Dois anos depois dos últimos shows no Brasil, o Bon Jovi veio de novo a São Paulo com a turnê This House Is Not For Sale. O espetáculo de quase duas horas e meia encheu o Allianz Parque até o topo de suas arquibancadas, mesmo que a apresentação seja muito parecida com a que esteve aqui em 2017.

Na verdade, o Bon Jovi sabe exatamente o que o público quer ver e é só isso o que eles vão apresentar. Se Jon Bon Jovi já entra no palco fazendo gracinhas e arrancando suspiros, é esse o papel dele até o final da noite.

Tudo é completamente calculado. Cada rebolado, cada aceno e cada sorriso. Claro que a vastidão dos telões e a banda talentosa fazem com que aquilo realmente seja um ótimo espetáculo audiovisual. Mas, a sensação é mesmo de que a artificialidade ultrapassa o verdadeiro ímpeto dos artistas com a sua obra.

O show abre com a faixa-título “This House Is Not For Sale”, como se fosse uma introdução para o que veremos dalí em diante. Não é o jeito mais empolgante de começar, mas funciona ao preparar o terreno.

Depois vem “Born To Be My Baby”, que faz mais gente cantar, mas o primeiro grande hit mesmo é a quinta faixa, “You Give Love A Bad Name”. Enquanto isso, nos telões aparecem estradas, vídeos, silhuetas de mulheres e toda a imagética esperada de um show do Bon Jovi.

Mais quatro canções depois antes de outro grande sucesso, “Runaway”, que aí sim engaja uma sequência respeitosa com “It’s My Life”, “Have A Nice Day” e “Keep The Faith”.

Para a banda, sobram alguns momentos de destaque, de novo, muito ensaiados. O guitarrista Phil X faz um pequeno solo e manda um beijo, o baterista Tico Torres mostra a língua e por aí vai. Todos fazem o vocal de apoio, criando uma espécie de coro em todas as músicas, já que Jon Bon Jovi já não alcança mais as mesmas notas.

É no momento em que a banda parece sair um pouco do roteiro que a apresentação brilha de verdade. O talentoso tecladista David Bryan assume o vocal em “In These Arms” e consegue uma ótima performance, aprovada pela plateia.

Quando tudo esfria novamente e volta a ser apenas sorrisos e “nananas”, é necessário que o vocalista use de todo seu sex appeal para manter o público interessado. Em “Bed Of Roses”, como já virou costume, o estádio pisca com as luzes cor de rosa e uma sortuda fã é elevada ao palco para dar um selinho no galã. Tudo meio brega mesmo.

A duração do show é sentida pela plateia, que só se empolga de novo com “Wanted Dead Or Alive”, “Bad Medicine” e “Livin’ On A Prayer”, que encerra a apresentação. Não dá pra falar que o Bon Jovi não sabe fazer o que se espera, nem que o show não tenha seus momentos catárticos, como a faixa final. Falta verdade e ir além do prometido. Mas, como produto pronto, que pode ser visto a cada dois anos nas mesmas cidades, vale a pena cair nas graças de Jon Bon Jovi.

Confira abaixo as fotos de Renan Facciolo:

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