Confira mais um texto escrito por um de nossos WikiBrothers:

Espero que esse texto possa servir de porta de entrada para conhecer alguma banda que caia tanto no gosto de vocês quanto caiu no meu!”

por Pedro Andrade

Hail Wikibrothers!

Todo mundo tem “aquela” ou até mesmo várias bandas que só você parece conhecer no Brasil, mas acha o som dos caras muito bom e não consegue entender o porquê de eles não serem pelo menos um pouco mais conhecidos.

Vim aqui então para escrever, não sobre as bandas clássicas que foram os alicerces para nossa introdução ao maravilhoso mundo do Rock e Heavy Metal, nem sobre bandas que já ouvimos falar de nome ou conhecemos mais ou menos pois estão crescendo e conquistando seu espaço na cena do Metal atual, mas sim sobre as bandas realmente underground, desconhecidas por completo mas que fizeram uma grande diferença na minha vida musical, e se não fosse por um evento muito ao acaso gerado pelo universo, eu talvez nunca tivesse entrado em contato com o trabalho delas, e se não aproveitasse essa primeira chance raramente teria outra oportunidade. E teria perdido muita coisa boa, acreditem!

Portanto Wikibrothers, espero que esse texto possa ser, pelo menos para alguns leitores, esse evento completamente ocasional do Cosmos e servir de porta de entrada para conhecer alguma banda que caia tanto no gosto de vocês quanto caiu no meu!

1 – Ancient Bards

Bom, como o nome da banda já sugere, trata-se de algo com temática épica! É uma mistura de Power e Symphonic Metal, com uma mulher como vocalista principal, vários refrãos em coro que grudam na cabeça, melodias bem trabalhadas e algumas músicas bem compridas. Ok, eu sei que não parece novidade nenhuma, conhecemos várias bandas que se encaixam nessa descrição, mas os italianos do Ancient Bards conseguem ter uma sonoridade bem própria. A começar pela voz da Sara Squadrani que não faz aquele estilo soprano bem comum dentro do Symphonic Metal.

Eu nunca vi uma entrevista deles, nem li nada oficial, mas se fosse chutar, diria que Avantasia e Rhapsody of Fire são uma grande influência para a banda. Mesmo assim, o som que produzem ainda fica distante do que produz as bandas citadas. Não sei se consigo identificar exatamente o motivo, mas simplesmente não é mais um Power Metal parecido com vários por aí, é autêntico, original.

Os álbuns são conceituais (ou seja, cada música compõe uma nova parte da história que inventaram) e atualmente eles têm dois álbuns de estúdio apenas, “The Alliance of Kings” de 2010 e “Souless Child” (esse é o melhor) de 2011. Estão pra lançar o terceiro álbum esse ano e fechar essa trilogia chamada “The Black Crystal Sword Saga”.

Como podem ver, é uma banda recente, mas que já me encantou com o trabalho apresentado e é um prato cheio pra galera que jogava RPG na infância/adolescência, lia Tolkien e curte um som épico.

2 – Cornerstone

De todas as bandas que vou falar aqui, essa é a que eu menos entendo o motivo de nunca ter ficado mais em evidência na cena do Metal. Conta com o excelentíssimo Dougie White nos vocais. Galera que curte Malmsteen deve se lembrar dele, ou quem acompanhou a cotação para o novo vocalista do Iron Maiden na década de 90, que acabou ficando com o Blaze.

Descrever o som dos caras é um pouco difícil, é uma mistura de Heavy e Hard bem tradicional, com uma pegada um pouco progressiva em algumas canções. Novamente baseado no meu puro achismo, eu chuto Deep Purple, Rainbow e a carreira solo do Bruce Dickinson como principais influências deles… Sei lá, todos os álbuns me remetem um pouco à essas bandas em algum momento, porém eles são mais pesados do que esses três.

O som deles não traz nenhuma “inovação” propriamente dita, não forçam as fronteiras do som mais tradicional com nenhum tipo de experimentalismo, mas ainda assim as canções são excelentes. Em todos os álbuns podemos encontrar maravilhosas composições, desde músicas mais tranquilas e acústicas até músicas com aquela pegada de fazer você aumentar o volume no máximo e dar um soco na cara de quem tá do lado de tão massa que é o refrão!

Pra quem se interessou, recomendo os álbuns “Human Stain” (2002), “Once Upon Our Yesterdays” (2004) e “Two Tales of One Tomorrow” (2007). Apesar de cada um possuir suas particularidades, acho que os três se encaixam bem na breve descrição que fiz acima, então, escolha o álbum que tiver o nome mais legal na sua opinião e comece por ele!

3 – Dragonland

Será que é banda de Power Metal com esse nome? Haha… De fato é, mas não se enganem. O som do Dragonland não tem absolutamente nada a ver com a atmosfera sugerida pelo nome. Na verdade, as músicas deles tem temáticas muito mais próximas de assuntos como astronomia, universo, matemática e física quântica do que temas medievais.

A banda é originária da Suécia e faz um som extremamente maduro e com muita qualidade, com composições interessantes que fogem de uma estrutura comercial através de melodias lindas e envolventes, solos furiosos, atmosferas viajantes e letras igualmente interessantes… Isso é, nas faixas que têm letra né, pois algumas são instrumentais, porém não são do tipo que dá preguiça de ouvir. Qualidade também de todos os instrumentistas da banda em suas respectivas posições e dos vocais de Jonas Heidgert e da excelentíssima Elise Ryd (essa já tá ficando mais conhecida agora) que participa de algumas canções para formar um dueto de vocal masculino/feminino incrível!

Eu sei que o Dragonland é de 1999, portanto eles possuem mais álbuns, mas vou me ater a recomendar apenas os dois que eu conheço, e que se encaixam no que foi dito acima sobre a banda, pois não sei se o restante da discografia deles mantém a mesma pegada… Futuramente ouvirei para descobrir. Os álbuns são “Starfall” (2004) e “Astronomy” (2006). Não sei dizer qual é melhor, ambos são muitíssimo bem trabalhados desde a capa, com artes belíssimas até o último segundo da última faixa. Acho que o Astronomy é um pouco mais pesado que seu antecessor. Fica aí a dica pra quem gosta de Power mas não tá afim de ouvir músicas sobre unicórnios e dragões.

4 – Lyriel

A banda é originária da Alemanha e faz um som que mistura um Symphonic e Folk Metal, com perceptíveis elementos de música clássica em sua mais pura forma.

Se eu tivesse que sintetizar Lyriel em uma única frase, ela seria: Disney em versão Metal. Digo isso porquê vários clássicos da Disney possuem suas trilhas sonoras (excelentes diga-se de passagem) pautadas em elementos da música clássica, porém ao mesmo tempo são contemporâneas, atuais, e sempre carregam consigo uma atmosfera muito clara sobre determinado tema. E é exatamente isso, na minha opinião, que o Lyriel representa no mundo da música, porém com seu toque de Metal, pra deixar tudo mais bonito.

Abusando de violinos e violoncelos que criam melodias lindíssimas e cativantes em cima de bases de guitarras até que bastante pesadas, somadas a doce voz de Jessica Thierjung, o Lyriel faz um som extremamente autoral, hora fazendo um Symphonic Metal lindo, hora flertando com o Folk Metal e melodias escandinavas.

Eu sei que tem muito metaleiro que torce o nariz para essa vertente, porque o som não é tão “true” como Slayer e etc. ou simplesmente porque é uma vertente do Metal que foge um pouco do lugar comum a qual nós ficamos acostumados pelas excelentes bandas que nos alicerçaram no universo Heavy Metal, mas sei também que tem bastante gente que gosta, que tem interesse em achar coisas novas e diferentes perdidas por aí, e acho que para esses, Lyriel pode ser um prato cheio! Mas devo dizer que apresentei essa banda para várias pessoas e achei alguns resultados surpreendentes! Tenho amigo “True” que acabou até correndo atrás de mais músicas.

Pra terminar a recomendação aos interessados, sugiro os álbuns “Paranoid Circus” (2011) e o “Leverage” (2012).

5 – Plastique

Para não usar termos mais fortes do tipo: “odeio” ou “não suporto”, acho importante deixar bem claro que, assim como provavelmente 99% dos leitores do Wikimetal, eu não nutro nenhuma simpatia por música eletrônica e principalmente Rock Indie ou Alternativo (como vocês preferirem chamar).

Então, não me perguntem o motivo, pois nem a física moderna vai saber explicar o fato de eu gostar de Plastique, porque o som que eles fazem é exatamente um Rock bem alternativo com uma pegada eletrônica. Mas eu simplesmente fiquei viciado no som dos caras por algum tempo. Tem bons riffs de guitarra, melodias inóspitas e outros elementos completamente diferentes de todo o resto que eu costumo ouvir.

A banda é de Londres mas o guitarrista, Fábio Couto, é brasileiro. Brevemente contando: descobri essa banda pois o Fábio é ouvinte de um Podcast que eu também ouço, que fala basicamente sobre videogames e então teve esse episódio em que chamaram ele pra participar, aí falaram da banda lá, fui procurar pra ver qual é que era e me interessei. E esse é um bom exemplo desses acontecimentos do acaso que o universo prepara pra gente a que me referi no início do texto.

Tenho que admitir que fui cheio dos preconceitos, achando que a banda ia ser um lixo e quebrei a cara com força. Bom, tá aí a dica mais inusitada que eu poderia dar. Se você não for com a cabeça aberta para ouvir algo realmente diferente, nem perca seu tempo, mas se de alguma forma se interessar, o álbum “#Socialscar” (2013) foi o que me fez apreciar muito o trabalho deles.

6 – Witch Mountain

De todas as bandas desconhecidas que eu citei aqui, Witch Mountain deve ser de longe a mais underground! Mas nem por isso eles merecem menos atenção do que as outras. Muito pelo contrário, essa banda representa demais!

Eles são originário de Portland, nos Estados Unidos e fazem um Doom/Stoner Metal muito “roots” e de muita qualidade. Quando falei das demais bandas, sempre bati na tecla da originalidade, e acho que o Witch Mountain representa muito esse conceito de originalidade. É claramente notável a influência do Black Sabbath na música deles, porém mais pesado e com uma boa pegada de Blues. Isso somado ao vocal irado de Uta Plotkin que canta tanto com vocais limpos e suaves quanto guturais rasgados e demoníacos.

É um som pesado, mas o pesado do Stoner Metal é diferente do peso das bandas de Thrash, Death Metal e outras vertentes mais extremas. No caso do Witch Mountain não há tanto a presença de pedais duplos que parecem triplos. Na verdade a bateria é bem lenta em algumas músicas, o que contribui para um clima bem soturno, e o baixo se sobressai bastante, segurando as bases enquanto a única guitarra faz seus solos, bem a cara do início do Black Sabbath.

Essa banda tinha uma música (Veil of the Forgotten) no Metal Swim, uma compilação de Heavy Metal do Adult Swim, (sim, o canal dos desenhos zueiros) acho que todo mundo que era moleque nos anos dois mil e pouco assistia aquela bagunça! haha

Recomendo os álbuns “Cauldron of the Wild” e o “South of Salem”, ambos de 2012.

Bom, acho que é isso galera, tentei selecionar 6 exemplos bem variados. Adoro quando me recomendam bandas e gosto muito, além de achar importante para manter o Rock/Heavy Metal vivo compartilhar novas bandas quando acho que fazem um trabalho de destaque, e essas 6 que citei significam bastante pra mim! Mas e vocês? Qual a opinião? Se alguém já conhecia alguma dessas raridades ou tem exemplos semelhantes de bandas pra recomendar, deixem aí nos comentários também!

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