou despercebido da última vez. Resumindo, é uma obra prima do Heavy Metal.

Enfim, consegui sentir aquela mensagem tocando o mal dentro de mim (The Devil in I). Quem está acostumado a ouvir Heavy Metal entende o que estou falando. É como se a música dissesse o que está em nosso interior, e nós headbangers não temos medo de assumir que existe sim um lado negro e sombrio dentro de cada um. E o que nos torna estes seres humanos maravilhosos que somos é que lidamos muito bem com esse lado, talvez até melhor do que pessoas que não ouvem este tipo de som. Enfim compreendi que o Slipknot foi e é sim uma senhora de uma banda.

Mas a questão é: e agora, o que vem pela frente? Qual será a próxima banda a me surpreender magicamente?

Quando finalmente pude entender tudo isso, já era tarde demais. O Slipknot já tem mais de 20 anos de carreira, e daqui a alguns anos podem não estar mais aí. Ok, tenho que admitir que as coisas mudam, os tempos são outros e nada dura para sempre. Tudo bem, essa é realmente a parte fácil, já que podemos dizer que coisas muito boas foram feitas num passado não tão distante. Mas a questão é: e agora, o que vem pela frente? Qual será a próxima banda a me surpreender magicamente? Quem serão os próximos Iron Maidens, Metallicas, Panteras e Slipknots?

A minha resposta é que não haverá. Essa minha visão não tem nada a ver com a morte do Rock n’ Roll e da baixa venda de discos. Tem a ver com uma nova visão de mundo de forma geral. Hoje em dia cada um ouve o que quer, quando quer e o quanto quer. Não há mais espaço para a imposição de conteúdo e de opiniões. Desta forma, corremos atrás do que nos faz feliz, e do que faz mais sentido para nós. Então, talvez estejamos pelo menos diminuindo a tal da cultura de massa. Se tivermos este pensamento em mente fica praticamente impossível que nos próximos anos haja uma banda tão grande quanto as que citei. A minha real dúvida e pesar é que não vejo uma luz no fim do túnel em termos musicais no meio do Metal especificamente. Não vejo nenhuma nova cena, nenhum novo estilo, nenhuma nova filosofia. Quero estar muito enganada. Quero ser chamada de ignorante, e quero que me mostrem um milhão de bandas realmente novas das quais não tenho conhecimento hoje. E se não houverem, e ainda assim repetirmos os mesmos formatos e as mesmas fórmulas de antes já fico muito feliz.

Agora, o que me resta é aproveitar os próximos últimos anos do Slipknot, e continuar procurando incessantemente por bandas novas. Mas em momento algum deixarei que tudo isso acabe ou morra. Até porque isso será impossível. O mal dentro de mim e de todos nós sempre existirá, e a necessidade de falarmos sobre ele também existirá para sempre. Como disse Victor Hugo: “A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode permanecer em silêncio.”

*Este texto foi elaborado por um Wikimate e não necessariamente representa as opiniões dos autores do site.

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