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Para alguém aficcionado por Metal, o ato de escutá-lo em altíssimo volume potencializa alterações metabólicas dentro do corpo: um turbilhão de incríveis sensações.”

por Juninho

O ser humano é capaz de identificar sons entre as frequências de 20Hz a 20000Hz, sendo que a voz humana encontra-se entre 250Hz a 8000Hz. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como limite de segurança o índice de 55 decibéis (dB). A exposição contínua a níveis de ruído superiores a esse pode causar deficiência auditiva em algumas pessoas, principalmente envolvendo as frequências mais altas (3000Hz a 8000Hz). Obviamente que há variação relativa à susceptibilidade ao barulho de indivíduo para indivíduo, mas o certo é que quanto maiores a intensidade e o tempo de exposição, maior a chance de perda de audição induzida por ruído.

Quando se olha para a cena Heavy Metal, percebe-se que os headbangers não demonstram preocupação em relação às orientações da OMS. Na verdade fazem até piada. Temos um engraçado exemplo no excelente documentário “Lemmy: 49% Motherfucker, 51% Son Of A Bitch”, onde um dos fãs agradece Lemmy e o Motorhead, justificando que sempre depois de ir a um show da banda, adquire um déficit auditivo que o impossibilita de ouvir as reclamações de sua esposa (a voz feminina se encontra justamente naquela faixa das frequências mais altas).

A explicação do motivo pelo qual os headbangers ignoram os efeitos do alto volume sobre seus ouvidos tem base fisiológica. Exposição a níveis altos de ruído promove o aumento da concentração de cortisona no sangue, que tem efeito antiinflamatório. Também induz a liberação de endorfina, neurotransmissor com ação analgésica e que traz sensação de conforto e bem estar. Percebam que utilizei o termo “ruído”, obviamente não condizente com Heavy Metal, estilo musical tão prazeroso e de qualidade titânica. Portanto, pensando em alguém que é aficionado por Metal, fica claro que o ato de escutá-lo em altíssimo volume potencializa de maneira exponencial tais alterações metabólicas dentro do seu corpo: um verdadeiro turbilhão de incríveis sensações.

Com todas as explicações científicas anteriores, fica fácil entender por que bandas de Heavy Metal competem pelo título de “a mais barulhenta” (The loudest band in the world). Diferentes maneiras de aferição já foram realizadas, até mesmo por análise da engenharia por trás dos álbuns lançados. Porém o método analítico mais celebrado certamente é a aferição dos níveis de decibéis durante um concerto ao vivo.

Antes de entrarmos em datas e números envolvendo bandas, é interessante saber, por exemplo, que a turbina de um avião a jato chega a 140-150 dB e que a partir de 160 dB há risco de perfuração no tímpano. Nas diversas casas noturnas e festas pop comandadas por DJs, uma pessoa que se posiciona a 1 metro de distância das caixas de som estará inserida em um volume com cerca de 120 dB de intensidade.

Vamos aos fatos.

Em 1972 o Deep Purple foi reconhecido pelo Guinness Book como a banda mais alta do mundo até então, após o concerto no London Rainbow Theatre que registrou 117 dB. Cogita-se que 3 pessoas da platéia tenham ficado inconscientes por causa do barulho.

No dia 31 de maio de 1976 o The Who bateu este recorde anterior. A uma distância de 32 metros dos falantes evidenciou-se o valor de 126 dB em um show no campo do Charlton Athletic F. C..

Seguindo cronologicamente os fatos registrados, em 1984 o título de banda mais alta do mundo mudou novamente de mãos. A voz de Eric Adams do Manowar atingiu 128 dB e o The Who perdeu seu título.

Em 1994 o Manowar, que ainda era a banda mais alta do mundo, bateu seu próprio recorde após atingir 129,5 dB em um concerto em Hanover. Porém, ao solicitar a atualização ao Guinnes Book, receberam a notícia de que o novo valor não seria reconhecido. O livro não mais incluiria a categoria “banda mais alta”, pois não queria encorajar um recorde que pudesse provocar danos aos ouvidos.

Mas a banda não parou por aí. Mesmo não existindo mais a categoria loudest band no Guinnes Book, em 2008 eles registraram 139 dB aferidos da cabine central de controle durante a passagem de som na Magic Circle Fest na Alemanha, a maior intensidade já atingida ao vivo por uma banda, ainda que não oficialmente registrada.

Seria impossível finalizar este texto sem lembrar de bandas como AC/DC, Kiss e Motörhead. O Guinnes Book não as reconhece entre as recordistas, mas a fama delas precede qualquer título delegado por qualquer publicação.

Durante a turnê do Back in Black em 1980, os australianos do AC/DC registraram 130 dB em alguns concertos. Em função das frequentes reclamações pelos lugares que se apresentavam, resolveram diminuir o volume em vários shows. Este registro não foi endossado pelo Guinnes Book.

O Kiss afirma ter atingido um nível de 136 dB no dia 15 de julho de 2009 em Ottawa, durante um espetáculo ao vivo (sim, os shows do Kiss são um verdadeiro espetáculo). Após reclamações de vizinhos a banda diminuiu o volume.

A crítica especializada em Metal frequentemente coloca o Motörhead entre as bandas mais altas do mundo. Quem já assistiu ao show dos caras ao vivo sabe que isso não é exagero. Em 1986 um artigo escrito por Scott Cohen, publicado na revista Spin, relata um concerto onde o Cleveland Variety Theater sofreu danos em sua estrutura após a banda atingir 130 dB, o que era 10 pontos acima do recorde do The Who na época. Há também uma lenda de que em uma passagem de som do grupo na década de 80, um homem, a 5km de distância do local do show, telefonou para a organização reclamando que não conseguia ouvir sua TV.

Lendas e histórias a parte, é fato que de todas as bandas citadas, não se conhece nenhum membro que tenha ficado surdo (pelo menos não publicamente declarado).

Abraço a todos!

Juninho

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