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United World Rebellion é um alívio para aquele fã que achava que nunca mais ia ouvir algum som com aquela velha pegada Hard/Heavy que a banda tinha.”

por Marcel Ianuck

Depois de um hiato grande, muitos boatos de reunião da formação clássica, problemas de saúde e trocas de baterista, o Skid Row está de volta com o primeiro de uma série de 3 EPs chamados United World Rebellion. Antes de falar desse novo petardo, vamos recapitular a história até aqui.

O Skid Row foi formado em New Jersey nos EUA, onde a dupla de compositores Dave “Snake” Sabo (guitarra) e Rachel Bolan(baixo), após testarem outras pessoas, estabilizaram a primeira formação “clássica” com Scott Hill (guitarra), Rob Affuso (bateria) e o vocalista canadense Sebastian Bach. Contando com a força do amigo de Dave Snake, Jon Bon Jovi (esse mesmo), a banda conseguiu lançar o primeiro e homônimo álbum em 1989, onde as baladas 18 & Life e I Remember You fizeram sucesso nas rádios no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foram trilha sonora internacional de novela na Globo, garantindo muita execução nas rádios e preconceito do headbangers mais radicais. Mesmo com sons mais pesados como o hino Youth Gone Wild e Piece of Me, a maioria dos bangers, principalmente no Brasil, ainda viam o Skid Row como mais uma banda do movimento Hair Metal oitentista e nada mais que isso.

Em 1991, o grupo lança o seu melhor trabalho até hoje; o álbum Slave to the Grind, onde as baladas radiofônicas Wasted Time e In a Darkened Room garantiram o primeiro lugar na Billboard, enquanto o peso de Monkey Business, Mudkicker, a faixa-título, entre outras, trataram de mostrar que, apesar dos cabelos e da imagem de pretty boy do vocalista Sebastian Bach, eles eram sim uma ótima banda de Heavy Metal. Nesse disco, o cantor mostrou também que tinha uma voz realmente acima da média, chegando a ser cogitado nos anos seguintes a ocupar a vaga de vocalista em bandas como Van Halen e Iron Maiden. Outra amostra de que o grupo não estava pra brincadeira foi a histórica tour que fizeram pelos EUA com nada mais nada menos que o Pantera (fase Cowboys From Hell) abrindo os shows e, eventualmente, fazendo algumas jams com eles.

Com Slave to the Grind mostraram que apesar dos cabelos e da imagem de pretty boy do vocalista Sebastian Bach, eles eram uma ótima banda de Heavy Metal”

Depois e um EP de covers bem sucedido, a banda some do mapa. Pouco depois o Grunge aparece revirando a cena roqueira mundial de cabeça para baixo. Após um hiato de 5 anos, o Skid Row volta com o confuso disco Subhuman Race, um álbum variado, com boas canções mas um tanto experimental para o tradicional público do Hard Rock e Heavy Metal, ainda mais
em tempos que o metal não tinha praticamente espaço nenhum. Os singles e clips desse disco ainda tiveram algum sucesso mas era claro o desgaste da banda, que se separou justamente após uma tour no Brasil, culminando em uma terrível apresentação no Monsters of Rock. Era a banda errada, na época errada, com uma performance abaixo da média (o vocal de Sebastian estava realmente desgastado nesse dia) e, para piorar, de cara gerou revolta de boa parte do público presente ao ser o co-headliner, logo antes da atração principal (o também péssimo, mas ovacionado, show do Iron Maiden com Blaze Bayley), deixando para trás (e com menos tempo de palco) atrações como Motörhead, King Diamond, Helloween entre outras favoritas da grande parte do público. O resultado foi uma chuva de cuspes, copos, garrafas plásticas e
etc… e vaias, muitas vaias… Foi a gota d’agua.

Passado alguns anos, Dave Snake, Rachel Bolan e Scott Hill reformam a banda, deixando Rob Affuso e Sebastian Bach de fora. Com o baterista, parece não ter sido nada pessoal, já que ele se dedicava a outros negócios e não estaria interessado naquele momento em voltar a tocar. Já com o vocalista, foi treta mesmo. Segundo Bolan, desde o término do primeiro disco, os conflitos começaram, já que Sebastian não aceitava que todas as músicas fossem assinadas por Bolan e Snake e sempre tentava, sendo palavras do baixista, trazer contribuições mínimas nas letras ou música para forçar a barra e ser coautor das faixas. Esse e outros chiliques do vocalista seriam os motivos para, até hoje, Bolan e Bach não se falarem mais.

Assim, assumiu o posto de vocalista o texano Johnny Solinger, numa tarefa quase impossível que agradar os fãs de Sebastian, que também não ajudava e sempre que pode desce a lenha nos seus ex-companheiros de banda e no seu substituto. A verdade é que Solinger é um ótimo vocalista, sem o mesmo alto alcance vocal de Sebastian, é verdade, mas bem versátil e com uma voz potente.

Com Johnny cantando a banda havia lançado o bom Thickskin e o irregular Revolutions Per Minute. Apesar de um bom começo, abrindo a (suposta) Farewell Tour do Kiss, a verdade é que logo a banda caiu no circuito de bares e clubes menores, tocando com bandas como Jackyl, Tesla, Warrant e afins. O show, como pode ser conferido na passagem da banda por São Paulo, continua empolgante e Johnny segura muito bem o posto de frontman. Mas a popularidade da banda já não é a mesma. Muito culpam Solinger, mas as músicas do disco Revolutions Per Minute trataram de dispersar boa parte da base de fãs da banda já que, ao lado de algumas boas músicas como Disease, Love is Dead e Let it Ride, existiam coisas bizarras como o Country Rock You Lie (repetida duas vezes), a Punk Country chatinha When God Can’t Wait, entre outras músicas um tanto estranhas e de qualidade duvidosa para uma banda como o Skid Row. Outro fato que ajudou foi, pela primeira vez, a banda lançou um disco sem nenhuma balada, o que “garantiu” que o disco passasse em branco nas rádios e meios de comunicação que ainda dão espaço para o Rock.

Após esse disco, eles caíram na estrada, mas vários fatores levaram a crer que a banda não iria mais gravar; trocas inesperadas de baterista, a banda tocando sem Snake (com um problema no pulso), Rachel gravando com o Stone Sour, Snake ocupado como empresário do Down, entre outros. Vários anos se passaram até que a banda anuncia um contrato com a Megaforce Records e o lançamento de 3 EPs em sequência (mais ou menos nos mesmos moldes que o Down, empresariado por Snake, está fazendo) ao invés de lançar um disco completo.

É o Skid Rock de 2013, sem ser saudosista demais, nem experimental ou “moderno” demais”

Agora sim, finalmente, vamos falar da volta do Skid Row com o primeiro EP dessa série chamado United World Rebellion: Chapter One. Rachel Bolan mesmo admitiu que o disco anterior foi um disco “estranho” para a banda e que nessas músicas eles estariam voltando ao som que as pessoas esperam do Skid Row. Sim, ele está certo! O EP no geral é um alívio para
aquele fã, como eu, da dúvida Snake/Bolan, que achava que nunca mais ia ouvir algum som com aquela velha pegada Hard/Heavy que a banda tinha. Felizmente, isso também não tornou a banda uma caricatura do que foi um dia, ou forçou a barra para parecer old school. É o Skid Rock de 2013, sem ser saudosista demais, nem experimental ou “moderno” demais. Vamos as faixas:

Kings of Demolition: Essa música poderia facilmente estar no disco Slave to the Grind, tamanho o impacto da sua abertura e do seu grudento (no bom sentido) refrão. Também por lembrar um pouco a pegada de Monkey Business, um dos carros-chefes do já citado segundo disco da banda. O registro vocal é alto e potente. Johnny tem uma certa dificuldade com a música ao vivo, pelo que vi no Youtube, mas não compromete. No disco é arrasadora e, com certeza, a melhor de todas.

Let’s Go: Outro tapa na cara, com ótimo refrão. O andamento mais rápido, ótimo refrão e o vocal rasgado de Solinger se destacam, assim como o excelente solo da dupla Snake/Hill que começa dobrado, alterna entre os dois e finaliza com velozes frases dobradas novamente.

This is killing me: Legal ouvir o Skid Row voltar a gravar uma balada novamente. Mas apesar do bonito solo (com toda pinta de ser do Scott Hill), bom vocal de Solinger e boa produção, a música não tem mesmo apelo que outras que a banda já lançou, incluindo a ótima One Light do disco Thickskin (já com Johnny Solinger nos vocais). Não é uma música ruim, mas com certeza não é tão memorável.

Get up: Eu achei essa música meio estranha. Começa meio arrastada, com um clima pesado, e ótimos vocais e riffs de guitarra. Bem no clima das melhores músicas da fase Solinger. De repente, após uma ótima ponte, entra um refrão que parece destoar do restante da música. Pode ser que eu me acostume com a música daqui um tempo, mas parece que o refrão não combina com resto da música, mesmo que ambos sejam bem legais. Essa merece mais algumas audições.

Stiches: Começa com uma levada de baixo e bateria, lembrando a música New Generation só que mais empolgante, a música-saideira desse EP é bem pesadona empolgante. O vocal está matador, ótimos solos e clima meio caótico, enfim.. Uma ótima música para fechar os trabalhos.

Também saíram duas músicas-bônus que não vieram na minha versão do disco (sim, eu comprei o CD mesmo!), mas podemos afirmar que, caso os próximos lançamentos sigam essa mesma linha, o Skid Row tem tudo para ter uma “segunda chance” e brilhar novamente no cenário mundial.

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